Novo surto?

OMS entra em alerta com possível surto de peste pneumônica no mundo

Laboratório de pesquisa na Sibéria se tornou centro de preocupação depois que uma funcionária morreu

Um laboratório de pesquisa na Sibéria se tornou centro de preocupação depois que uma funcionária morreu, em circunstâncias ainda investigadas, no início de outubro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha o caso em contato com as autoridades russas, enquanto se investiga a possibilidade de vazamento de um agente infeccioso do laboratório.

A pesquisadora Daria Shipilova, de 28 anos, morreu no dia 2 de outubro, depois de adoecer enquanto trabalhava em um instituto dedicado ao estudo da bactéria causadora da peste. A morte levou agências de saúde a isolar cerca de 200 pessoas por precaução, provocou investigações e gerou discussões nas redes sociais sobre a segurança em laboratórios de pesquisa biológica.

O que dizem as autoridades russas

Moscou informou à OMS que exames laboratoriais não identificaram microrganismos associados ao trabalho da funcionária no instituto. Segundo as agências sanitárias russas, ela morreu de pneumonia de origem desconhecida, sem indicação de violação dos protocolos de segurança. As autoridades russas também informaram que nenhum caso de peste foi confirmado em Irkutsk.

As regras internacionais de saúde estabelecem obrigações de comunicação e cooperação entre os países e a OMS em questões epidemiológicas. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, descartou em 7 de outubro os relatos como informações falsas e reafirmou que apenas comunicados oficiais das autoridades russas deveriam ser considerados confiáveis.

 

Cautela na comunicação internacional

As Nações Unidas adotaram um tom cuidadoso ao discutir o caso. Stephane Dujarric, porta-voz da ONU, destacou em 6 de outubro que a organização monitorava a situação e permanecia pronta para oferecer assistência. Ele enfatizou a importância de escolher bem as palavras, pois o intenso interesse público em torno da doença poderia alimentar pânico infundado.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, afirmou em 7 de outubro que a agência ainda não tinha um quadro completo do ocorrido e não conseguia avaliar integralmente os riscos. A cautela nas comunicações reflete a sensibilidade do tema diante da repercussão nas redes sociais e nos veículos de imprensa.

A natureza da peste pneumônica

A peste pneumônica é uma infecção bacteriana que afeta os pulmões. Diferentemente de outras formas da doença, pode ser transmitida de pessoa para pessoa por gotículas respiratórias, principalmente durante o contato próximo. Por isso, exige atenção em ambientes onde pessoas infectadas possam ter contato próximo com outras.

O acompanhamento por agências globais de saúde pública mostra que, mesmo com informações ainda limitadas sobre o ocorrido, a comunidade internacional mantém a vigilância. Em 5 de outubro, os Estados Unidos pediram que Moscou demonstrasse transparência sobre a situação.

O acompanhamento contínuo da OMS indica que a organização está avaliando o caso e poderá orientar a resposta sanitária conforme novas informações forem confirmadas. A atuação reflete a importância da cooperação entre países em situações de possível risco à saúde pública.

Criação de animais

Fazenda na Argentina trocou 3.500 ovelhas por uma reserva com mais de 3.000 guanacos

Local deixou de criar milhares de ovelhas e passou a abrigar milhares de guanacos

09/10/2026 08h15

Foto: Ulrick Trappschuh/Pexels

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Uma propriedade de 7.360 hectares na Patagônia Argentina deixou de criar milhares de ovelhas e passou a abrigar milhares de guanacos. A mudança ocorreu na estância San Pablo, na Península Valdés, província de Chubut, após décadas de pecuária ovina e equina na região. Até 2005, o local chegava a abrigar cerca de 3.500 ovelhas na costa do Golfo Nuevo.

Hoje, mais de 3.000 guanacos ocupam o terreno, transformado em área protegida sob o nome de Reserva de Vida Silvestre San Pablo de Valdés.

Da pecuária à proteção ambiental

A Fundación Vida Silvestre Argentina comprou a propriedade em 2004 e, em julho do ano seguinte, retirou as ovelhas e os cavalos que ainda pastavam ali. A fundação transformou o galpão e a antiga cozinha de tosquia das ovelhas em uma estação de campo voltada à pesquisa do ecossistema local.

Sem os rebanhos, sementes que ficaram escondidas no solo por anos passaram a germinar. Com o tempo, a vegetação se espalhou e os pastos naturais ganharam mais variedade, criando condições melhores de alimento e abrigo para a fauna nativa da estepe patagônica.

 

Explosão populacional dos guanacos

O primeiro levantamento feito na reserva contou apenas 300 guanacos vivendo no terreno. Segundo a fundação, o número disparou ao longo dos anos até ultrapassar os 3.000 animais, impulsionado pela reprodução interna e pela chegada de exemplares vindos de propriedades vizinhas.

A retirada do gado e a queda na caça abriram espaço para que a espécie se espalhasse sem concorrência por pasto. A presença de fêmeas reprodutoras e a fartura de alimento também ajudaram a sustentar esse crescimento.

Outras espécies que ganharam espaço

Além dos guanacos, a reserva hoje abriga choiques, maras e zorros. Também há mais de 60 espécies de aves típicas da estepe patagônica, bioma que a fundação busca proteger.

A antiga fazenda de ovelhas e cavalos se tornou um ponto de referência para estudar como ecossistemas da Patagônia se recuperam quando a atividade pecuária deixa de ocupar o espaço.

Olho na Lua

NASA divulga banco de 11 mil imagens inéditas da Lua

Acervo está aberto ao público no Planetary Data System

09/10/2026 07h24

Imagem: Divulgação/NASA

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Quatro astronautas viajaram ao redor da Lua em 2026 e registraram a jornada em detalhes. Agora, o acervo completo, com mais de 800 gigabytes de conteúdo, sendo mais de 11 mil arquivos está aberto ao público no Planetary Data System, repositório de dados planetários da NASA.

A singularidade da divulgação está em quem capturou as imagens: astronautas, e não sondas automáticas ou câmeras pré-programadas, decidiram em tempo real onde apontar as lentes, o que documentar e como registrar a superfície lunar ao sobrevoá-la. Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen fizeram essas escolhas.

Imagens, sons e anotações em um só arquivo

O pacote reúne mais de 11 mil fotos e vídeos capturados por câmeras portáteis e pelo equipamento acoplado à nave Orion. O material inclui ainda 8,5 horas de áudio, nas quais a tripulação comentava suas observações científicas e descrevia as cores, as mudanças dinâmicas e os detalhes geológicos da Lua conforme os observava ao vivo.

O pacote também inclui marcações manuscritas feitas pelos próprios astronautas. Durante o sobrevoo lunar de 6 de abril de 2026, enquanto a Lua escura passava diante do Sol. Os tripulantes registraram em um tablet flashes de impacto e suas posições: Reid Wiseman usou azul, Victor Glover usou verde, e Jeremy Hansen usou vermelho.

Essas anotações preservam não apenas dados científicos, mas o pensamento em tempo real de quem estava observando.

Preparo que permitiu escolhas no espaço

Antes do voo, a tripulação passou por treinamento em salas de aula, simulações e atividades de campo para dominar a geografia e a geologia lunares. Esse conhecimento prévio permitiu que os astronautas decidissem durante o sobrevoo quais regiões observar e quais cenas registrar, sem depender de roteiros rígidos da Terra.

Esse material complementa décadas de dados das missões Apollo e de exploradores robóticos. Desde as missões Apollo, não havia precedente, em volume, para um conjunto de informações planetárias capturado principalmente por pessoas, e não por máquinas.

Três documentos técnicos acompanham a liberação: um relatório preliminar sobre a ciência lunar, outro sobre as operações executadas e um guia de uso dos dados.

Planejamento das próximas etapas

Diferentemente de missões anteriores. O apagão de comunicação de 30 a 50 minutos ao contornar o lado oculto da Lua não impediu a coleta de informações em 4K, transmitidas via laser, um sistema inovador que permitiu maior clareza nos registros. Esse material agora orienta diretamente o planejamento da Artemis 3 e das etapas seguintes do programa lunar tripulado.

Jornalista Rodrigo Mozelli, formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), é redator do Olhar Digital e acompanha a cobertura desta missão.

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