Com o verão em vigência no território brasileiro, é comum que os turistas desloquem-se para o litoral a fim de aproveitar as praias e o comércio local. Embora a paisagem natural seja um dos grandes destaques da região, a praia de Santa Terezinha, em Imbé (RS), foi palco da aparição de um pequeno mamífero roedor que está na lista dos animais com sérios riscos de extinção.
Ao final do ano passado, moradores e turistas que estavam passeando no litoral do Rio Grande do Sul se depararam com a presença inusitada de um tuco-tuco (Ctenomys flamarioni). O registro chamou a atenção das autoridades, tendo em vista se tratar do animal mais ameaçado das sete espécies presentes no país, fator evidenciado pela União Mundial para a Natureza.

Conforme avaliação dos biólogos, o roedor apresenta-se de forma endêmica no estado, com a sua distribuição limitada às dunas frontais da região costeira, desde o Chuí até Arroio Teixeira. A fim de preservar a existência do animal, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) iniciou o Projeto Tuco-Tuco, que busca sinalizar as praias com placas informando a presença dos bichos.
“A urbanização é um fator que acaba contribuindo para que esse bicho perca o seu habitat. Além disso, tem a questão do pisoteio, o que muitas vezes também pode interferir, considerando que esses bichos vivem em galerias subterrâneas, normalmente com um único indivíduo presente”, explica o tenente Juares Matias, do 1º Batalhão do Comando Ambiental da Brigada Militar de Tramandaí.
Entenda um pouco mais sobre o animal
Com a aparência fofa e seu porte pequeno despertando a atenção das pessoas, o tuco-tuco é considerado um “parente” das capivaras e do porquinho-da-índia. Embora pareçam similares, o roedor em questão integra grande parte da família Ctenomyidae, com 65 espécies exclusivas da América do Sul. No nicho em questão, oito delas estão distribuídas por Rondônia, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Inofensivos aos seres humanos, são herbívoros, se alimentando de raízes, sementes e grama, como capim e ervas. Um detalhe curioso é que a maioria das espécies é solitária, e a comunicação entre elas se dá através do som. Daí surge o nome popular “tuco-tuco”, já que corresponde ao “barulho” emitido por esses bichinhos.





