Por consequência de comportamentos naturais e cíclicos, é comum que algumas espécies desapareçam temporariamente do meio ambiente. Um exemplo claro no Brasil diz respeito aos guarás (Eudocimus ruber), aves que deixaram de ser registradas há oito décadas. Segundo os relatos, voltaram a ser flagradas sobrevoando a Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná.
Considerada a ave símbolo do município, a espécie voltou a fazer parte da paisagem incontestável da região, especialmente pela intensidade vermelha de suas penas. Embora tenha sido responsável por dar nome à cidade, ganha destaque por transformar vidas e incentivar ações de educação ambiental e de turismo sustentável em solo paranaense.
“Ela permaneceu ausente da região por aproximadamente 80 anos. E desde o registro sistemático da ilha dormitório, realizado em meados de 2017 e 2018, instituições como o Guaju desenvolvem ações integradas de pesquisa, monitoramento e educação ambiental, adotando o guará como espécie guarda-chuva para a conservação dos ecossistemas estuarinos”, explica Edgar Fernandez, pesquisador do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC).
De modo geral, o retorno da ave para a Baía de Guaratuba representa um indicativo extremamente positivo diante da qualidade ambiental dos manguezais e áreas estuarinas. Sobretudo, os guarás dependem diretamente dessas regiões para alimentação, abrigo e descanso, sendo altamente sensíveis às alterações climáticas. Sendo assim, a presença é sinônimo de preservação ecológica.
Importância do retorno da ave ao meio ambiente
Curiosamente, Guaratuba possui uma ilha utilizada como a maior área de concentração da espécie, que serve como local para dormir e descansar no fim da tarde ou início da noite. Como resultado da quantidade elevada de aves na região, o território tornou-se um dos principais pontos para onde os turistas são levados com a finalidade de encontrar o bando.
Em outras palavras, a presença massiva do animal colabora para a promoção do turismo sustentável. Nesse intervalo, o Instituto Guaju, junto a outros órgãos, costuma promover curso de formação de condutores locais. A ideia primordial consiste em qualificar a mão de obra para o ecoturismo, a pesca esportiva e a observação de aves.
“Valorizar a cultura caiçara, o turismo de base comunitária e promover o turismo sustentável é uma maneira de gerar renda e fortalecer as atividades que incentivam a proteção dos guarás e dos manguezais, que são ecossistemas fundamentais para o equilíbrio ambiental da Baía de Guaratuba”, comemorou Edgar Fernandez.





