Um relatório da Agência da União Europeia para o Asilo (EUAA) mostrou que, pela primeira vez, venezuelanos superaram sírios como a nacionalidade com mais solicitações de refúgio no bloco europeu.
Entre janeiro e junho de 2025, foram registrados 399 mil pedidos de proteção, número menor que no mesmo período de 2024, mas marcado pela mudança no perfil de quem busca acolhimento. Sírios, que por uma década lideraram as estatísticas, perderam a posição para os venezuelanos, que agora concentram a maior parte das solicitações.
A Espanha se consolidou como principal destino dessa população, respondendo por 93% dos pedidos de venezuelanos. A escolha é explicada por fatores como a língua comum, presença de comunidades já estabelecidas e políticas voltadas à demanda por mão de obra.
Além disso, o endurecimento das regras migratórias nos Estados Unidos desde o início de 2025 impulsionou a busca por alternativas na Europa, fortalecendo o papel do bloco como novo polo de acolhimento.
A França também ganhou destaque no cenário, recebendo 78 mil pedidos no semestre, enquanto a Espanha registrou 77 mil. A Alemanha, antes líder tradicional, caiu para a terceira posição com 70 mil solicitações.

Brasil perde espaço como rota preferida
Durante anos, o Brasil esteve entre os destinos relevantes para os venezuelanos que deixavam o país natal em busca de segurança e melhores condições de vida. A proximidade geográfica, a facilidade de entrada e as políticas de acolhimento mantinham o território brasileiro como alternativa central no fluxo migratório da região.
Além disso, a existência de comunidades venezuelanas já instaladas em cidades brasileiras contribui para criar redes de apoio, tornando a adaptação inicial mais viável e menos solitária para os recém-chegados. No entanto, em 2025, o cenário mudou. A União Europeia passou a atrair a maior parte dos solicitantes, reduzindo a importância do Brasil no mapa global de refugiados.




