Recife, reconhecida como a capital mais antiga do Brasil, também figura entre as cidades mais ameaçadas pelo aumento do nível do mar. Estudos internacionais colocam o município na 16ª posição global entre os mais expostos ao avanço das águas, resultado da combinação entre baixa altitude, ocupação densa e desigualdade urbana.
A ameaça não indica o desaparecimento da cidade, mas reforça a necessidade de políticas permanentes de adaptação. Zonas próximas à costa e regiões estuarinas concentram riscos maiores e exigem monitoramento constante.
Além disso, parte do patrimônio histórico está situada em trechos suscetíveis, o que amplia o desafio urbano. A prefeitura reconheceu esse cenário ao decretar emergência climática em 2019 e introduzir o tema na rede municipal de ensino, buscando ampliar a conscientização da população.

Discussão de soluções e intercâmbio técnico
Recife tem sediado fóruns que reúnem pesquisadores brasileiros e holandeses para discutir estratégias de convivência com o avanço das águas. O diálogo aborda práticas adotadas em cidades expostas a problemas semelhantes e considera soluções integradas que envolvem gestão de rios, controle de marés e reorganização do espaço urbano. A troca de experiências permite avaliar intervenções que podem ser aplicadas localmente.
Especialistas explicam que o nível do mar subiu cerca de 40 centímetros no último século, mas os efeitos variam conforme as características geográficas. Em Recife, praticamente ao nível do mar, a percepção das mudanças é mais intensa. Outras capitais brasileiras, localizadas em terrenos mais elevados, registram riscos menores.
Entre as alternativas em estudo está a recuperação da orla, como o projeto de engorda da Praia de Boa Viagem, que amplia a faixa de areia e reduz o impacto das ondas. Experiências semelhantes em cidades vizinhas mostraram resultados favoráveis.





