Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, tornou-se o município que mais cresceu proporcionalmente no Brasil desde 2010. Esse avanço está diretamente ligado à expansão da mineração, que transformou a dinâmica econômica e social da cidade.
Em 2010, o município tinha 26.716 habitantes; em 2022, o número chegou a 77.079, representando aumento de 188,5%. O crescimento também aparece no número de domicílios, que passou de 10.352 para 28.605 no mesmo período.
Grande parte da população atual veio de outras regiões. Apenas 12,61% dos moradores nasceram na cidade, enquanto mais da metade é oriunda de outros municípios do Pará e 36,6% veio de outros estados. O Maranhão lidera como principal origem de migrantes, seguido por Tocantins, Goiás e Minas Gerais.

Mineração e impacto econômico
A economia local se consolidou em torno de grandes projetos minerários, especialmente o S11D, da Vale, considerado o maior projeto de minério de ferro da empresa, com capacidade de 90 milhões de toneladas por ano. O município também produz cobre, utilizado nos setores de energia, eletrônica e construção.
Essa base econômica elevou significativamente a arrecadação municipal, que chegou a ser 34 vezes maior em 2020 em comparação a 2016, impulsionada pelos royalties da atividade mineral. O avanço econômico colocou Canaã entre os maiores PIBs do país em estimativas recentes do IBGE e ampliou o número de trabalhadores formais.
No entanto, o crescimento populacional acelerado trouxe desafios. A cidade apresenta desigualdade de renda e áreas urbanas que se expandem de forma desordenada. Embora tenha um dos salários médios formais mais altos do Pará, mais de 40% da população vive com renda de até meio salário mínimo.





