As mudanças climáticas e a possível volta do fenômeno El Niño podem transformar 2026 em um dos anos mais críticos já registrados para incêndios florestais no Brasil e no planeta. O alerta foi feito por cientistas internacionais, que apontam uma combinação perigosa entre o aquecimento global provocado pela ação humana e as condições climáticas extremas associadas ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico.
Pesquisadores afirmam que a temporada global de incêndios começou muito antes do habitual e já apresenta números históricos. Dados do Sistema Global de Informações sobre Incêndios mostram que cerca de 163 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo até o início de maio, volume muito superior à média registrada entre 2012 e 2025. Especialistas avaliam que o cenário pode piorar nos próximos meses graças ao El Niño.

O fenômeno climático é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e costuma provocar alterações severas no clima global. Dependendo da região, o El Niño pode aumentar secas, ondas de calor e incêndios florestais, além de intensificar tempestades e enchentes. Cientistas destacam que, em um planeta já aquecido pelas emissões de gases do efeito estufa, os impactos tendem a ser ainda mais extremos.
Fenômeno El Niño pode trazer graves consequências ao Brasil
A climatologista Friederike Otto, do Imperial College de Londres, afirmou que o fenômeno natural por si só não seria motivo de preocupação extrema, mas o problema está na combinação com as mudanças climáticas causadas pela atividade humana. Segundo ela, o mundo vive um cenário de aquecimento acelerado, o que aumenta significativamente o risco de eventos climáticos sem precedentes.
Especialistas também alertam que regiões como Amazônia, Canadá, Austrália, Estados Unidos e partes da Ásia podem enfrentar temporadas particularmente severas de incêndios e secas em 2026. A Organização Meteorológica Mundial deve divulgar ainda neste mês uma nova atualização sobre as perspectivas do El Niño, considerada fundamental para orientar governos e autoridades na preparação contra possíveis desastres.





