Pesquisadores da Universidade Mahidol, na Tailândia, descobriram um tipo sanguíneo extremamente raro chamado fenótipo B(A). A análise de 544 mil amostras de sangue ao longo de oito anos revelou que apenas três pessoas apresentavam essa variação.
O estudo, publicado na revista Transfusion and Apheresis Science, mostra que essa mutação é inédita e desafia a classificação tradicional do sistema ABO, que considera apenas os tipos A, B, AB e O.
O fenótipo B(A) é uma peculiaridade genética: o sangue é do tipo B, mas a enzima que adiciona antígenos às hemácias apresenta atividade semelhante à do tipo A, embora em níveis muito baixos. Nos três casos identificados, foram encontradas quatro mutações inéditas no gene ABO, nunca antes relatadas.
Essas alterações interferem no funcionamento da enzima e podem gerar resultados divergentes nos testes convencionais, tornando exames genéticos essenciais quando há incompatibilidade sanguínea.

Importância para a medicina e transfusões
A descoberta do fenótipo B(A) surgiu de uma pesquisa que investigava incompatibilidades entre testes diretos e reversos do sistema ABO, situações que podem colocar pacientes em risco durante transfusões.
Dos 544 mil exames, apenas 396 amostras mostraram discrepâncias, e apenas três casos confirmaram a presença da nova variação. Para os médicos, esse achado alerta para a possibilidade de falha nos métodos padrão de tipagem, reforçando a necessidade de exames complementares quando os resultados são inconclusivos.
Além de ampliar o conhecimento sobre o sistema ABO, a identificação do fenótipo B(A) reforça que a tipagem sanguínea humana é mais complexa do que as oito categorias tradicionais. Existem pelo menos outros 45 grupos sanguíneos reconhecidos, cada um com características genéticas próprias que podem interferir em transfusões e procedimentos médicos.





