Um projeto internacional de grande escala está avançando para replicar em terra a energia do Sol por meio da fusão nuclear. Chamado ITER, o sistema está sendo construído em Cadarache, no sul da França, com participação da União Europeia, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Índia. O objetivo é criar energia limpa e praticamente ilimitada, sem a produção de resíduos nucleares de longa duração e sem emissão de gases de efeito estufa.
O ITER está na fase mais complexa desde seu início, com o início do ensaio final do núcleo do reator. A câmara de plasma, conhecida como vacuum vessel, será capaz de alcançar 150 milhões de graus Celsius, temperaturas superiores a qualquer limite previamente controlado pela engenharia moderna.
A estrutura é composta por nove enormes seções de aço, com encaixe preciso, totalizando mais de 400 toneladas. Cada detalhe de montagem exige robôs especializados, medições a laser e monitoramento contínuo, garantindo que o plasma permaneça estável e confinado.

Como funcionará a fusão nuclear
O funcionamento do ITER baseia-se na fusão de átomos leves, principalmente hidrogênio, liberando enormes quantidades de energia. Para manter o plasma confinado, serão utilizados campos magnéticos extremamente potentes que impedem que ele entre em contato com as paredes da câmara.
Esse processo difere da fissão nuclear tradicional, sendo mais seguro e sustentável, sem depender de combustíveis fósseis ou recursos limitados. A engenharia do projeto envolve sistemas complexos para controlar temperaturas, campos magnéticos e possíveis instabilidades do plasma.
Os imãs supercondutores geram os campos necessários, enquanto sensores monitoram constantemente o comportamento do núcleo. Redes de segurança garantem desconexão imediata em caso de qualquer anomalia, mantendo a operação dentro dos parâmetros de estabilidade exigidos.





