Outrora denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul por crimes de apropriação indébita e lavagem de dinheiro, Jorge Ivo Amaral da Silva, ex-goleiro do Grêmio, foi condenado a quatro anos e oito meses de prisão no regime semiaberto. Além disso, a Justiça ordenou a devolução de R$ 5,1 milhões, podendo a defesa entrar com recurso mediante à decisão.
De acordo com os documentos anexados no processo, foi comprovado que o ex-presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais desviou dinheiro da entidade entre os anos de 2015 e 2020. A título de curiosidade, Ivo teria se apossado de mais de R$ 8 milhões, que deveriam ser repassados aos jogadores de futebol profissional pelo “direito de arena”.
O montante em questão é oriundo das emissoras televisivas, que se apropriam dos direitos de transmissão dos campeonatos. Sobretudo, a condenação do ex-Grêmio foi sustentada por mais de 500 transferências bancárias de até R$ 70 mil. O detalhe crucial do caso é que parte das cifras foi encaminhada para a empresa de Jorge Ivo. Por outro lado, R$ 2,3 milhões teriam sido transferidos para o Sindicato de Atletas Profissionais de Porto Alegre, também presidido por ele.
Potencializando o problema apresentado, a entidade em questão não possui quaisquer funcionários, estando impossibilitada de apresentar atividades econômicas. Contudo, mesmo com a inatividade evidenciada, o salário era debitado na conta de Jorge Ivo Amaral da Silva. Por ter devolvido R$ 3,2 milhões do total desviado, o acusado foi absolvido do crime de lavagem de dinheiro, mas o Sindicato dos Atletas espera um outro desfecho.
“Foi um ato lamentável e que se arrastou por muito tempo. Mas enfim a Justiça foi feita, ao menos parcialmente, ao obrigar o ressarcimento. Foi um prejuízo muito grande à categoria. Espero que seja banido de qualquer cargo ligado ao futebol”, avaliou presidente do Sindicato dos Atletas, Gabriel Schacht.
Carreira com para além do Grêmio
Natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Jorge Ivo Amaral da Silva iniciou sua trajetória no mundo da bola por meio das categorias de base do Grêmio, em 1978. Sem espaço no Imortal Tricolor, o guarda-redes foi emprestado à Chapecoense, Inter SM, Nacional-AM e São José-RS. Diante do cenário escasso no desporto, decidiu se aposentar em 1988, quando encerrou sua passagem pelo Igrejinha.





