A Petrobras anunciou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. A decisão, aprovada pelo Conselho de Administração, representa um movimento estratégico para ampliar a atuação da companhia no setor de fertilizantes, considerado fundamental para a competitividade do agronegócio brasileiro e para a segurança alimentar do país.
O investimento estimado para concluir a unidade é de aproximadamente 1 bilhão de dólares (cerca de R$ 5 bilhões na cotação atual), com previsão de início das operações comerciais em 2029. A retomada das obras deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano, após a assinatura dos contratos necessários, reativando um projeto que estava paralisado desde 2015 e que agora volta ao centro do planejamento da empresa.

Durante a fase de construção, a UFN-III deve gerar cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos, contribuindo significativamente para a economia local e regional. A retomada do projeto ganhou força a partir de 2023, quando a Petrobras decidiu reinvestir no segmento de fertilizantes, em busca de reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer cadeias produtivas essenciais.
Petrobras retoma projeto de construção de fábrica no MS
Atualmente, o Brasil depende da importação de cerca de 90% dos fertilizantes que utiliza, cenário que expõe o país a oscilações internacionais de preços e oferta. A localização da unidade em Três Lagoas é considerada estratégica por estar próxima dos principais polos agrícolas das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, facilitando a logística e reduzindo custos de distribuição.
Com capacidade estimada de produção de 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, a fábrica terá papel relevante no abastecimento interno. Parte da produção de amônia também será destinada ao mercado. Diante de uma demanda crescente, que, segundo o Rabobank, deve alcançar cerca de 47,2 milhões de toneladas em 2026, o projeto reforça a tentativa do Brasil de diminuir a dependência externa e garantir maior estabilidade no fornecimento de insumos agrícolas.





