Nesta quinta-feira (23), o Grupo Estado surpreendeu seus ouvintes ao anunciar o encerramento de uma das rádios mais prestigiadas do século passado. Com 68 anos de atuação, a Rádio Eldorado colocará um ponto final na frequência FM no dia 15 de maio. A decisão foi questionada pelo público, mas a empresa explicou a motivação por detrás.
Voltada à curadoria musical e ao jornalismo cultural, com participação de nomes como Jô Soares, Fernanda Young e Rita Lobo, a Rádio Eldorado não mais estará em evidência devido ao fim da parceria com a Fundação Brasil 2000. Essa companhia é responsável pela frequência 107,3 FM. Por consequência da situação, o Grupo Estado priorizou mudanças estruturais no consumo de áudio.

Em comunicado lançado, a empresa destacou que “o crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionais”. Por outro lado, o caminho a ser trilhado envolve apropriar-se de novas tendências, visando seguir atraindo novos ouvintes.
Diante do encerramento das atividades, o Estadão reconhece a importância de montar um plano para não comprometer a vida financeira de seus colaboradores. Dessa forma, os empresários estão estudando uma forma de reaproveitar parte da equipe em outras áreas do grupo. A título de curiosidade, a emissora reúne cerca de 60 profissionais entre funcionários, técnicos e colaboradores.
Confira o comunicado na íntegra:
“A Rádio Eldorado ocupa, há décadas, um lugar singular na vida cultural de São Paulo. Referência em curadoria musical, jornalismo e programação de qualidade, tornou-se um patrimônio afetivo e intelectual de gerações de ouvintes, contribuindo de forma decisiva para a formação de repertório, a difusão de artistas e o fortalecimento da cena cultural da cidade.
Nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, entretanto, observamos mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio. O crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionais.
Atento a essas tendências, o Estadão vem revendo sua estratégia no segmento de áudio. Em função do término da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM, a operação de radiodifusão da Eldorado será encerrada no próximo dia 15 de maio. Essa decisão se insere em um movimento mais amplo de reposicionamento estratégico do Estadão, que vem ampliando de forma consistente sua presença digital.
Nos últimos dois anos, a companhia intensificou sua produção audiovisual, por exemplo, com a contratação de 14 colunistas com atuação multiplataforma, responsáveis por conteúdos em texto e vídeo. Esse esforço permitiu expandir de maneira significativa a presença do Estadão em suas plataformas próprias — site e aplicativo —, bem como em redes sociais e canais de vídeo.
A aquisição da NZN, em outubro de 2025, reforçou essa trajetória. Os ativos digitais do TecMundo ampliaram a capacidade de distribuição e produção audiovisual, enquanto a sede da empresa foi convertida em um hub de criação na região de Higienópolis — a “Blue House” — dedicado ao desenvolvimento de novos formatos e linguagens.
O encerramento da operação de radiodifusão da Eldorado não representa o fim de sua marca. A Eldorado seguirá presente em projetos especiais e eventos, preservando seu papel como referência cultural. Alguns de seus principais programas, incluindo iniciativas como Som a Pino e Clube do Livro, serão redesenhados e adaptados para novos formatos, com ênfase em vídeo e distribuição digital.
Esta transição permitirá ao Estadão oferecer aos seus parceiros comerciais formatos mais segmentados, mensuráveis e aderentes aos novos hábitos de consumo de conteúdo. O Estadão expressa seu profundo reconhecimento a todos os profissionais que construíram a história da Rádio Eldorado, bem como aos ouvintes que, ao longo dos anos, fizeram dela um espaço de encontro, descoberta e valorização da música de qualidade”.





