Desde que as casas de apostas foram legalizadas no Brasil, em dezembro de 2018, o número de casos de dependência escalou, ligando o sinal de alerta das autoridades. Reconhecendo o dano causado em grande parcela da sociedade, o Governo Federal, no uso de suas forças, autorizou o Sistema Brasileiro de Saúde (SUS) a ofertar teleatendimento em saúde mental para as vítimas.
Segundo as projeções, a expectativa inicial é de atender 600 pacientes com problemas em apostas por mês. Esse número tende a aumentar com o tempo, já que a parceria entre o governo e o Hospital Sírio-Libanês está comprometida em enfrentar o problema de saúde pública. Aos interessados em conversar com profissionais sobre o vício, a ação será possível por meio do aplicativo Meu SUS Digital.

“Estamos introduzindo o teleatendimento, porque percebemos que, dificilmente, a pessoa com problemas relacionados a jogos de apostas procura um serviço de saúde presencialmente. Muitas vezes, há dificuldade de admitir o problema, vergonha e ainda muita estigmatização. Por isso, estamos criando instrumentos para que famílias e amigos possam apoiar quem enfrenta essa situação, permitindo contato direto com o Ministério da Saúde sem a necessidade de ir até uma unidade”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O protocolo faz parte de uma estratégia nacional que inclui a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, lançada pelo Ministério da Fazenda, para excluir e bloquear o acesso a todos os sites de apostas autorizados, além do Observatório Saúde Brasil de Apostas, um canal permanente de troca de dados entre Saúde e Fazenda para ações integradas que apoiem os usuários a buscarem os serviços do SUS.
Investimento do Governo Federal
Para reduzir os casos de dependência em apostas, o Ministério da Saúde confirmou o investimento de R$ 2,5 milhões, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Na prática, o teleatendimento será destinado a pessoas com 18 anos ou mais, além de familiares e rede de apoio.
Diante da dificuldade em reconhecer o vício ou por receio de retaliações, a procura espontânea por atendimento in loco ainda é baixa. Na temporada passada, o Sistema Único de Saúde ofertou 6.157 serviços presenciais relacionados a jogos e apostas. Por sua vez, a tendência é que o protocolo virtual aumente a busca por aconselhamento.
Confira o passo a passo de como procurar ajuda:
De forma prática e objetiva, o contato é feito pelo Meu SUS Digital. Para utilizar o serviço do governo, é necessário baixar o aplicativo, que está disponível de forma gratuita nas lojas Android, IOS ou na versão web, fazer login com a conta gov.br e, na página inicial, clicar em “Miniapps”. Posteriormente, é preciso selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”.
Nesse momento, o indivíduo terá acesso a um autoteste baseado em evidências científicas e validado no Brasil por especialistas, com perguntas que auxiliam a identificar sinais de risco e orientar o próximo passo. Caso o resultado indique risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é automático.
Em contrapartida, se a pessoa for enquadrada em um grupo de menor risco, o aplicativo orienta a procurar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui desde Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) a Unidades Básicas de Saúde (UBS). No mais, o aplicativo conta com conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e impacto da prática na saúde mental.





