A possível compra da Warner por um grande grupo de streaming reacendeu alertas em setores que vão além do audiovisual. O investimento estimado em cerca de R$ 377 bilhões, caso a Netflix vença a disputa, pode aprofundar mudanças no consumo de entretenimento e atingir diretamente os cinemas instalados em shopping centers brasileiros.
A negociação envolve os estúdios de produção, a HBO e o HBO Max, deixando de fora os canais de TV paga. Paralelamente, a Paramount também entrou na disputa com uma proposta para adquirir a Warner integralmente.
Representantes das redes de cinema no Brasil reagiram de forma crítica à possível venda. Para entidades do setor, o controle da cadeia de produção e distribuição por empresas de streaming pode alterar o ritmo de lançamentos e reduzir o tempo de permanência dos filmes nas telonas.

Impacto direto nos cinemas e reflexos nos shoppings
Os exibidores temem uma queda adicional de bilheteria, impulsionada pelo direcionamento de recursos para séries e produções pensadas prioritariamente para plataformas digitais. Hoje, cerca de 60% do público brasileiro já prefere aguardar os lançamentos no streaming, segundo dados das associações do setor.
Em 2023, sucessos como Barbie, da própria Warner, demonstraram como grandes lançamentos ainda conseguem impulsionar visitas e consumo nos centros comerciais. No entanto, esse efeito depende de uma oferta consistente de filmes de grande apelo.
Dados recentes mostram que a visitação aos shoppings ainda está 22% abaixo do nível pré-pandemia, enquanto a bilheteria dos cinemas registra queda de 37% na mesma comparação. Para especialistas, há correlação entre esses números, já que a menor frequência aos cinemas reduz a circulação geral de consumidores.





