A dádiva de carregar um filho no ventre pode ser o desejo da grande maioria das mulheres, mas a façanha pode vir acompanhada de alguns empecilhos. Entre os problemas evidenciados estão os enjoos, que podem durar semanas ou até mesmo meses. No entanto, um estudo publicado na revista Nature Genetics revelou as motivações por detrás do mal-estar nas grávidas.
Um grupo de pesquisadores analisou dados de 10.974 mulheres com Hiperêmese Gravídica (HG) e 461.461 pessoas no grupo de controle. Para não limitar as avaliações, foram vistas participantes de ascendência europeia, asiática, africana e latina. No geral, o principal protagonista identificado pelo estudo foi o gene GDF15, responsável pela produção de um hormônio que aumenta drasticamente durante a gravidez.

Conforme os autores do estudo, a gravidade dos enjoos está ligada à sensibilidade individual ao GDF15, determinada geneticamente. Em outras palavras, mulheres com mutações que levam a níveis mais baixos do hormônio antes da gravidez tendem a apresentar uma resposta exagerada quando ele se eleva durante a gestação.
Em contrapartida, as avaliações mostraram que aquelas mulheres que previamente foram expostas a níveis mais altos parecem desenvolver uma espécie de tolerância fisiológica. “Como este é o maior estudo sobre HG já realizado, conseguimos desvendar novos detalhes importantes que eram desconhecidos anteriormente”, afirma Marlena Fejzo, líder da pesquisa, em comunicado à imprensa.
Outros resultados da pesquisa
Embora o GDF15 tenha assumido o controle das avaliações, os pesquisadores identificaram outros nove genes associados à hiperêmese gravídica. Curiosamente, seis deles foram descritos pela primeira vez no contexto em questão. Foram eles: FSHB, TCF7L2, SLITRK1, SYN3, IGSF11 e CDH9.
A título de compreensão, os quatro já conhecidos (GDF15, GFRAL (receptor do hormônio), IGFBP7 e PGR) estão ligados principalmente ao desenvolvimento placentário e à sinalização hormonal. Por sua vez, os novos genes aumentam significativamente o escopo biológico da condição, conectando a HG a diferentes sistemas.
Grávidas podem sentir enjoo por conta do cérebro
Diante de todo o protocolo minucioso, um dos resultados mais interessantes gerou debate entre os pesquisadores. Existe a hipótese de que a hiperêmese gravídica não é apenas uma resposta hormonal direta, mas também contempla processos de aprendizado cerebral. A capacidade de adaptação do cérebro pode induzir o sistema nervoso a associar determinados alimentos, cheiros ou contextos à sensação de náusea.
Essa tese explicaria o motivo de algumas grávidas desenvolverem aversões intensas e persistentes, que vão além de respostas fisiológicas imediatas. Diante dessa interação entre hormônios e sistema nervoso central, é possível que o enjoo gestacional seja evidenciado, envolvendo eixo intestino-cérebro, sinalização metabólica e adaptação comportamental.





