A presença de dinossauros no território brasileiro sempre foi documentada em várias regiões, mas a Amazônia permanecia com poucas evidências confiáveis. Por anos, pesquisadores buscaram sinais que confirmassem a circulação desses animais no extremo norte do país.
Esse cenário mudou após um anúncio feito por cientistas da Universidade Federal de Roraima, que identificaram as primeiras provas concretas de dinossauros vivendo em plena Amazônia. As descobertas incluem mais de dez pegadas preservadas, datadas do período Jurássico-Cretáceo.
Elas foram encontradas na Bacia do Tacutu, em Bonfim, região próxima à fronteira com a Guiana. As marcas revelam detalhes relevantes sobre o ambiente e o comportamento dos animais que passaram pelo local. Embora ainda não seja possível determinar exatamente quais espécies deixaram os vestígios, os pesquisadores já associam as pegadas a diferentes grupos de dinossauros.

Evidências revelam novos caminhos para a pesquisa paleontológica
Entre os grupos identificados, estão os raptores, conhecidos por locomação bípede, e os ornitópodes, herbívoros que também se deslocavam sobre duas patas. Há ainda registros atribuídos aos xireóforos, grupo que apresenta variedade de hábitos alimentares e comportamentais.
A Amazônia sempre apresentou desafios naturais para esse tipo de estudo. O desgaste constante das rochas, devido à exposição ao clima úmido e às variações ambientais, reduz a chance de preservação de estruturas tão antigas.
Por isso, cada achado na região representa uma oportunidade rara para ampliar o conhecimento científico. As pegadas foram inicialmente identificadas em 2014, durante uma atividade de campo da UFRR.
Porém, na época, a falta de especialistas e equipamentos impediu o avanço das análises. O estudo só foi retomado anos depois, quando novas técnicas, como a fotogrametria, permitiram criar modelos tridimensionais das marcas. Esse recurso possibilitou observar detalhes antes imperceptíveis e comparar os vestígios com registros já catalogados em outras localidades.





