Nativo da Amazônia, o cacau tem marcado presença na mesa de vários brasileiros, já que sua predominância nos supermercados está direcionada à comercialização do chocolate. Além de o fruto ajudar a preservar a floresta de pé, contribui para a renda dos familiares que cultivam a semente, bem como serve para recuperar áreas degradadas pela ação humana.
Enquanto a maior floresta tropical do mundo é invadida pelo garimpo ilegal, cacaueiros crescem com chance de serem exterminados. Presente na Amazônia há pelo menos sete mil anos, a árvore, da espécie Theobroma cacao, pode chegar a 20 metros de altura. Embora muitas pessoas tenham propagado a crença de que o fruto possuía origem na América Central, especialistas derrubaram a tese.

De acordo com um estudo encabeçado por pesquisadores do Equador e da França, foram revelados vestígios arqueológicos de cultivo e manejo da planta na província de Zamora Chinchipe, na porção equatoriana do território amazônico. Sobretudo, a empreitada confirmou que a domesticação do cacau e seu consumo já aconteciam no país sul-americano há pelo menos 1.500 anos antes do previsto.
Nesse ínterim, com a comercialização do produto, foi disseminado pela floresta peruana até a parte alta do rio Amazonas e, mais tarde, chegou a países como México, Honduras, Guatemala e Nicarágua e, depois, América do Norte. Contudo, os especialistas não souberam cravar o momento exato em que o cacau chegou ao território brasileiro, estimando o período no final do século XVII.
Popularidade da Amazônia se estende ao Brasil
Para uma melhor compreensão, o auge da safra de cacau aconteceu na primeira metade do séc. XX, rendendo muito dinheiro a grandes produtores da região de Ilhéus, na Bahia, e levou o Brasil ao segundo lugar no ranking dos maiores produtores do mundo. A título de conhecimento, estima-se que a exportação de amêndoas de cacau chegava a 370 mil toneladas/ano, equivalente a 25% de toda produção do planeta.
“Comparado com outros países produtores, o Brasil tem a cadeia toda estabelecida aqui, desde a produção ao consumo. É o quinto maior consumidor do mundo e a gente tem uma capacidade ociosa da indústria. Então, se a gente produzir cacau, a indústria absorve. Não tem problema de oferta, ao contrário, hoje falta cacau. A indústria importa cacau da África para suprir essa necessidade. Acho que, no curto/médio prazo, a gente vai ficar autossuficiente”, explica o coordenador da Cocoa Action Brasil, Guilherme Salata.
O detalhe curioso é que o Pará tornou-se o maior produtor de cacau do Brasil, colocando o país na sétima posição no mundo. Para a tristeza da economia nacional, no passado, o país chegou a ser o segundo maior produtor do planeta, correspondendo a uma fatia de 25%, muito graças ao cacau da Bahia. Confira quais são os lugares que mais produzem o fruto:
- Bahia: 139 mil toneladas;
- Pará: 138,47 mil toneladas;
- Espírito Santo: 12 mil toneladas;
- Rondônia: 5 mil toneladas;
- Amazonas: 597 toneladas;
- Mato Grosso: 521 toneladas;
- Roraima: 170 toneladas;
- Minas Gerais: 129 toneladas.





