A exclusão do modelo 6×1 para a adoção da escala 5×2 já é uma realidade em São Carlos e Araraquara, ambas cidades de São Paulo. Embora grande parte dos empresários tenha relutado sobre a implantação da medida, os funcionários têm comemorado a mudança de curso. Isso porque, além do tempo livre, os trabalhadores não terão reduções na folha salarial.
Na prática, a jornada de trabalho 5×2 corresponde ao modelo em que o colaborador realiza as suas funções durante cinco dias consecutivos e recebe folga em outros dois. Para que possa se tornar uma obrigatoriedade em todo o território brasileiro, o projeto de lei precisa ser votado no Senado e na Câmara dos Deputados, para somente assim ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Por outro lado, as duas cidades paulistas decidiram testar o modelo antes mesmo de o projeto virar lei. Como resultado do acréscimo de um dia de folga, os trabalhadores têm demonstrado maior satisfação e rendimento dentro de suas operações. Isso porque, com a diminuição da jornada de trabalho, o descanso é revertido em produtividade e cuidado com o bem-estar.
Para se ter uma dimensão da melhoria na rotina do funcionário, a cozinheira Alice Tito passa boa parte do tempo na cafeteria onde trabalha em São Carlos. Embora sua função primordial seja o preparo dos pratos, também atua no atendimento quando necessário. Anteriormente, a folga da moça era de apenas um dia, mas a mudança de trajeto possibilitou colocar em prática planejamentos antigos.
“Eu estudava antes e estava bem complicado conciliar os estudos durante a manhã e já vir para o café à tarde. Agora eu pretendo, finalmente, tirar a minha CNH e fazer um curso voltado para gastronomia com esse tempo”, contou a profissional, que com a aplicação da escala 5×2 passou a ter descanso em todas as segundas e terças-feiras.
Impacto também foi sentido pela proprietária
Ainda que muitos empresários tenham discordado sobre a mudança no cronograma de trabalho dos funcionários, a proprietária do café, Marina Raimundo Pires, analisou o impacto com outros olhos. Segundo a visionária, os dias trabalhados aumentaram, já que os funcionários passaram a revezar. Enquanto um folga, o outro trabalha.
“A gente tem que dar essa folga mesmo, tem que deixar as pessoas fazerem outras coisas, cuidarem de outras esferas da vida delas, para que elas possam fazer um trabalho melhor e se motivarem também a continuar”, afirmou a proprietária, que decidiu mudar o horário de atendimento ao público. Durante a semana, a cafeteria vai funcionar somente à tarde, e aos domingos com horário reduzido.





