Mundo

GUERRA DO PETRÓLEO

Com gasolina em alta e mísseis em baixa, Trump exige rendição do Irã

Valor médio do litro chegou a US$ 0,88 (R$ 4,61), 11% mais do que quando a guerra começou, na semana passada

Continue lendo...

Donald Trump exigiu nesta sexta-feira, 6, a rendição incondicional do Irã e a escolha de um líder aceitável para suceder ao aiatolá Ali Khamenei. As declarações foram dadas em um momento de pressão sobre o presidente americano, mais suscetível ao preço da gasolina nos EUA, que não para de subir, e aos estoques de mísseis interceptadores, cada vez mais baixos.

"Não haverá acordo com o Irã, exceto a rendição incondicional! Depois disso, e da escolha de um líder aceitável, nós e nossos aliados trabalharemos para trazer o Irã de volta da beira da destruição, tornando-o maior, melhor e mais forte do que nunca. O Irã tem um grande futuro. Façam o Irã grande de novo", escreveu Trump em sua rede social.

A postagem ocorreu após o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, dizer que alguns países iniciaram esforços de mediação para encerrar a guerra. Na quinta-feira, 5, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, em entrevista ao programa NBC Nightly News, rejeitou qualquer diálogo e disse que espera a invasão por terra dos americanos.

"Não temos uma boa experiência em negociar com os EUA, especialmente com este governo. Negociamos duas vezes, no ano passado e neste ano, e no meio do caminho eles nos atacaram", disse.

O maior obstáculo para um acordo no momento, além da falta de confiança dos iranianos, é encontrar um interlocutor no regime, que ainda não escolheu o substituto de Khamenei - embora seu filho Mujtaba seja o favorito. Trump já afirmou que a escolha é "inaceitável" e exigiu ter poder de veto sobre o nome que sair do Conselho de Especialistas, órgão de mais de 80 aiatolás.

Pressa

Tempo, porém, é coisa que Trump não tem - apesar de ele dizer que os EUA têm recursos "ilimitados" e pode travar uma guerra "para sempre". Os preços da gasolina subiram novamente ontem: o valor médio do litro chegou a US$ 0,88 (R$ 4,61), nível mais alto desde setembro de 2024, 34 centavos de dólar mais caro (ou 11% a mais) do que quando a guerra começou, na semana passada.

O preço dos combustíveis tem impacto na economia americana, afetando o custo do transporte de mercadorias, pressionando a inflação e mexendo com o humor dos americanos em um ano eleitoral - a eleição legislativa de novembro renovará a Câmara dos Deputados e um terço do Senado.

Além da pressão interna, o governo americano precisa se preocupar com outro problema diretamente ligado à capacidade de defesa das bases dos EUA no Oriente Médio e de seus aliados do Golfo Pérsico: os estoques cada vez mais baixos de mísseis interceptadores Patriot, que vêm sendo usados contra os drones Shahed do Irã.

O governo dos Emirados Árabes, por exemplo, disse ter interceptado 1.001 dos 1.072 drones iranianos lançados desde o início da guerra. A esse ritmo, o estoque do país duraria aproximadamente uma semana. No caso do Catar, a situação é mais grave e o arsenal estaria no fim em questão de dias.

Produção

Um sinal da pressa da Casa Branca foi a reunião de ontem de membros do governo com executivos das maiores empresas de defesa dos EUA para acelerar a reposição do estoque. Lockheed Martin, Raytheon, Boeing, Northrop, além de outros fornecedores, prometeram "quadruplicar" a produção, segundo Trump.

Outro problema mais difícil de resolver é a disparidade de custo. Um Patriot custa US$ 4 milhões. Ele vem sendo usado para interceptar drones iranianos de US$ 20 mil. Por isso, além de acelerar a produção, os EUA e seus aliados estão pedindo ajuda de um país improvável: a Ucrânia.

Ninguém no mundo tem tanta experiência como os ucranianos em se defender contra os drones do Irã, que vêm sendo usados pela Rússia. O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, disse ter recebido um pedido formal de ajuda dos EUA. Seu governo já está em negociações com países do Golfo para exportar interceptores que custam uma fração do sofisticado equipamento americano.

Zelenski afirmou que mais de 800 Patriots foram lançados no Oriente Médio desde o início da guerra contra drones e mísseis do Irã. "A Ucrânia nunca teve tantos mísseis interceptadores assim para repelir ataques da Rússia nos últimos quatro anos somados", disse.

cessar-fogo

Chegada imprecisa dos EUA e do Irã ao Paquistão cria ambiente difícil

Principais negociadores, o vice-presidente dos EUA e o presidente do parlamento iraniano chegarão a capital paquistanesa Islamabad apenas na manhã da quarta-feira (22)

21/04/2026 14h00

Trump afirmou nesta terça-feira que forças armadas do país estão prontas para entrar no país persa, enquanto citou que o Irã não tem opção a não ser enviar uma missão para as conversas.

Trump afirmou nesta terça-feira que forças armadas do país estão prontas para entrar no país persa, enquanto citou que o Irã não tem opção a não ser enviar uma missão para as conversas. Divulgação

Continue Lendo...

Informações que divergem sobre a chegada de negociadores dos EUA e do Irã têm criado um ambiente de incerteza sobre o futuro das negociações sobre a guerra no Oriente Médio, na véspera do fim do cessar-fogo de duas semanas acordado anteriormente entre os dois países.

De acordo com a Associated Press, nem os EUA nem o Irã confirmaram publicamente a data das negociações, e a televisão estatal iraniana negou que qualquer funcionário já estivesse na capital paquistanesa.

Ainda, fontes da AP revelaram que mediadores liderados pelo Paquistão receberam a confirmação de que os principais negociadores, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, chegarão a capital paquistanesa Islamabad apenas na manhã da quarta-feira, 22.

Por outro lado, nas redes sociais, traders repercutem a notícia da Al Hadath de que Vance deverá chegar a Islamabad nas próximas horas. Anteriormente, Trump havia dito que a delegação americana viajaria nesta terça-feira ao local de negociações.

Segundo o Tehran Times no X, até o momento, o Irã não enviou nenhuma delegação, de qualquer nível, à capital paquistanesa para o diálogo com Washington.

Em meio às expectativas sobre o potencial encontro, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que as forças armadas do país estão prontas para entrar no país persa, enquanto citou que o Irã não tem opção a não ser enviar uma missão para as conversas.

Na mesma linha, o repórter da Axios Barak Ravid revelou em publicação no X que o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, o General Dan Caine, disse que Washington está pronto para retomar grandes operações de combate contra o Irã a qualquer momento.

 

Assine o Correio do Estado

IMBRÓGLIO

Líder do parlamento do Irã diz que bloqueio naval dos EUA é medida 'desajeitada e ignorante'

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que a medida dos EUA seja suspensa

18/04/2026 23h00

Petróleo é um peça-chave nas negociações diplomáticas entre EUA e Irã

Petróleo é um peça-chave nas negociações diplomáticas entre EUA e Irã Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, classificou neste sábado, 18, o bloqueio naval de embarcações e portos iranianos pelos Estados Unidos como uma decisão "desajeitada e ignorante". A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que a medida dos EUA seja suspensa.

"O que significa o cerco? Isso significa que todos podem transitar, exceto o Irã. Que decisão desajeitada e ignorante!", declarou Ghalibaf, em entrevista ao canal iraniano Press TV. "Então, se existe o estreito, e se nós e todos que querem transitar estão lá, todos podem transitar, exceto nós? Isso é possível? Isso é um erro sobre outro erro", criticou.

Dirigindo-se ao povo iraniano, o líder do parlamento disse que a rota de navegação está sob controle do país persa. Falando sobre as negociações ocorridas em Islamabad, no Paquistão, entre uma delegação iraniana e outra dos EUA, que terminaram sem sucesso, Ghalibaf disse que os negociadores americanos queriam enviar varredores de minas ao estreito, ao que ele se opôs.

"Nos opusemos firmemente a isso. Consideramos que isso seria uma violação do cessar-fogo e que se eles tomassem essa ação, nós iríamos atacar. Estávamos a um passo do confronto. Eles recuaram", relatou o parlamentar.

Enquanto estava no Paquistão, continuou, um colega do governo iraniano entrou em contato com ele para contar que um varredor de mina dos EUA havia chegado e estava posicionado em um local no qual, se tivesse avançado mais um pouco, teria sido atingido por míssil iraniano.

"Eu disse isso à delegação americana. Falei 'ele está aqui, e se ele for além desse limite, vamos atingi-lo'. Eles nos pediram 15 minutos e ordenaram o retorno do artefato", contou."Então, se há tráfego no estreito hoje e ele está avançando, o controle do estreito está em nossas mãos", reforçou Ghalibaf.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).