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Entenda o que é o Grupo Wagner, de mercenários que atuam na Guerra da Ucrânia

Fundador do grupo de mercenários, antigo aliado de Putin, afirmou que justificativas para invadir a Ucrânia são falsas

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O Grupo Wagner voltou ao centro do debate sobre a Guerra da Ucrânia nesta sexta-feira (23) após seu fundador, Ievguêni Prigojin, dizer que as justificativas dadas pela Rússia para invadir o país vizinho há mais de um ano são falsas.

A alegação é mais um episódio público de conflito entre Ievguêni Prigojin, um aliado de longa data do presidente Vladimir Putin, e o alto escalão do Exército russo, mas o caso cresceu após o russo prometer se vingar de recentes ações encabeçadas por Moscou.

Em comunicado, o Ministério da Defesa da Rússia disse que todas as afirmações não condiziam com a realidade e eram meras "provocações informativas". Horas depois, foi anunciada uma investigação contra Prigojin por convocar uma rebelião armada.

A empresa militar atua na Guerra da Ucrânia e em nações da África e reflete a privatização do uso da força em conflitos, segundo especialistas, já que não é um caso isolado -diversas companhias no mundo angariam ex-militares para prestar serviços de segurança, como proteger instalações minerais ou de petróleo, ou dar apoio operacional em conflitos armados.

QUAL O HISTÓRICO DA RÚSSIA COM ESSES GRUPOS?

Empresas militares privadas começaram a florescer na Rússia no final dos anos 1980, em meio ao colapso da União Soviética.

Com o fim da Guerra Fria e a crise financeira, o governo reduziu as forças militares ativas, tornando milhares de veteranos com ampla experiência em força de trabalho disponível para contratação.

Também fazem parte do Wagner milhares de detentos recrutados em prisões para atuarem na guerra -servindo de bucha de canhão, como se viu nos meses da batalha mais longa e sangrenta da guerra, pelo controle de Bakhmut, em Donetsk, no leste ucraniano. Esses homens, porém, não são motivados apenas pela oportunidade de trabalho, segundo especialistas, mas também pelo nacionalismo russo, que passa por um renascimento nos últimos anos.

Análises de institutos independentes, como o londrino Tech Against Terrorism, sugerem que membros do Wagner estão diretamente conectados com organizações de extrema direita -elemento que, de certo modo, lhe confere algo em comum com o Batalhão Azov, milícia ucraniana formada como resposta ao movimento separatista russo no Donbass e que foi, em parte, incorporada pelas Forças Armadas.

É documentado que o Wagner atuou na Síria, onde o governo de Vladimir Putin apoia a ditadura de Bashar al-Assad, e na Líbia, alinhado ao líder rebelde Khalifa Haftar. Também em países africanos, como Mali, Moçambique e República Centro-Africana. Neste último, relatório da ONU do ano passado relatou que grupos armados russos ajudaram o governo em casos de uso excessivo da força, assassinatos de civis, ocupação de escolas e saques em grande escala.

QUAL A ATUAÇÃO PRÉVIA DO GRUPO WAGNER NA UCRÂNIA?

O grupo atua na Ucrânia desde 2014 no Donbass, onde estão as duas autoproclamadas repúblicas separatistas pró-Rússia de Donetsk e Lugansk. O caso localmente conhecido como Wagnergate, de julho de 2020, simboliza bem o peso que a atuação do grupo teve na porção leste do país.

Naquela época, após meses de investigação, serviços de inteligência ucranianos colocam em prática um plano que tinha como objetivo cooptar ex-soldados do Wagner e conseguir que eles entrassem novamente no território do país para que fossem presos com base na legislação nacional pelos atos ali cometidos. Mas a ação deu errado, como mostrou extensa investigação do site jornalístico Bellingcat.

Fazendo-se passar por mercenários russos, homens da inteligência cooptaram ao menos 33 ex-agentes do Wagner que viviam na Rússia, convidando-os para um serviço de proteção de instalações de petróleo na Venezuela. Eles teriam de ir para a Belarus e, dali, pegar um voo para Caracas. A ideia era que esse voo, que por meia hora sobrevoaria o território da Ucrânia, tivesse de fazer um pouso de emergência nos arredores de Kiev -quando, então, os mercenários seriam presos.

Mas problemas de logística fizeram com que os homens ficassem mais tempo na Belarus. O país do ditador Aleksandr Lukachenko estava em meio a eleições presidenciais e grandes protestos de rua.

Os ex-agentes do Wagner foram presos pela polícia belarrussa, e Lukachenko, mesmo sendo um dos principais aliados de Moscou, chegou a dizer que os homens foram enviados por Putin para desestabilizar o país.

Depois de longas tratativas diplomáticas, nas quais o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, pediu a extradição dos homens para que eles fossem julgados e Putin fez movimento similar, Lukachenko decidiu enviá-los novamente para a Rússia.

O QUE PREVÊ O DIREITO INTERNACIONAL?

Em teoria, a atuação de empresas militares privadas e de mercenários é coibida ou vista com extrema cautela pelo direito humanitário internacional, mas essa avaliação esbarra em um emaranhado de normas que variam significativamente de país para país.

A Convenção Mercenária das Nações Unidas, de 2001, ratificada por pouco mais de 40 nações, impede o recrutamento, treinamento, uso e financiamento de mercenários, mas não chega a detalhar a proibição do uso de empresas militares privadas por Estados soberanos.

Já o Documento de Montreux, criado em 2008 por iniciativa da Suíça e da Cruz Vermelha, reafirma a obrigação dos Estados de assegurarem que companhias militares privadas operantes em conflitos armados cumpram as regras do direito internacional, bem como assegurem que as empresas poderão ser processadas quando -e se- ocorrerem violações, como crimes de guerra.

O documento foi ratificado por 58 países e três organizações, como a União Europeia e a Otan, a aliança militar ocidental -a Ucrânia também assinou os compromissos. A Rússia, no entanto, não é signatária de nenhum tratado internacional que coíba a privatização do uso da força em guerras.

 

ESPERANÇA

Nepal: trabalhador chinês e uma mulher são resgatados 10 dias após enchentes

O homem foi resgatado de um túnel de uma hidrelétrica, elevando para três o número de trabalhadores retirados com vida do mesmo local

05/09/2026 07h26

No dia anterior os socorristas já haviam conseguido resgatar com vida dois trabalhadores de um tunel de uma usina hidrelétrica no Nepal

No dia anterior os socorristas já haviam conseguido resgatar com vida dois trabalhadores de um tunel de uma usina hidrelétrica no Nepal

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Dez dias após enchentes devastarem o país, equipes de resgate no Nepal resgataram com vida um cidadão chinês e uma mulher, informaram autoridades neste sábado, 5.

Segundo uma publicação nas redes sociais do gabinete do primeiro-ministro do País, o homem foi resgatado de um túnel de uma usina hidrelétrica, elevando para três o número de trabalhadores retirados com vida do projeto hidrelétrico de Trishuli. Dois trabalhadores nepaleses foram resgatados da usina na sexta-feira, 4.

O Exército do Nepal informou que uma equipe conjunta de resgate, formada por militares nepaleses e especialistas sul-coreanos em desastres, retirou o homem de um túnel de 225 metros. Imagens mostraram que o trabalhador foi resgatado de helicóptero, enquanto um médico do Exército verificava seu estado de saúde durante o voo.

Cerca de 900 trabalhadores estão desaparecidos em 12 projetos hidrelétricos em todo o Nepal, e acredita-se que aproximadamente 500 estejam presos em diferentes túneis, segundo as autoridades

Outro resgate foi feito na cidade de Nuwakot, onde uma mulher foi resgatada com vida de uma casa, informou neste sábado o porta-voz do Exército do Nepal. Conforme as autoridades, a mulher foi transportada de helicóptero para Katmandu.

Imagens divulgadas pelo Exército do Nepal mostram os socorristas encontrando a mulher coberta de lama. Eles lhe deram água engarrafada antes de retirá-la em segurança, enrolada em um cobertor.

Pelo menos 1.300 pessoas morreram nas enchentes de 26 de agosto, que provavelmente foram causadas pelo colapso de uma geleira, e mais de cinco mil continuam desaparecidas, de acordo com a agência de gestão de desastres do Nepal./AP

império

EUA afirmam que agora "ninguém rouba petróleo venezuelano"

Conforme as autoridades dos EUA, a China roubava o petróleo da Venezuela ao comprá-lo a baixo custo

03/09/2026 07h11

Declarações do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, foram dadas após anúncio de que os EUA se apropriaram de 20% das reservas

Declarações do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, foram dadas após anúncio de que os EUA se apropriaram de 20% das reservas

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O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que "pela primeira vez em duas décadas, ninguém está roubando petróleo venezuelano", ressaltando que antes a China fazia isso ao comprá-lo "a preços muito abaixo do mercado", enquanto Washington está "vendendo seu petróleo a preços de mercado" e levando "esse dinheiro de volta para a Venezuela", tudo isso depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aquisição do "controle majoritário" de um quinto das reservas de petróleo venezuelanas

"Pela primeira vez em duas décadas, ninguém rouba petróleo venezuelano", afirmou Wright em entrevista à emissora norte-americana NewsNation, na qual garantiu que, nos 20 anos anteriores, "a China comprava seu petróleo a preços muito abaixo do mercado", algo que deixava o país latino-americano "em colapso econômico porque todos roubam seu petróleo".

O secretário de Energia se expressou dessa forma ao elogiar a intervenção militar dos EUA, na qual as forças norte-americanas capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no início do ano. Até então, afirmou ele, a Venezuela era "a sede do (partido-milícia xiita libanês) Hezbollah no hemisfério ocidental" e a Rússia estava "presente", enquanto "mercenários chineses" protegiam Maduro.

Naquela época, declarou ele, o petróleo venezuelano "era roubado por quadrilhas de narcotraficantes locais que o desviavam", bem como "pela corrupção interna na petrolífera estatal", em alusão à Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA).

"Agora, em colaboração com os Estados Unidos, vendemos o petróleo a preços de mercado, trazendo esse dinheiro de volta à Venezuela para o benefício da sociedade venezuelana, para que possam erradicar a criminalidade e as gangues criminosas, expulsar nossos adversários do país e iniciar um futuro de cooperação", afirmou, destacando o que considerou "uma vitória para o povo americano e para o povo venezuelano".

Questionado se os Estados Unidos deveriam intervir no comércio de petróleo entre o Irã e a China da mesma forma que, segundo o secretário, agiram diante do suposto roubo de petróleo venezuelano pela compra a preços baixos por parte de Pequim, Wright respondeu com um claro "não".

"Só digo que o povo do Irã, assim como o da Venezuela, foi prejudicado por um governo tirânico que provocou uma implosão econômica, em parte porque não consegue vender seu petróleo a preços de mercado", defendeu. "A China ganha, sem dúvida. Os criminosos e os contrabandistas ganham. Mas o povo do Irã não ganha. O povo da Venezuela não ganhou", alegou.

Em seguida, ele assegurou que o lado positivo da estratégia de Washington em relação a Caracas é que "é uma grande vitória". "Esse é o presidente Trump: usar o comércio, os negócios e a energia, não as armas nem o conflito", retrucou ele, ao que logo se seguiu a pergunta do entrevistador sobre a incursão das forças americanas, incluindo bombardeios, em 3 de janeiro de 2026 na Venezuela.

A isso, ele respondeu que, de fato, o governo Trump "prendeu o presidente Maduro" no que descreveu como "uma operação militar brilhante". "Mas foi só isso", argumentou ele, antes de acrescentar que, depois disso, Washington "colocou em quarentena" as exportações de petróleo venezuelanas.

"Agora temos influência e estamos lidando com as pessoas no poder que faziam parte do governo dele. Não se trata de príncipes democráticos, mas estamos lidando com eles para restaurar a estabilidade e a prosperidade do país e, em última instância, fazer a transição para um governo representativo, com uma intervenção militar na Venezuela que durou horas e na qual nenhum soldado americano morreu", destacou.

Suas declarações foram feitas depois que Trump se gabou, no último sábado, de ter conseguido que os Estados Unidos obtivessem o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem nenhum custo para o contribuinte americano.

O fato de um acordo como esse - com o país que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em mais de 300 bilhões de barris, superando assim seu principal concorrente, Arábia Saudita- lhe conceda o controle majoritário sobre 65 bilhões desses barris, representaria mais do que o dobro das reservas certificadas atuais dos Estados Unidos, estimadas em cerca de 38 bilhões de barris.

Esses 300 bilhões de barris representam aproximadamente 17% do suprimento mundial, segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos.

Este conteúdo é de inteira responsabilidade da Europa Press e não representa a opinião do Grupo Estado, que não é responsável por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base no material disponibilizado.

 

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