Economia

DESCARBONIZAÇÃO

Com investimentos de R$ 350 mi, fábrica de biometano em MS fecha ciclo de energia limpa

Unidade da Atvos será alimentada pelos resíduos de cana-de-açúcar da própria planta produtora de etanol que a companhia já opera em Nova Alvorada do Sul

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Com meta de neutralizar suas emissões de carbono 20 anos antes do previsto pelo Acordo de Paris, Mato Grosso do Sul dá mais um passo nesse sentido, com anúncio da fábrica de biometano a partir de resíduos da cana-de-açúcar, material já gerado na planta da Atvos responsável pela produção de etanol em Nova Alvorada do Sul, fechando assim um ciclo de energia limpa. 

Vale citar o potencial para investimentos girando acima de R$ 350 milhões, conforme anúncio feito durante a abertura da Expocanas no município - distante cerca de 113 km de Campo Grande -, a Atvos assinou o Memorando de Investimentos dessa primeira unidade de biometano da empresa, marcando a entrada da gigante produtora de biocombustível no mercado de gás natural de origem renovável. 

"Com o diferencial de produzi-lo em larga escala para atender uma demanda que não para de crescer. Ao mesmo tempo, ampliamos nosso portfólio de soluções sustentáveis, e, sobretudo, contribuímos efetivamente para a transição da matriz energética, seguindo um conceito de economia circular, ao darmos destino e gerarmos novas receitas a partir de resíduos da nossa cadeia de produção", afirma o CEO da companhia, Bruno Serapião. 

Em Nova Alvorada do Sul a planta da Atvos opera com capacidade para moer 5,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, dos quais são produzidos 498 milhões de litros de etanol, suficiente para movimentar 9 milhões de carros compactos, aponta a companhia. 

Ainda, a Atvos ressalta que essa capacidade cogera o equivalente a  376 GWh de energia elétrica limpa, sendo que a companhia ainda possui os seguintes polos: 

  • Unidade Eldorado (UEL), em Rio Brilhante| produtora de etanol e açúcar VHP; e a
  • Unidade Costa Rica (UCR), no município homônimo| produtora do biocombustível

Em uma área de 150 mil metros quadrados, a fábrica usará os resíduos que sobram na cadeia produtiva da cana (vinhaça e torta de filtro), com uma capacidade instalada prevista de 28 milhões de m³ de biometano. 

Pensamentos em consonância

Como bem ressaltou o CEO da Atvos, além do potencial direto da geração de empregos (4 mil vagas previstas), o empreendimento contribuiu efetivamente para a "transição da matriz energética". 

"Seguindo um conceito de economia circular, ao darmos destino e gerarmos novas receitas a partir de resíduos da nossa cadeia de produção", complementou.

Como já adiantou o comandante da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, em outubro do ano passado durante explicação sobre como zerar as emissões de carbono até 2030, o biometano tem um processo muito próximo da neutralidade de emissões e, nesse sentido, é muito mais ambientalmente responsável do que demais combustíveis. 

Dados mais recentes da Associação Brasileira de Biogás (Biogás) indicam que a produção de biometano tem potencial de expansão claro, pelo menos 600% até 2029, com números atuais de 1 milhão de m³ diário para sete milhões de metros cúbicos ao dia. 

A companhia ressalta que o substituto ao diesel - que deve reduzir 40% o uso interno na frota do combustível fóssil - também pode ser usado em uso industrial, ocupando o lugar do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e ao óleo combustível.

Foto: Álvaro Rezende


**(Com assessoria)

 

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Combustíveis

Etanol atinge menor preço médio em 51 semanas em MS

Preço caiu para R$ 3,86 na semana passada e Estado tem agora o 3º menor valor do País

24/08/2026 07h50

Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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O preço médio do etanol hidratado voltou a cair em Mato Grosso do Sul e atingiu o menor patamar em 51 semanas. O combustível foi comercializado, em média, a R$ 3,86 por litro entre os dias 16 e 22 deste mês, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O valor é R$ 0,02 inferior ao registrado na semana anterior, quando o litro custava, em média, R$ 3,88, e representa uma redução de R$ 0,08 desde o início de julho, quando o combustível era vendido a R$ 3,94.

Na série histórica da ANP, o último período em que Mato Grosso do Sul havia registrado preço médio igual ou inferior aos atuais R$ 3,86 foi entre os dias 24 e 30 de agosto de 2025, quando o litro também custou R$ 3,86. Na semana seguinte, entre os dias 31 de agosto e 6 de setembro de 2025, a média chegou a 
R$ 3,85.

O movimento atual, portanto, coloca o etanol novamente nos menores níveis de preço observados no último ano, depois de uma forte alta no primeiro semestre.

O preço chegou a alcançar R$ 4,47 por litro entre os dias 5 e 11 de abril, maior média registrada neste ano.

Desde então, a redução acumulada chega a R$ 0,61 por litro, equivalente a uma queda de aproximadamente 13,6%.

A retração ocorre justamente durante o período de maior oferta de matéria-prima e avanço da produção de etanol, em um cenário de expansão da bioenergia em Mato Grosso do Sul.

RANKING

Com a nova redução, Mato Grosso do Sul passou a ocupar a terceira posição entre os estados com o menor preço médio do etanol. Ainda segundo a ANP, São Paulo apresentou a menor média nacional na semana passada, de R$ 3,61 por litro, seguido por Mato Grosso, com R$ 3,69. 

A posição de MS também reforça a competitividade do combustível produzido no Centro-Oeste. A região apresentou preço médio de R$ 3,99 por litro, segundo a ANP, abaixo da média nacional, de R$ 3,91, no período.

A competitividade também aparece na comparação entre as capitais. Em Campo Grande, o preço médio do etanol caiu para R$ 3,78 por litro.

A Capital sul-mato-grossense ficou com o terceiro menor preço médio entre as capitais brasileiras, atrás apenas de São Paulo, com R$ 3,69, e Cuiabá, com R$ 3,74. Belo Horizonte apareceu na quarta posição, com R$ 3,82.

O levantamento mostra ainda uma diferença de R$ 0,08 entre o preço médio estadual e o praticado na Capital. Em Campo Grande, o valor mínimo encontrado pela ANP foi de R$ 3,59 e o máximo, de R$ 3,99.

A trajetória recente mostra uma sequência de reduções no preço do combustível. No início de julho, entre os dias 5 e 11, o etanol custava, em média, R$ 3,94 no Estado. Na semana seguinte, caiu para R$ 3,92. Depois, recuou para R$ 3,90 e R$ 3,89.

Na primeira semana de agosto, houve uma pequena alta para R$ 3,90. Na semana seguinte, porém, o preço voltou a cair para R$ 3,88 e chegou aos atuais R$ 3,86.

Em sete semanas, portanto, o preço médio caiu R$ 0,08 por litro, uma redução de aproximadamente 2%. Para quem abastece um tanque de 50 litros, a diferença representa uma economia de R$ 4 na comparação com o início de julho.

VANTAGEM

A queda também amplia a vantagem do etanol diante da gasolina. Na última pesquisa da ANP, a gasolina comum foi comercializada, em média, a R$ 6,41 por litro em MS.

Com isso, o etanol corresponde a 60,2% do preço da gasolina, abaixo do limite de 70% utilizado como referência para avaliar a competitividade econômica do biocombustível em veículos flex.

O comportamento registrado em Mato Grosso do Sul ocorre em meio a um movimento de redução dos preços do etanol em diferentes regiões produtoras.

Para o diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes, o período de colheita da cana-de-açúcar ajuda a aumentar a oferta e a pressionar os preços nas bombas.

“A expressiva redução de 3,50% no preço médio do etanol na primeira quinzena de agosto consolida o biocombustível como a alternativa mais vantajosa para os motoristas no Brasil, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Esse movimento, liderado por quedas superiores a 4% em estados produtores, reflete o pico da colheita de cana-de-açúcar, injetando competitividade nas bombas”, analisa.

Segundo Fernandes, apesar das incertezas no mercado internacional, o cenário interno favorece o consumidor. “Embora o mercado internacional de combustíveis ainda exija cautela e atenção do setor de mobilidade, o cenário interno traz uma boa notícia para os motoristas: uma oportunidade de aliviar o bolso e optar por uma alternativa mais sustentável”, afirma.

O movimento de queda não se restringiu ao etanol. Na semana passada, o diesel comum apresentou preço médio de R$ 6,40 por litro em MS, enquanto o diesel S-10 ficou em R$ 6,78.

A gasolina comum, por sua vez, foi comercializada a R$ 6,41, enquanto a gasolina aditivada teve média de R$ 6,60.
 

empréstimos

INSS libera consignado sem biometria facial para aposentados

Desconto não poderá ser autorizado por telefone ou gravação de voz

23/08/2026 21h00

Foto: Divulgação / INSS

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Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sem biometria facial nas bases do governo federal voltaram a poder contratar empréstimos consignados. A autorização poderá ser feita pelo aplicativo Meu INSS, com acesso por dados bancários.

A mudança já está em vigor, após a publicação da Instrução Normativa 213 do INSS, no último dia 19.

Principais mudanças

A nova regra altera procedimentos para contratação e portabilidade do consignado.

Os principais pontos são:

  • Beneficiários sem biometria facial poderão autorizar o empréstimo pelo Meu INSS, usando dados bancários;
  • Na portabilidade, o segurado deverá assinar um termo específico no aplicativo;
  • O banco que receber o contrato terá 20 dias para confirmar a transferência. Sem confirmação, a operação será cancelada;
  • O desconto no benefício só poderá ocorrer após o banco enviar a documentação exigida ao INSS;
  • As instituições terão de informar, em até sete dias úteis, os dados do depósito do empréstimo na conta do beneficiário;
  • A autorização do desconto não poderá ser feita por telefone nem comprovada por gravação de voz.

Requisitos de segurança

A biometria facial havia sido adotada em agosto do ano passado, como requisito para reforçar a segurança e combater fraudes após a série de escândalos no INSS no ano passado. A tecnologia continua disponível para quem tem fotos nas bases oficiais, como Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e Justiça Eleitoral.

Com as novas regras, quem não tem registro biométrico não ficará impedido de contratar o crédito. Apesar da dispensa da obrigação, o INSS alega que a instrução normativa tem uma série de requisitos para prevenir fraudes.

Depois da autorização do titular, a instituição que receberá o contrato terá 20 dias para confirmar a operação. Se não houver confirmação dentro desse prazo, a transferência será cancelada.

O beneficiário também deverá assinar um termo de autorização no aplicativo Meu INSS. Segundo a nota do instituto, “a exigência reforça a necessidade de anuência expressa do titular para a transferência do contrato”.

Portabilidade

Na transferência de uma dívida para outro banco, o beneficiário deverá assinar um termo de autorização no Meu INSS. Segundo o instituto, “a exigência reforça a necessidade de anuência expressa do titular para a transferência do contrato”.

O INSS determinou que a operação só produza efeitos depois do envio da documentação exigida pela instituição financeira. Antes disso, não haverá desconto no benefício nem repasse de valores à instituição financeira.

A medida inclui contrato, autorização expressa do desconto e informações sobre valor, parcelas, juros e instituição responsável pela operação.

Dinheiro rastreado

Os bancos também terão de informar ao INSS, em até sete dias úteis, os dados do depósito do empréstimo. A medida permitirá cruzar o contrato registrado no benefício com o efetivo recebimento do dinheiro e ajudar na identificação de operações fraudulentas.

O INSS esclarece que o Meu INSS Vale+, modalidade de antecipação de até R$ 150 do benefício para aposentados e pensionistas, permanece suspenso.

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