O Ministério da Saúde confirmou neste sábado (4) que Mato Grosso do Sul está entre os estados com mais casos em investigação por intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas em todo o país. Quatro ocorrências suspeitas são apuradas no estado, que entrou em alerta após a morte de Matheus Santana Falcão, de 21 anos, em Campo Grande, com sintomas compatíveis com envenenamento pelo composto químico.
A vítima teria ingerido uma cachaça comprada em uma conveniência do bairro onde morava, identificada como NaschBeer. Segundo o boletim de ocorrência, o irmão de Matheus adquiriu a bebida, da marca “Camelinho”, na quarta-feira (2), após não conseguir comprar em um supermercado da região. No dia seguinte, o jovem apresentou mal-estar gástrico, náuseas e vômitos escurecidos, evoluindo rapidamente para um quadro grave.
Familiares relataram demora no atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que, segundo eles, levou mais de duas horas para chegar ao local. Matheus deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Universitário às 18h20min ainda consciente, mas sofreu uma crise convulsiva 25 minutos depois, sendo levado à área vermelha e intubado. Velado neste sábado, ele não resistiu e morreu às 19h53min.
O caso ocorre em meio ao aumento de notificações no país. Segundo o Ministério da Saúde, 127 casos de intoxicação por metanol foram registrados, sendo 11 confirmados e 12 mortes notificadas — uma já confirmada em São Paulo. A maior parte das ocorrências está concentrada em São Paulo (104), mas há registros também em Pernambuco (7), Bahia, Goiás e Paraná (2 cada), além de notificações isoladas em outros estados.
Nesta manhã, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Vigilância Sanitária realizaram um “pente-fino” em bares que vendem destilados em Campo Grande.
Antídoto
Para reforçar o combate à crise, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a aquisição de 12 mil novas ampolas de etanol farmacêutico e 2,5 mil unidades de fomepizol, antídotos utilizados no tratamento de intoxicações por metanol. Os medicamentos devem estar disponíveis até o final da próxima semana e serão distribuídos conforme a demanda de cada estado via hospitais universitários.
Segundo Padilha, as medidas seguem protocolos científicos reconhecidos. “Seguimos a ciência e as orientações dos especialistas. O etanol farmacêutico e o fomepizol são tratamentos comprovados e reconhecidos pela comunidade médica internacional”, afirmou o ministro.
A compra das doses de fomepizol foi viabilizada em parceria com o Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e um fabricante japonês. O Ministério também reforça que a aplicação dos antídotos deve ocorrer somente sob prescrição e monitoramento médico.
Cautela
Na Capital, o medo de intoxicação já faz com que os boêmios optem pela cerveja em detrimento de bebidas destiladas. Até este momento, na avaliação dos estabelecimentos, a preocupação existe, mas não chegou a virar pânico.
Saiba*
Cabe destacar que só neste ano, Mato Grosso do Sul já teve nove locais autuados pela Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-MS) por venda de bebidas alcoólicas falsificadas ou contrabandeadas.


