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"A área técnica fechou"

Ministro Fernando Haddad (Fazenda) tenta explicar que se encerrou o trabalho da equipe econômica no novo arcabouço fiscal

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Governo cobra Neto de Lula em suaves prestações

O governo de Sergipe aliviou e parcelou a devolução do valor pago a mais no salário do João Gabriel, neto do presidente Lula e que, aos 19 anos, arrumou uma bela boquinha e recebeu salário de R$6.692,84 no primeiro pagamento.

O governo alegou que o prodígio recebeu parcela do 13º indevidamente já em janeiro. Em fevereiro, o holerite veio com o primeiro desconto: R$ 372,61. A parcelinha cobrada deve acabar em abril. O débito, de R$1.117,84, foi parcelado em três vezes.

Salário bruto

Apesar do desconto, o salário do jovem é de dar inveja nos servidores da Educação sergipana: R$5.575,00.

Crediário

O rendimento do jovem, já descontados impostos e a “gratificação natalina” recebida em janeiro, chega aos R$4.098,78.

É de casa

João Gabriel levou o cargo na gestão do governador Fábio Mitidieri, do PSD. O secretário Zezinho Sobral é do PDT, siglas da base de Lula.

Errou mesmo

O parcelamento do estorno foi confirmado à coluna pelo Governo de Sergipe que, mais uma vez, reconheceu o equívoco.

Herdeiro de Lemann tem empresa na bolsa de NY

A empresa suíça esportiva On Holding AG, que tem como sócios Marc Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, e Carlos Alberto Sucupira, bilionários que também são controladores das Americanas, se tornou queridinha dos investidores na Bolsa de Nova York.

Ao contrário da gigante do varejo, que provocou estrago no mercado do Brasil e luta para não falir, a On projeta para 2023 um crescimento de 40% nas vendas.

Outro sócio

A On também tem o tenista suíço Roger Federer como investidor e vende principalmente calçados esportivos que chegam a custar R$1.600.

Curiosidade

A On Holding tem valor de mercado de cerca de US$8,8 bilhões (R$46 bilhões), próximo do rombo estimado em R$50 bilhões nas Americanas.

Grande diferença

Caso ocorresse nos EUA, fraude como a que foi identificada nas lojas Americanas não tem perigo de escapar de punição severa.

Lulatour

Virou corre-corre na Câmara o adiamento da ida de Lula à China. Assessores relataram que quase enlouqueceram com passaportes e remarcações das excelências que temiam perder a viagem no 0800.

Sorriso amarelo

Não convenceu ninguém, de aliados a oposição, a foto de Fernando Haddad (Fazenda) e Rui Costa (Casa Civil), em clima supostamente amigável. Os ministros disputam espaço e poder dentro do governo.

Coerência no lixo

Tucanos paulistas ficaram espantados com uma foto do ex-governador João Doria abraçado ao radical esquerdista Marcelo Freixo, presidente da Embratur, que o visitou. Ambos sorridentes e se declarando “amigos”.

Queridômetro

Continuando como está, será possível aferir o clamor da recepção na volta ao Brasil de Jair Bolsonaro e Lula. O ex-presidente deve chegar dia 30 de março. Um dia depois, dia 31, encerra a agenda de Lula na China.

Suplicy na fila

Para passar na frente no protocolo de CPIs na Assembleia Legislativa de SP, Eduardo Suplicy (PT) levou o Estatuto do Idoso nas mãos. Rendeu gritaria e empurra-empurra, mas não colou. Suplicy foi para o fim da fila.

Em baixa

Políticos pernambucanos notaram o desprestígio de Paulo Câmara na agenda de Lula no Estado. Câmara teve destaque na campanha de Lula, mas, agora, não teve qualquer protagonismo na agenda presidencial.

Por aqui, nada

Em razão da “necessidade por cibersegurança”, o parlamento do Reino Unido anunciou que o aplicativo chinês TikTok será banido de todos os aparelhos celulares oficiais e toda a rede ampla parlamentar.

Hostilidade cresce

O governo Joe Biden, nos EUA, adicionou outras 14 grandes empresas chinesas à “lista negra” de corporações que autoridades americanas não conseguem fiscalizar e, portanto, não são “confiáveis” para o comércio.

Pensando bem...

... medida provisória foi adiar a viagem à China.

PODER SEM PUDOR

O ‘Biu’ que virou ‘Zito’

O então presidente da Câmara dizia que era o único Severino em Pernambuco a não ser tratado de “Biu”, mas de “Zito”.

Só não contou a história. É que em 1980, o então deputado estadual Severino Cavalcanti (Arena) não se conformou com a recusa do pároco de Ribeirão (PE), Vito Miracapillo, de rezar uma missa pelo 7 de Setembro, por considerar que o brasileiro ainda não havia conquistado “a efetiva independência”. Como a Lei dos Estrangeiros veda o ativismo político a não-brasileiros, Severino exigiu a expulsão do padre. Sua cruzada lhe rendeu o apelido “Zito”, uma referência ao padre Vito.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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