Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"A censura foi feita só pra um lado que coincidência"

Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre 'Twitter Files' revelar censura apenas contra conservadores

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Deputado pede Temer negociando fim da ‘guerra’

Após sete mandatos de deputado federal e duas vezes ministro em um País fraturado, radicalizado e indo para o saco, Osmar Terra (MDB-RS) ainda acredita na concórdia entre brasileiros.

Ele alimenta a esperança de que logo aparecerá um brasileiro respeitado, capaz de articular com discrição e sabedoria e colocará os lados em uma mesa, negociando um acordo de paz entre os “judeus” e os adoradores do “Hamas” locais. E esse líder, acredita o deputado gaúcho, é o ex-presidente Michel Temer.

Sabedoria

Osmar Terra sustentou, em entrevista ao podcast do Diário do Poder, que só Temer tem sabedoria política para negociar um “plano de paz”.

Primeiro passo

Na opinião do deputado, Jair Bolsonaro deu o passo inicial, no discurso no comício gigante da Av. Paulista, ao pregar o desarme de espíritos.

Paciência

Temer foi uma escolha de Lula para compor chapa de Dilma Rousseff (PT), e sabe que ali o político paulista provou ser o “rei da paciência”. 

Ódio não cessa

O problema na proposta de Terra é que Temer é ainda um dos políticos mais odiados no PT, por haver assumido após o impeachment de Dilma.

Ministros e senadores ocupam imóveis da Câmara

Tal como o Senado, a Câmara dos Deputados também banca moradia para ministros de Lula. André Fufuca, Alexandre Padilha, Celso Sabino, Juscelino Filho, Paulo Teixeira e Silvio Costa Filho, alçados ao posto de assessores de Lula, não renunciaram à regalia.

Ao contrário do executivo que tem imóveis de sobra, 1.345 dos quais 288 estão vazios, a Câmara nem mesmo tem apartamento para todos os deputados: são 447 imóveis. Desse total, 48 estão fora de uso aguardando reforma.

Ajudinha de R$8 mil

Deputados que não ocupam apartamentos da Câmara têm R$4.253 de auxílio-moradia e pode usar mais R$4.148 do cotão como complemento.

É uma farra

Além dos ministros de Lula, 11 senadores também ocupam os espaçosos apartamentos da Câmara... dos Deputados.

Lá ou cá

Aécio Neves (PSDB-MG), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e José Medeiros (PL-MT) são os únicos deputados que moram em imóveis do Senado.

Obrigação é imposto

Está marcada para quarta-feira (24) a votação do retorno do DPVAT, seguro obrigatório que até 2019, antes de ser extinto pelo governo Bolsonaro, arrancava dos motoristas cerca de R$4 bilhões por ano.

Sem chance

Jorge Seif (PL-SC) garante que apesar da vontade do governo Lula (PT), a volta do DPVAT, seguro obrigatório cercado de denúncias, extinto no governo Bolsonaro, não vai ser aprovada no Senado.

Reincidente

Advogados de Glauber Braga (Psol-RJ) apresentaram na quinta (17) defesa em processo de agressão que o deputado responde na Câmara. Na véspera, Glauber repetiu o barraco: chutou cidadão pra fora da Casa.

Aulão

Não caiu bem na oposição a iniciativa de Silvio Almeida de ministrar aulas em curso do MST, “O ministro dos Direitos Humanos vai dar aula para terrorista”, criticou o deputado Gustavo Gayer (PL-GO).

Próxima página

Chega ao fim no próximo mês o mandato do ministro Alexandre de Moraes como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 7 de maio, a ministra Cármen Lúcia será referendada sucessora de Moraes.

Alô, CGU

Cidadão que quer fiscalizar o uso de imóveis do Executivo (Presidência, ministérios etc.) dá com os burros n’água. A transparência do governo federal não atualiza esses dados desde 2022, no governo passado.

Além do desrespeito

O deputado Luciano Zucco (PL-RS) mandou recado ao ministro Ricardo Lewandowski (Justiça): “o agronegócio não merece o desrespeito do governo federal em relação aos crimes que sendo cometidos pelo MST”.

Denúncia e prova

“STF mente descaradamente”, afirmou o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) após a Corte dizer que documentos divulgados nos Estados Unidos sobre despachos são meros ofícios, “provo com meu caso”.

Pensando bem...

...se invasão a fazendas é “ocupação”. Invasão a prédios públicos é...

PODER SEM PUDOR

Rapadura salgada

Manoel Gomes da Silva, o Gominho, trocou o MDB pela Arena na eleição municipal de 1976, em Princesa Isabel (cidade histórica da Paraíba), e foi candidato a vice na chapa de Sebastião Feliciano dos Santos, o Batinho, mediante a promessa de assumir no meio do mandato. Passaram-se quatro anos e o compromisso não foi cumprido.

Na eleição seguinte, já rompido com a Arena e de volta ao MDB, Gominho tentava se justificar no palanque: “Meus amigos, mais vale uma rapadura salgada do que uma promessa doce!”.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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