Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"A Conab do Lula não consegue sair das páginas policiais"

Senador Sérgio Moro (União-PR) e o novo escândalo com empresa ligada à companhia

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Banca inglesa tenta faturar no desastre da Samarco

Realizou-se na quarta (19) a primeira audiência (pre-trial) da justiça de Londres na ação coletiva da banca de advocacia Pogust Goodhead (PG) contra a BHP e Vale, sócias da Samarco, envolvida no rompimento da barragem. A ação espanta pela ousadia. O PG pede cerca de R$300 bilhões de indenização para 170 mil pessoas. A defesa da BHP alega que metade não sabe que, em caso de sucesso, teria de ceder grande parte do dinheiro ao PG, e, no fracasso, arcar com as custas judiciais.

Sem transparência

A BHP também alegou que os questionários não deixam claro se existe autorização dos requerentes para o PG representá-los.

Modus operandi

O mudus operandi do PG é alvo de críticas. Em 2023, um deputado escocês o acusou de desistir de um caso ao perceberam que iam perder.

Pepino milionário

PG desistiu do caso Primodos, produto de testes de gravidez que fez mal a bebês, e pode sobrar para os requerentes até R$68 milhões em custas.

Queixas de clientes

A empresa escolheu como parceiro no Brasil o petista José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e advogado requisitado.

Justiça eleitoral pega leve em crime eleitoral de Lula

A Justiça Eleitoral outra vez pegou leve com Lula (PT), relativizando o crime eleitoral explícito do presidente ao aproveitar o comício de 1º de Maio, no estádio do Corinthians, em São Paulo, para pedir votos ao candidato de extrema-esquerda à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (Psol). Após tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível só por se reunir com embaixadores, a Justiça Eleitoral “condenou” o petista apenas a multa de R$20 mil. Seu candidato, nem isso: R$15 mil.

Um ano no dia 30

A passada de pano no crime eleitoral de Lula ocorre a poucos dias de completar um ano da inelegibilidade de Bolsonaro, em 30 de junho.

Crime configurado

“Está configurada a propaganda eleitoral antecipada com pedido explícito de voto”, concluiu o juiz, que, apesar disso, só fixou “pena” de multa.

Multa deve evaporar

Advogados eleitoralistas já apostam que a “punição” não resistirá a recurso dos “condenados” e não restará nem mesmo multa a ser paga.

Conversa de perdedor

Lula continua insultando Roberto Campos Neto, com alegações falsas, só para não reconhecer que a decisão do Copom não foi apenas do presidente do Banco Central e sim de todo o colegiado. Incluindo os diretores que ele nomeou, em decisão unânime. Perdeu, mané.

Mais uma suspeita

Até Silas Câmara (Rep-AM), que tem pregado relação cordial entre bancada evangélica e o governo Lula na Câmara, discute convocar “representante do governo” para explicar as doações do Brasil à Etiópia.

Que fique claro

Até membros do PL pediram que o relator Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) prorrogue o debate sobre o projeto que criminaliza o aborto, e querem que fique claro no texto: mulheres abusadas não serão criminalizadas.

Discurso velho

Quem é contra o jogo precisa reciclar suas alegações. O Brasil é o único país não muçulmano onde a atividade é proibida. Em vez de sociedade “destruída pelo vício”, os que têm cassino favorecem a geração de renda, impostos e empregos, e impedem uso do jogo para lavagem de dinheiro.

O relógio e o sítio

A condenação de vândalo que quebrou relógio do Planalto se iguala aos 17 anos de prisão que Lula foi condenado pelo TRF-4 por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia. Acabou anulado, claro...

Mundo da fantasia

“Lula não se contenta em expor a sua demagogia populista apenas na campanha. Insiste em não descer do palanque... ignorando o mundo real”, criticou o deputado Domingos Sávio, presidente do PL-MG.

Apenas incompetência

“O governo não precisa buscar razões para justificar sua incompetência”, diz Alberto Fraga (PL-DF), para quem o governo não corta gastos, não enxuga a máquina pública e agora “inventa” ser contra incentivos fiscais.

Tem é mais

Expectativa do Cepea-USP é de que o estoque de arroz de dezembro deste ano supere o do mesmo período do ano passado. A previsão é de exportação menor, o que vai gerar maior excedente no mercado interno.

Pensando bem...

...elogio a indiciado por corrupção parece conversa em banho de sol.

PODER SEM PUDOR

Pronomes trocados

Benedito Valadares era governador de Minas quando foi a uma exposição agropecuária em Curvelo. No discurso de abertura, jurou: “Determinei à Caixa Econômica e aos bancos do Estado a concessão de empréstimos agrícolas a prazos curtos e juros longos.” Um assessor corrigiu, em voz alta: “É o contrário, governador.” Ele respondeu: “Desde que o dinheiro venha, os pronomes não têm importância!”

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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