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A importância das coalizões em sociedade

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A superação das desigualdades é o maior desafio de nossa sociedade. Observamos diariamente dezenas de diagnósticos com recortes alarmantes por território, de gênero e raça, entre outros. Mas a urgência mesmo é pela (re)ação. Um compromisso concreto com propostas práticas e consistentes no enfrentamento das disparidades socioeconômicas.

Empregos e oportunidades de renda também são desiguais, contribuindo para a segregação e o aprofundamento das situações de precariedade social. Podemos citar, como exemplo, uma das graves consequências dessa dinâmica injusta: uma enorme diferença na expectativa de vida entre habitantes de uma mesma cidade. De acordo com os dados do Mapa da Desigualdade 2023, divulgado pela Rede Nossa São Paulo e Instituto Cidades Sustentáveis, moradores dos Jardins e Itaim Bibi, bairros nobres da Zona Sul de São Paulo, vivem, em média, 82 anos. Já quem vive em Cidade Tiradentes e Iguatemi, bairros do Extremo Leste da capital paulista, tem uma expectativa limitada em 61 anos.

Apesar dos grandes esforços e da preocupação evidente, pesquisas revelam que não estamos no caminho certo para a diminuição dessa desigualdade. Segundo dados disponíveis no relatório oficial sobre o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), as metas com foco na eliminação da pobreza, proteção ao meio ambiente e garantia da paz e prosperidade apresentam tendências insuficientes para serem alcançadas até 2030.

Dando um pouco de luz sobre o “ODS 8 - Trabalho decente e crescimento econômico, mesmo antes da pandemia”, o crescimento econômico não estava nem perto dos níveis necessários para alcançar a meta de 2030. O biênio 2018-2019 experimentou seu nível mais baixo desde a crise de 2008-2009. Além disso, a pandemia trouxe mudanças abruptas e profundas, retardando ainda mais a economia.

Como falar de compromissos concretos ou sobre propostas práticas e consistentes que transformem definitivamente os desafios da humanidade? Como buscamos soluções eficazes para realidades tão complexas sem envolver todos os setores da sociedade?

Um exemplo de práticas inovadoras em prol do desenvolvimento local é o Projeto Aliança pela Transformação Social, parceria que desenvolvemos com a prefeitura de São Bernardo do Campo e com o setor privado local. A iniciativa leva capacitação e geração de renda a mais de 780 pessoas e utiliza a estrutura municipal, as Escolas de Portas Abertas (espaço aberto à comunidade aos sábados que proporciona atividades como esportes, interações culturais, oficinas de artesanato, entre outras).

A convergência entre compromissos, intenções e propostas práticas pode gerar uma excelente oportunidade de coalizões intersetoriais - e quem ganha é a sociedade. A seguir, falaremos mais sobre a potencialidade dessa ação.

Direcionar de maneira eficaz recursos orçamentários é determinante para a promoção da transformação que a sociedade necessita. Sendo assim, a articulação entre os diversos agentes participantes de um determinado processo é o que permite um gasto público mais eficiente e transparente. E esse é um trabalho a ser realizado por diversas instituições, de forma conjunta.

A abordagem intersetorial é capaz de valorizar e priorizar o interesse da população, além de iniciar um processo de transformação em situações na qual grupos de maior poder exercem grande influência nas ações de governo. A movimentação entre os setores é facilitada pelos três pilares: tecnologias de informação, sociedade civil e instituições.

Estamos vivendo uma mudança de cultura global e histórica. Precisamos reconhecer que há uma falha no nosso sistema econômico tradicional e a urgência da mudança desse sistema: deixar de gerar valor apenas para os acionistas e passar a gerar valor a todos os stakeholders, redefinindo o conceito de sucesso na economia.

A incorporação de coalizões impactantes permite a articulação dos saberes técnicos, visto que profissionais de determinados setores assumem agendas coletivas e compartilham objetivos em sinergia. Ao somar todos esses conhecimentos gerados a partir de uma articulação institucional desses setores, cria-se um cenário de abordagem mais amplo e profundo. O resultado desse movimento é a criação de condições para identificar melhores estratégias e saídas positivas para propiciar um bem-estar coletivo.

Vivemos tempos em que o conhecimento é um fator basilar na sociopolítica global. Por isso, é importante levar em consideração a necessidade de utilizar ao máximo toda a contribuição intelectual que os setores público, privado, terceiro setor e acadêmicos são capazes de fornecer.

O Brasil é um país de proporções continentais e reúne no mesmo estado e território dinâmicas de desigualdades profundas, tornando ainda mais complexa e desafiadora a busca por soluções para problemas que impactam a vida da população. Para construir um país próspero, é preciso que toda a sociedade, empresas e governos trabalhem juntos no combate às desigualdades.

Existem importantes caminhos já desenhados. Basta, a todos nós, incentivar cada vez mais as boas ações em prol da redução da desigualdade latente em que vivemos. A união realmente faz, além da força, a diferença para uma sociedade mais justa.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

CLAÚDIO HUMBERTO

"Quem deve explicações é o Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), sobre Lulinha, filho do presidente, e a falcatrua no INSS

12/08/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Bens de governador petista crescem mais de 400%

São nove os governadores que estão no cargo e vão buscar a reeleição este ano. Quase todos tiveram aumento no patrimônio. Alguns com elevação que supera os 460%, como é o caso de Clécio Luís, com passagem pelo Rede, PT, Psol, Solidariedade e, agora, no União Brasil. Os quatro anos no governo do Amapá parecem ter feito bem às finanças de Clécio, que, em 2022, declarou patrimônio de R$88,5 mil. Agora, o governador admitiu à Justiça Eleitoral ter R$R$497,9 mil em bens.

Petista 407% mais rico

O petista Elmano de Freitas (Ceará) também viveu tempos de bonança. O patrimônio decolou de R$72,1 mil (2022) para R$366,4 mil.

Pobre Riedel

Eduardo Riedel (PP-MS) é o único “mais pobre”. O patrimônio encolheu em 4 anos e desceu de R$20,7 milhões para R$16,1 milhões.

Modesta variação

Dos que tiveram aumento, Raquel Lyra (PSD-PE) registra a oscilação mais modesta, 5,56%. Passou de R$340,5 mil para R$359,4 mil.

É o admitido

A coluna chegou aos valores após cruzar os dados repassados pelos próprios candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Lula promete pasta da Segurança 43 meses atrasado

Lula (PT) sempre passa vergonha quando faz juras eternas de combater a criminalidade, como a promessa de criar o Ministério da Segurança, com 43 meses de atraso. Para quem manda sua bancada boicotar no Congresso projetos que são aspiração dos brasileiros, como a redução da maioridade penal, e após saudar uma traficante em seu palanque na Favela do Moinho, em São Paulo, como lembrou Tarcísio Gomes de Freitas no debate da Band, desautoriza qualquer lacração nessa área.

Nunca na História

Nunca houve Ministério da Segurança nos mais de 18 anos dos cinco governos do PT.

Primeiro

A primeira vez que houve pasta específica para a Segurança Pública foi na gestão Michel Temer (MDB).

Caso único

O ex-deputado Raul Jungmann continua a ser o único ministro da Segurança da História do Brasil.

Mitomania em movimento

O “afastamento” do ministro da Propaganda da campanha de Lula (PT), em razão de “desavença”, ainda mais tendo sido “substituído” pelo próprio sócio, soa tão falso quanto ex-presidiário jurar combate ao crime.

Ataques investigados

Empresário forte de Goiânia, da área de show business, vem sendo acusado na política do DF de bancar ataques nas redes sociais contra a governadora Celina Leão (PP). O caso está sob investigação.

Caiu a ficha

Demorou, mas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro finalmente deu sinais de haver percebido que suas desavenças públicas com o enteado Flávio favoreciam os adversários. “Briga tem em toda família”, diz agora.

Por conta

Difícil Lula retribuir a Nabor Wanderley (Rep-PB) o apoio público que recebeu de Hugo Motta (Rep-PB), filho do candidato ao Senado. O petista vai pedir votos para Veneziano Vital (MDB) e João Azevedo (PSB)

Vergonha histórica

Condenado à morte por crimes contra a humanidade, o ex-ditador sírio Bashar al-Assad foi um dos “ídolos” da esquerda por atacar os EUA sistematicamente. Em 2010, recebeu do então presidente Lula a maior condecoração brasileira: o Grande Colar da Ordem do Cruzeiro do Sul.

Esquema

Era pluripartidário o rolo de vereadores com facção que cobrava pedágio para acessar regiões de Sobral (CE). Os envolvidos, segundo a PF: Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode) e Mario Vicktor (União).

É simbólico

O segundo ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) deve ser na cidade em que o pai sofreu um atentado promovido por ex-militante do Psol, em 2018. Flávio vai a Juiz de Fora (MG) em 17 de agosto.

Demora por quê?

Sob supervisão do Judiciário, de perito, da PF e do Ministério Público, Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio (PL), já disponibilizou seu DNA para agilizar o confronto com amostra da suposta “vítima” exposta por Lindbergh Farias (PT) e Soraya Thronicke. Só falta o STF avaliar.

Pensando bem...

...política ainda é um excelente negócio.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Não te fresqueia, tchê

O líder gaúcho Flores da Cunha era do tipo que não guardava papas na língua e zelava pela reputação dos machos do Rio Grande do Sul. Mas, certa vez, num comício em Uruguaiana, ao ser saudado, um orador local exagerou nos elogios: “Bravo general, corpo de espartano, cérebro ateniense, coração de pomba, alma de dama...”. Ele chama o chefe político e ordena, interrompendo o discurso: “Tira esse demente daqui antes que ele me chame de fresco”.

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