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Giba Um

"A partir de frases dos parlamentares, membros da Comissão autora da convocação, é verossímil"

de FLÁVIO DINO (Justiça) //explicando mais uma ausência na audiência da Comissão de Segurança Pública da Câmara

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A Globo promete mudanças na transmissão do desfile das escolas de samba no Rio: sai Maju Coutinho e Rodrigo Bocardi e entram Karine Alves ao lado de Alex Escobar e Milton Cunha. Karine é apresentadora na área de esporte.
 Mais: Escobar também é um nome do esporte. Maju e Rodrigo receberam muitas críticas: ela chegou a chamar a Mocidade Independente de Padre Miguel de Mocidade Alegre – e as redes não perdoaram o tropeção.

In – Suco vermelho
Out – Suco verde

Fotos: Reprodução


Adaptação
para TV


Hoje estreia na plataforma de streaming Globoplay a série Fim, uma adaptação do livro homônimo lançado em 2013, de Fernanda Torres (primeira foto), que também assina o roteiro, com direção de Andrucha Waddington, seu marido e Daniela Thomas. Grande parte de seu elenco se reuniu,  no Kinoplex Leblon, no Rio de Janeiro, na segunda-feira (23), para o pré-lançamento. Fernanda explicou, que apesar de muitas pessoas acharem, a história não tem nada ver  com sua vida. “Não é só sobre a minha vida, mas de amigos, parentes... Fim tem cinco personagens muito diferentes de mim. Eu escrevi cinco homens, e cada um de um jeito. Essa história é sobre os adultos da minha infância, então escrevi sobre os adultos da minha infância que são meio a última geração que foi treinada para casar, ter filhos e achava que a vida acabava ali. Foram atropelados pela revolução de costume” . E completa: “É sobre essa última geração de machos em um mundo machista liberado para eles. É a uma geração que leva uma rasteira do mundo”. Entre tantos presentes estavam, da segunda foto a esquerda para direita, Marjorie Estiano que interpreta Ruth, Débora Falabella (Irene), Valentina Herszage (Maria Clara) e Laila Garin (Norma). 


Conselhos
especiais

Os jornais argentinos não escondem: assessores de Lula, notadamente os de marketing político, deram grande colaboração para a campanha de Sérgio Massa, ainda ministro da Fazenda da Argentina, a ponto de virar o jogo e ser o mais votado nas eleições de domingo. E conselhos especiais de Lula, antes e depois da cirurgia do quadril, teriam ajudado muito. Um deles era comparar na campanha Javier Milei ao lado pior de Jair Bolsonaro, repetindo os descalabros do brasileiro. Outro foi ver Massa distribuindo bônus especiais para diversos grupos sociais num país com 140% de inflação anual, 40% da população vivendo abaixo da linha da pobreza e 10% desse bloco formado por indigentes. Foram beneficiados aposentados, trabalhadores de empresas privadas (pagos pelas próprias empresas), pensionistas e  cartões para alimentação e compra de alimentos (reajustados em 30%). Os argentinos fizeram o que os brasileiros já fazem há tempos: votaram no “menos pior”. Mesmo assim, malgrado as estimativas, Milei ainda não foi derrotado. 


Em clima
de Natal


Se muitos ainda estão em clima de halloween a cantora e atriz Cher já está longe e pensando no Natal.  A lendária estrela pop lançou nas plataformas digitais na sexta-feira (20) o seu mais novo álbum com os clássicos do feriado de fim de ano natalino batizado de ‘Christmas”. Entre tantas músicas estão Santa Baby, Christmas, I Like Christmas. Novo trabalho ainda conta com algumas participações  como  Cyndi Lauper (Put A Little Holiday In Your Heart), Stevie Wonder (What Christmas Means to Me), Michael Bublé (Home) e Tyga (Drop Top Sleigh Ride). “Eu nunca digo isso sobre meus próprios discos, mas estou muito orgulhosa deste. É um dos projetos mais incríveis da minha carreira. Não é o álbum de Natal da sua mãe. É um álbum de Natal de Cher. É definitivamente a minha ideia de um álbum de Natal”.


Só fake news


 Candidato a presidente da Argentina, Javier Milei, também chamado de “El Loco”, tem como estrategista digital Fernando Cermimedo. Em 2022, ele ficou conhecido no Brasil depois de fazer uma live com falsas informações sobre as urnas eletrônicas (a postagem acabou suspensa pelo TSE). Na gravação, ele falava sobre um ‘suposto’ relatório com dados de fraude no processo eleitoral brasileiro. Tudo foi desmentido pela Justiça Eleitoral e os bolsonaristas que compartilharam tiveram seus perfis suspensos.

 

Cancelado

Na semana que antecedeu as eleições na Argentina, Jair Bolsonaro apareceu num vídeo na televisão pedindo votos para Javier Milei. Por conta disso, o filho Eduardo Bolsonaro achou que poderia falar o que bem entendesse numa entrevista no canal C5N: “Avançar na liberação de armas de fogo para os cidadãos significa dar condições para sua legitima defesa”. E não continuou porque foi tirado do ar. O apresentador não aguentou: “Por sorte, o Brasil tirou o pai dele do poder”. Eduardo ficou muito irritado: achou que era “perseguição”.

 

 

Vai ou racha

 Mesmo Arthur Lira, presidente da Câmara (regressou de um giro pela Ásia), estar disposto a dar alguns carinhos à parte da pauta econômica, os deputados do Centrão querem encostar o corpo enquanto durar o impasse na Caixa Econômica (e a substituição de Rita Serrano, funcionária de carreira, na presidência). O nome  defendido pelo bloco para o cargo é o de Carlos Antônio Vieira, que já foi servidor da Caixa. Ele é aliado do líder da maioria na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e também já presidiu a Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa. O Centrão quer a presidência e mais 12 vice-presidências, o que Lula topa em parte. 

MULTIPLICAÇÃO

 Arthur Lira, presidente da Câmara, não quer apenas a presidência da Funasa: quer mais Funasas. Ele já levou ao governo o pleito de abertura de escritórios da Fundação Nacional de Saúde em cidades do interior, notadamente no Nordeste – hoje, as superintendências do órgão estão concentradas em capitais. Um mapeamento do PP apontou 20 municípios nordestino que seriam agraciados com a deferência. Aumentaria o número de cadeiras disponíveis e transferiria a colégios eleitorais de aliados um pedacinho do orçamento da Funasa, da ordem de R$ 3 bilhões.  

Fator Alcolumbre

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD) e o comandante da Comissão de Justiça, Davi Alcolumbre (União Brasil), integrante do Centrão, negam estar fazendo pressão sobre Lula. Hoje, há oito cargos vagos nas agências, da Anvisa  à Anac, além de quatro diretorias no Cade. Lula ainda não escolheu nomes para essas cadeiras. Alcolumbre também disputa com Arthur Lira, presidente da Câmara, as vagas do Cade. Por outro lado, há mais de 40 dias, Lula fez três indicações para o STJ, cinco para CNJ e duas para o Conselho Nacional do Ministério Público. Está tudo na gaveta de Alcolumbre sem prazo para sabatinas. 

UM E OUTRO

 Por maior que seja o prestígio de Celso Amorim junto a Lula, sua figura no Planalto está  muito longe de eclipsar a de Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, longe de ser um “chanceler do B”, Amorim fala no ouvido de Lula, escreve seus discursos e não fica restrito à área externa. É um assessor “para qualquer coisa”. Vieira não é conselheiro de Lula”, mas fala pela chancelaria com conhecimento de causa e respeito da casa. E não deixa Lula ficar fora de seu raio de atuação. Desde o início do conflito, Vieira soma 2.986 menções junto a Lula quando o assunto é Israel-Hamas. Amorim coleciona 11.463 citações sobre Ucrânia-Rússia.


Caindo

Quando estava no comando do programa matinal Encontro, a ex-âncora do Jornal Nacional, Fátima Bernardes, ganhava (salário fixo) nada menos do que R$ 1,5 milhão por mês. Quando deixou a atração e já se preparava para participação no The Voice Brasil o salário caiu para R$ 400 mil mensais. Agora, teria caído para R$ 300 mil para comandar o programa semanal de entrevistas (dois convidados ao mesmo tempo e muito esforço da produção) na GNT. Dinheiro, contudo, não é o problema para Fátima: estima-se que tenha acumulado uma fortuna de R$ 200 milhões e seu apartamento na praia de S.Gonçalo custaria R$ 12 milhões.

PRIMEIRO ELÉTRICO

A GM vai lançar seu primeiro veículo elétrico no Brasil até junho de 2024. A partida será dada com a venda do modelo Blazer, feita sob medida para o mercado brasileiro. Terá uma bateria maior, com capacidade para 105 Kwh e autonomia para até 515 quilômetros. Um dos maiores problemas para a venda de híbridos e elétricos é a incipiente rede de estações de recarga. A média mundial é de uma unidade de reabastecimento para cada veículo em circulação; no Brasil, a relação é uma para 14.


MISTURA FINA


DO grande time de 74 funcionários que Lula e sua mulher Janja têm à disposição no Palácio da Alvorada, 11 são reservados especialmente à cozinha do casal. São chefs, auxiliares e despenseiros. Alguns foram escolhidos diretamente pela primeira-dama, que não quer dizer que ela participe da elaboração do cardápio. O prato favorito de Lula é rabada, mas numa recente live, ele disse que “se eu chegar em casa e tiver um pouquinho de feijão com arroz, um bife e dois ovos fritos, para mim é o melhor prato do dia”. 

O SENADO votará dia 8 de novembro a proposta que limita decisões monocráticas dos ministros do STF, acusados de abusar de interferências nos Poderes, inclusive anulando leis federais ou legislando por conta própria. Outro projeto no Senado fixa mandatos para os integrantes da Alta Corte. Entre senadores, o apoio a essa proposta é de 80,74%, só 19,26% são contra. Alguns acham que “não vai dar em nada”: afinal Rodrigo Pacheco e Gilmar Mendes (STF) acabam de conviver durante uma semana em Paris. 

ADVERSÁRIOS no PT de uma eventual escolha de Flavio Dino para o STF têm repetido, em todos os cantos, que a atitude do presidente Lula teria um custo muito elevado. Alegam que o ministro da Justiça tem um festival de problemas com os parlamentares, que constam dos 71 pedidos de convocação de Dino para se explicar a deputados e senadores. Muitos acham que Lula deveria dar muita coisa em troca da aprovação do nome dele para o Supremo”.

OS governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos), Cláudio Castro (PL) e Renato Casagrande (PSB), gestores de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo respectivamente, tiveram um momento de descontração durante o coquetel da 9ª edição do encontro do Consórcio de Integração Sul e Sudeste, no final de semana passada. Os chefes do Executivo, depois da apresentação do cantor Latino, resolveram cantar músicas conhecidas de Sidney Magal, entre elas, a famosa Cigana Sandra Rosa Madalena e também Meu sangue ferve por você. Quem estava lá achou que cantar não é exatamente o forte deles.

COMO o general aposentado Walter Braga Netto, que recebe um salário do PL (R$ 26 mil por mês), já avisou que não será candidato à prefeitura do Rio, Valdemar Costa Neto, dono do partido, agora quer lançar a candidatura do deputado federal Alexandre Ramagem para impedir a reeleição de Eduardo Paes. Ele foi ex-diretor da Abin, no governo Bolsonaro e está no centro do esquema de espionagem da Agência Brasileira de Inteligência na gestão do Capitão. Até nomes fortes do PL estão considerando a alternativa de Valdemar um delírio, mesmo se passageiro. 

EX-diretor do Credit Suisse e atual dono do QMS Capital, Marcelo Kayath, poderá ser indicado para a diretoria internacional do Banco Central, que ficará vaga a partir de 1º de janeiro. Se for escolhido por Fernando Haddad, vira quase automaticamente uma nova opção do governo (a outra é Gabriel Galípolo) para suceder Roberto Campos Neto, cujo mandato termina em dezembro de 2024, à presidência do BC. 

 

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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