Colunistas

Cláudio Humberto

"Afinal, existe algum corrupto preso no Brasil hoje?"

Deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), com lanterna na popa, após absolvição de Zé Dirceu

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Oposição cobra imagens secretas do rolo em Roma

Seis meses depois do fato, a oposição voltou a cobrar as imagens de 14 de julho do aeroporto de Roma que documentam o barraco ocorrido entre brasileiros e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ele alegou à Polícia Federal que sua família foi vítima de agressão.

Os acusados negam. Colega de Moraes, Dias Toffoli decretou “sigilo”. “Neste incidente tem muita coisa obscura, falta transparência. Cadê as imagens?”, cobrou ontem o deputado Bibo Nunes (PL-RS).

Gerando desconfiança

“Queremos a verdade. O que se tem a esconder nesse caso?”, diz Nunes, insistindo nas imagens enviadas pelas autoridades italianas.

Principal interessado

Já José Nelto (PP-GO) pondera que “a mentira só dura enquanto a verdade não chega” e que o ministro deveria incentivar a divulgação.

Verdade obrigatória

Para Nelto, “Se ele [Moraes] é o ofendido, precisa tornar tudo claro, tem obrigação de permitir a divulgação das imagens, sem falsear a verdade”.

Peritos mantidos de fora

O deputado pede a perícia reclamada pela APCF, associação de peritos federais, que lembrou em nota ser esse um trabalho especializado.

PSB quer Botelho em lugar de Cappelli na Justiça

Correndo o risco de ficar sem nada, confirmada a saída de Flávio Dino do Ministério da Justiça e Segurança Pública rumo ao STF, o PSB cisca nomes para manter o controle da pasta. Hoje, são remotas as chances de Ricardo Cappelli, secretário-executivo do MJ, assumir o ministério.

É intensa a fritura do PT contra Cappelli, que vê ambição eleitoral no assessor. Como alternativa, o PSB prepara um nome de dentro do ministério, Augusto de Arruda Botelho, secretário nacional de Justiça.

Enche os olhos

Botelho foi estagiário de Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula. É crítico da Lava Jato e pró-descriminalização das drogas.

Ambição imperdoável

O PT não perdoa a chance de Cappelli se aventurar na disputa pelo Governo do DF ou até uma vaga como senador, também pelo DF.

Zebra

Além do PT e do PSB, corre por fora o nome de Ricardo Lewandowski. O ministro aposentado do STF até integrou comitiva de Lula para a COP28.

Remédio para baderna

O deputado Ricardo Salles (PL-SP) deu a receita para resolver baderna promovida na Alesp contra a aprovação da venda da Sabesp: “bala de borracha, cachorro e cassetete”. Diz que “resolve que é uma beleza”.

Paraná cresce

O Paraná foi o único estado do Sul do Brasil com salto positivo na produção industrial, 2,9%. O resultado foi celebrado pelo governador Ratinho Jr (PSD), “esse é o Estado de gente que trabalha!”.

CPI da baderna

A selvageria na sessão que aprovou a venda na Sabesp pode virar CPI. O estadual Guto Zacarias (União-SP) já coleta assinaturas, “A ALESP não abaixará a cabeça pra nenhum selvagem travestido de manifestante”

Notícia envelheceu rápido

Pagou mico a mídia hostil ao ex-presidente. Pouco antes do encontro registrado em vídeo, um jornalão tascou: “Bolsonaro chega à argentina para a posse de Milei, mas não sabe se encontrará novo presidente”.

Contribuinte agradece

Convidado para a posse de Javier Milei, eleito presidente da Argentina, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), viaja a Buenos Aires sem dinheiro público: “Faço a viagem com recursos próprios”, disse.

Prates rifado

Um dos trunfos do governo para andar com a mutilação da Lei das Estatais, esquecida em gaveta do Senado, é a cabeça de Jean Paul Prates. O chefão da Petrobras deve ser alijado do cargo em 2024.

O lado de Dino

O deputado federal Delegado Palumbo (MDB-SP) não vê razoabilidade em Flávio Dino, que também é senador, assumir cadeira no STF. O deputado lembra que “políticos tem lado, não são imparciais”.

Soprou, caiu

Vai parar no Ministério Público a milionária árvore de Natal de Niterói, que foi ao chão após ventania. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) acionou a Justiça. Quer punição e ressarcimento dos cofres públicos.

Pensando bem...

...virou triângulo a relação bilateral com a Argentina.

PODER SEM PUDOR

Luva fina

O ex-advogado Roberto Bertholdo, ex-chefe de gabinete na época de José Borba (PR) da liderança do PMDB, passeava pelo Congresso, após resolver uma desavença com um ex-sócio, no início dos anos 2000, e não cansava de explicar a amigos e deputados a mão machucada: “Eu estava de luva para não machucar a mão, mas como ele resistiu e a coisa demorou muito, acho que escolhi uma luva muito fina...”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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