Colunistas

Cláudio Huberto

"Apertem o cinto, o piloto sumiu"

Senador Rogério Marinho (PL-RN) lembrando a comédia para prever "desastre" iminente

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Lula corta programas sociais e turbina arapongagem


A Agência Brasileira de Inteligência (Abin), de arapongagem do governo federal, nada em dinheiro como há muito tempo não ocorria. Enquanto o governo anunciava cortes em programas sociais como Farmácia Popular, autorizou gastos da Abin para R$311,3 milhões até maio. São R$34,9 milhões a mais em relação ao mesmo período de 2023, diz o Siga Brasil, painel mantido pelo Senado para monitorar o Orçamento. A Abin consumiu quase 27% do orçamento da Presidência da República.

Tesoura cega


Lula decidiu retirar R$185 milhões do Farmácia Popular, mas da Abin resolveu suprimir apenas R$17 milhões.

Educação descartada


Enquanto os arapongas celebram, o presidente da República cortou mais R$165,8 milhões do programa de escola de tempo integral

Fogão a lenha


Programa social de grande alcance, turbinado no governo anterior, o Auxílio Gás sofreu corte de impressionantes R$69,7 milhões.

Prenúncio de buracos


A malha rodoviária que não pode ficar sem manutenção, até por razões de segurança, também entrou na série de cortes de Lula.

Simonetti silencia sobre escândalo na OAB-RR


Advogados relataram o constrangimento com o silêncio do presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, sobre o escândalo envolvendo o chefe da seccional da entidade em Roraima, Ednaldo Vidal, denunciado na Paraíba como “funcionário fantasma” por mais de 20 anos. Vidal aparece como agente penitenciário da Paraíba, e até se aposentou como servidor público. A aposentadoria foi anulada, ao menos isso. Procurados pela coluna, Vidal e Simonetti mantiveram constrangedor silêncio.

Juntando poeira


Há representações contra Vidal no Ministério Público e no conselho federal da OAB. Mas tudo dormita na gaveta de Simonetti.

Mão dupla


O detalhe é que, nesta segunda (10), Simonetti será “homenageado” em Roraima: Vidal conseguiu para ele uma medalha na assembleia estadual.

Que lei?


Além de viver em Roraima, Vida acumulou cargos da Defensoria Pública e da Procuradoria enquanto era agente penitenciário, o que a lei proíbe.

MP do Fim da Picada


“O clima, que até já vazou em grupo de deputado do PT, é de 2014, de Dilma 2, de pré-impeachment. É um clima de velório”, afirmou o deputado Kim Kataguiri (União-SP) sobre a MP anti-créditos do agro.

Governo virou carrapato


“O governo está para o agro como o carrapato está para o boi: só parasita e machuca. Outra coincidência é que o carrapato também não tem cérebro”, afirmou à coluna Marcel Van Hattem (Novo-RS).

Goiânia reprova prefeito


O prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Rep), que herdou o cargo após o falecimento de Maguito Vilela (2021), tem taxa de reprovação de 51,58% dos munícipes, segundo o Marca Pesquisas (Reg: TSE/GO- 07896/2024)

Diga X


Viralizou nas redes sociais a armação, gerando grande revolta, do vídeo em que o fotógrafo Ricardo Stuckert orienta Lula a fazer pose em meio a escombros, mostrando o que de fato levou o petista de novo ao RS.

Girão na torcida


Ex-presidente e torcedor apaixonado do Fortaleza, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) promete estar presente no Rei Pelé, neste domingo (9), torcendo pelo seu time na final da Copa do Nordeste, contra o CRB.

Flerte


A deputada Julia Zanatta (PL-SC) mantém diálogo com o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e flerta com partido, caso se confirme sua eventual saída do PL de Jair Bolsonaro.

A ver
Ex-candidato e influenciador nas redes sociais, Pablo Marçal “ficou de pensar”, sem prazo, sobre o convite do deputado Kim Kataguiri (União-SP) para ser vice na sua chapa para disputar a prefeitura de São Paulo.

Trump bombando


A campanha de Donald Trump arrecadou mais de US$200 milhões nos dias seguintes à sua condenação por suposta falsificação de documentos para esconder caso com uma atriz de filmes adultos.

Pensando bem...
...foto posada mostra que, para mentiroso profissional, a tragédia é só um cenário.

PODER SEM PUDOR

 


‘O’ de Oséas


O ex-deputado Oséas Cardoso foi um dos principais líderes políticos da História de Alagoas. Temido e respeitado, foi reconduzido inúmeras vezes à Câmara dos Deputados. Depois fixou residência em Brasília. Ele jamais esqueceu o dia em que compareceu a um comício em Arapiraca, no agreste alagoano, sendo apresentado assim pelo líder local: “Este, todos já conhecem. Suas iniciais falam por ele: “O” de honestidade e “C” de sinceridade. Com a palavra, o dr. Oséas Cardoso!”

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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