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Giba Um

Até o fim de semana do brasileiro, Lula conseguiu estragar.

"...prometeu cerveja, só não disse que ia ser choca, quente e cara. Esse governo vai nos dar a pior ressaca da história", de FLÁVIO BOLSONARO // senador sobre o aumento de 46,3% que cairá sobre cervejas devido ao "imposto do pecado".

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Guardadas as devidas proporções, o Itaú está lidando uma espécie de versão chilena da Americanas. Trata-se da Papelera Dimar, uma das principais distribuidoras de papel do país chileno.

Há uma semelhança entre o scrtipt andino e a rede varejista de Jorge Paulo Lemann e sócios em vários quesitos. Prática criminosa, crise financeira, disputa judicial e no fato do Itaú ser um dos maiores credores da Dimar.

Mais: no caso da chilena, envolvendo seu mais alto executivo, fraude contábil, lucros artificiais e bônus maiores. O Banco vetou recuperação judicial, aumentando o risco de falência. O Itaú responde por 10% do passivo de R$ 55 milhões, nada que se compare à dívida da Americanas, de R$ 4,3 bilhões.

Casamento à vista

A atriz e modelo Erika Januza, 39 anos, está conciliando sua agenda profissional com a gravação dos capítulos finais da novela Dona Beja (sem data definida de estreia), pela plataforma de streaming Max e sua vida pessoal, com preparativos de seu casamento com José Junior, um dos fundadores do projeto Afro Reggae e da série Arcanjo Renegado. Se tudo sair como planejado no segundo semestre deste ano, os noivos trocarão de aliança no Mosteiro de São Bento, no Rio, numa cerimônia celebrada pelo padre que casou os pais dela, fez o batismo e sua primeira comunhão, na cidade de Contagem, onde a atriz nasceu e cresceu. “Sempre quis viver esse momento, uma coisa clássica. Me imaginei entrando na igreja vestida de branco com meu pai me levando. Infelizmente não terei ele, que já se foi, mas ainda quero viver essa tradição. E será com um vestido bem volumoso”. Erika confessa que a parte mais difícil é fazer a lista de convidados, ela precisa reduzir, sua primeira lista tinha 500 nomes. Sobre sua carreira de atriz é enfática: “Quero ser lembrada como uma boa atriz. Gosto muito de trabalhar e ter sonhos. Isso me motiva”.

As cinco grandes na reconstrução

As cinco maiores empresas de construção pesada do país, as chamadas big five, já estão sendo chamadas pelo governo para participarem da reconstrução do Rio Grande do Sul, depois de mais de dez anos atingidas pela ação da Lava Jato. Em 2012, ano que antecedeu o início da operação, a receita total do segmento foi de R$ 138 bilhões. Uma década depois, esse número era de R$ 56 bilhões. Ainda em 2013, o quinteto Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e OAS faturou R$ 28,9 bilhões. No ano passado, voltando aos poucos, a receita somada não chegou a R$ 10 bilhões. Hoje, no Planalto não existe nenhum problema dessas empreiteiras participarem da reconstrução de cidades do Rio Grande do Sul. Ao contrário, poderá marcar o retorno dessas empresas, em larga escala, a obras públicas. Até porque no entorno do presidente Lula é notória a rejeição aos métodos da Lava Jato.

Volta legitimada

A volta ao game das maiores construtoras tem sido legitimada pelo Judiciário, notadamente pelo STF. Em fevereiro, o ministro André Mendonça autorizou todas as empresas que fizeram acordo no âmbito da Lava Jato a renegociar os termos. No mesmo mês, Dias Toffoli suspendeu o pagamento das multas da Odebrecht (hoje OEC). Nos últimos dez meses, OEC e Andrade Gutierrez foram reabilitadas a prestar serviços para a Petrobras. Em 2021, a Álya, ainda com o nome de Queiroz Galvão, venceu licitação das obras no São Francisco de R$ 938 milhões (o primeiro público em sete anos). Os contratos escassearam durante décadas, estavam retornando lentamente e agora podem avançar até pela Petrobras.

O que incomoda

A jornalista Fátima Bernardes, que agora está enfrentando um novo desafio, com seu canal no YouTube e se preparando também para cobertura das Olimpíadas, em um de seus primeiros vídeos respondeu algumas dúvidas, pedidos dos fãs e rebateu algumas críticas também. Uma das perguntas queria saber se as críticas era a coisa que mais a incomodava. Fátima foi direta: “Você acha que eu nunca recebi crítica ao longo da minha carreira? Quer ver só uma coisa que me incomoda? É quando dizem assim: 'a Fátima não gosta de trabalhar'. O que eu sempre disse é que a partir do momento que eu tive o câncer eu repensei o tempo que eu dedicava da minha vida ao trabalho. Por isso eu não queria mais um dia a dia de compromisso depois de 35 anos de trabalho. É a única coisa que me incomoda. Dizer que eu sou bonita, feia, chata, não ligo”.

In – Sapatos femininos de verniz

Out – Sapatos femininos de camurça

Juridiquês e Kama Sutra

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, comparou, novamente a linguagem jurídica ao Kama Sutra, livro indiano sobre comportamento e posições sexuais, que contém imagens eróticas. “Nós já temos muitas dificuldades inevitáveis no Direito para precisarmos piorar”, observou Barroso no lançamento do Anuário da Justiça 2024. “Já falamos coisas como “no aforamento”, “havendo pluralidade de enfiteutas”, “elegeu-se um cabeceu”. Isso é péssimo. “Ou “embargos infringentes” ou “mutuo feneratício”. Sempre que vejo isso me lembro de uma posição do Kama Sutra”.

Três na energia

Neste momento de tragédia no Rio Grande do Sul, a interligação elétrica entre Brasil, Uruguai e Argentina se torna fundamental para garantir suprimento de energia para o estado brasileiro. Em relação ao Uruguai, o transporte de insumo iria pela subestação de Melo, do outro lado da fronteira, à subestação de Candiota (RS). Há uma segunda linha, entre Riviera, no Uruguai, e Santana do Livramento (RS). Na Argentina, corre por uma linha de transmissão entre Rincón Santa Maria, em Corriente e as subestações Garabi I e Garabi II, em Garruchos (RS). E o Ministério de Minas e Energia, se precisar ainda recorre a uma linha que conecta Paso de Los Libres a Uruguaiana.

PÉROLA

“Até o fim de semana do brasileiro, Lula conseguiu estragar. Prometeu cerveja, só não disse que ia ser choca, quente e cara. Esse governo vai nos dar a pior ressaca da história”,

de FLÁVIO BOLSONARO // senador sobre o aumento de 46,3% que cairá sobre cervejas devido ao “imposto do pecado”.

AMEAÇADO - 1

A criação do Ministério Extraordinário para Reconstrução do Rio Grande do Sul colocou o governo Lula em mais um movimento arriscado frente ao Congresso Nacional. A MP que institui a Pasta pode não ser aprovada pelos parlamentares caso entre na pauta de votação. Melhor seria ir empurrando: tem validade de 120 dias. Se a MP for aprovada até o meio do ano, o recesso acrescentaria mais 15 dias de validade ao texto. E Paulo Pimenta teria seu cargo garantido até o final de setembro. A estratégia é ganhar tempo na atuação de Pimenta, cenário considerado possível e favorável.

Ameaçado – 2

Espera-se que no período de vigência da MP, Pimenta consiga ao menos finalizar o plano de reconstrução. Depois da validade do texto o governo poderia encaminhar as ações através de secretarias extraordinárias. Se a MP caducar, a Secretaria Extraordinária , que tem status de ministério, seria remanejada para a Casa Civil. Se a MP entrar em votação e for derrotada, Pimenta voltaria à Secom, deixando o governo sem um plano de reconstrução. Nessa hipótese, é garantida a volta dele a seu antigo posto.

UNIÃO DOS NEGÓCIOS

A Gol está em recuperação judicial nos Estados Unidos e, nos últimos meses, a Azul iniciou conversas para discutir eventual união de negócios. Agora, as duas empresas iniciaram um acordo de cooperação comercial por meio de compartilhamento de voos e os analistas acham que é o primeiro passo para uma possível fusão, mais adiante, entre as duas companhias, embora avaliem que a mudança do modelo de operação deveria ter sido submetida ao Cade (Conselho Administração de Defesa Econômica).

Fora dos eixos

A fala de Fernando Haddad na audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara foi considerada muito ruim. O ministro da Fazenda desandou a dar sinais de mudança da política monetária, fiscal e até na Constituição. Ninguém falava em mudança de meta – mesmo porque fazer isso agora seria dar dois tiros no pé – e Haddad resolveu dizer que a meta de 3% da inflação é “inimaginável” sinalizando até uma inflação de mais de 4,5%. Contudo, o ministro não fala nada sobre meta ampliada, que somente seria conferida em 24 ou 36 meses.

EFEITO RETARDADO

Ainda a performance de Haddad na audiência pública: ele também caiu na tentação de atribuir o ajuste fiscal ao governo anterior, que realizou uma espécie de moratória dos precatórios (o parcelamento dos precatórios foi uma bomba de efeito retardado). Ele ignorou o fato quando criou uma meta de tolerância zero, sabendo que não seria e nem será cumprida. Jair Bolsonaro conseguiu a proeza de furar o teto cinco vezes em quatro anos e a meta do primário estourou em 57% das vezes desde que foi aprovada em 2000.

MISTURA FINA

SERÃO incluídos no Orçamento da União de 2025 R$ 70,7 bilhões em despesas com precatórios (dívidas após decisões definitivas na Justiça), um aumento de 78% em relação aos R$ 60 bilhões deste ano. foram 155.683 precatórios cobrados da União entre abril de 2023 e 2 de abril de 2024, num total de 250.641 beneficiários. São dados do Relatório Despesas com Sentenças Judiciais – Precatórios, publicado pelo Ministério do Planejamento. O relatório mostra que apenas cinco precatórios superam a marca de R$ 1 bilhão – o maior deles chega a R$ 4,7 bilhões – enquanto 98% do total está abaixo de R$ 1 milhão.

JEAN Paul Prates diz, aos mais chegados, que não sabe por que Lula o demitiu da presidência da Petrobras; aos mesmo círculos, o presidente diz que Prates o peitou. E sua raiva em relação a ele era tamanha que, ainda em abril, quando já decidira seu afastamento da estatal, disse a um assessor do primeiro time: “Vou dar uma saída honrosa para Prates. Vou mandá-lo para a Faixa de Gaza como negociador”.

O PT está tentando empurrar o nome do ex-tesoureiro João Vaccari Neto para cima da Funcef, terceiro maior fundo de pensão do país, com mais de R$ 100 bilhões em ativos e 140 mil participantes. O objetivo é acomodá-lo no Conselho de empresas das quais a fundação seja acionista. Quem tem boa memória acha que parece até coisa de inimigo do governo. A eventual indicação de Vaccari seria uma buzina nas mãos da oposição. Em 2017, o ex-tesoureiro foi condenado por fraudes no próprio fundo de pensão da Caixa

A RETOMADA da política de valorização do salário-mínimo nos governos Lula 1 e 2, que prevê reajustes pela inflação mais variação do PIB, está pressionando a Previdência porque cada R$ 1 de aumento eleva as despesas em R$ 400 milhões. Os gastos estão anulando os efeitos da reforma previdenciária de 2019, podendo chegar a R$ 1 trilhão em 2025 e já se fala em nova reforma do próximo governo.

POUCOS dias antes de deixar a presidência do TSE, o ministro Alexandre de Moraes rejeitou recurso de Jair Bolsonaro e do ex-ministro Walter Braga Netto para decisão que os tornaram inelegíveis fosse enviada ao STF. Os ministros também decidiram aplicar multa aos dois: R$ 425.640 para Bolsonaro e R$ 212.820 para Braga Netto. A decisão foi tomada na sexta-feira (24) e tornada pública no domingo (26). Esta semana, Alexandre deixa a presidência do TSE.

Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

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