Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Bolsonaro proibiu Nicolás Maduro de pisar no Brasil"

Vereador Rubinho Nunes (União-SP) sobre tentativa de associar Maduro a Bolsonaro

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Operação da PF não inclui Rui Costa, que foi citado

O ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia Rui Costa não foi incluído entre os 34 mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta (1º) pela Polícia Federal, na investigação da compra respiradores durante a pandemia de covid-19. O governo de Costa, na Bahia, pagou R$48 milhões a Hempcare, empresa de derivados da maconha, por 300 respiradores que nunca foram entregues. A negociação se deu com o Consórcio Nordeste, grupo de governadores presidido por Rui Costa.

Até o pescoço

Bruno Dauster, ex-secretário de governo da Bahia, citou Rui Costa em depoimento à PF, em 2022. Disse que a compra tinha aval do chefe.

Maconha é o negócio

A dona da Hempcare, Cistina Costa Taddeo, fez acordo de delação autorizado pelo ministro Og Fernandes (STJ) e também citou Costa.

Amigão

Cristina até devolveu R$10 milhões da gatunagem. No depoimento da delação, ela contou que o intermediador se dizia amigo de Costa.

Não é comigo

A coluna procurou o chefe da Casa Civil de Lula, que, apesar de escolher não se manifestar, destacou que “não é alvo” da operação.

Janja é ‘espalhafatosa’, diz deputado Alberto Fraga

Para o deputado Alberto Fraga (PL-DF), a primeira-dama Janja é “espalhafatosa” e constrange os brasileiros quando se utiliza da condição de mulher do presidente para “dar carteirada”. Ele citou a exigência de que a petista tivesse honrarias de chefe de Estado na Olimpíada de Paris, apesar de primeira-dama não ser cargo público, nem posição de governo. “É lamentável, é vergonhoso isso”, afirmou Fraga, em entrevista ao podcast Diário do Poder, no Youtube.

Falta articulação

Fraga vê o governo fragilizado. “Só se mantém se o centrão apoiar”, diz ele, lembrando “grandes derrotas” sofridas por Lula no Congresso.

Gosta de aparecer’

“Falta postura” a Janja, segundo Alberto Fraga. “Essa senhora é escandalosa, ela é espalhafatosa, gosta de aparecer”.

Só com CPI

Em relação à possível convocação para “Esbanja” explicar os gastos em Paris na Câmara, Fraga acha que isso só seria factível em uma CPI.

Entra por um ouvido...

Ubiratan Sanderson (PL-RS) pediu ao presidente do TCU, Bruno Dantas, para investigar os ostentosos gastos públicos com a viagem da trupe de Janja a Paris. O deputado logo perceberá que prega no deserto.

Morosidade não é do TJ

O presidente Aprosoja-PI, Alzir Neto não criticou o Tribunal de Justiça e sim, como informou esta coluna, outras autoridades pela morosidade no combate ao roubo de terras alterando-se a geolocalização no Incra. Alzir fez as declarações ao jornalista Lucas Valença, para o Jornal de Brasília.

Lembra da pandemia?

O número de casos de covid está em um dos menores índices do ano, com pouco mais de 6 mil novas incidências na semana passada. Mas no total de 2024 já são mais de 640 mil casos em todo o País.

É ou não é?

O deputado Kim Kataguiri (União-SP) foi massacrado nas redes sociais após publicação sugerir que estava liberado homem bater em mulher na Olimpíada ao citar uma atleta supostamente trans... só que não era.

Deu ruim

O mais novo desafeto do eleitorado bolsonarista é o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), que, eleito na onda de Jair Bolsonaro, achou que seria uma boa ideia rasgar elogios ao presidente Lula.

Indefensável

Nem o “repetista” e líder de Lula no Congresso, Randolfe Rodrigues (AP), topou bajular Nicolás Maduro, da Venezuela. Sem defender o indefensável, destoou do PT e questionou a eleição do ditador.

Pinóquio

José Medeiros (PL-MT) resume a passagem de Lula pelo Estado, “Ele mentiu e mentiu muito” ao fazer entrega de moradias. O deputado diz que Lula deixou um cemitério de casas sem terminar em outras gestões.

Só lacração

O deputado Zucco (PL-RS) criticou vídeo lacração Paulo Pimenta (Reconstrução do RS) sobre debate com Jair Bolsonaro. Diz que o ministro, que poderia estar ajudando, parece estar com tempo de sobra.

Pensando bem...

...tanto tempo Maduro acabou apodrecido.

PODER SEM PUDOR

Picolé de brasileiro

Choviam convites internacionais após a posse de Aldo Rebelo na presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) nos anos 1980. Foi a Moscou, cujo governo, então soviético, não inspirava confiança ao militante do PCdoB. Rebelo via na turma do Kremlin uns revisionistas. Ao desembarcar, um solícito soviético insistiu para que ele vestisse casaco térmico. Camarada Aldo recusou, achando-se agasalhado, e ganhou a rua. Não deu um passo depois disso. Repentinamente, perdera todos os movimentos. A temperatura, em Moscou, estava a 39 graus negativos. O brasileiro, sob a insuficiente lã dos velhos agasalhos, parecia congelado. Solícito, o russo jogou sobre ele o feioso, porém eficiente, abrigo térmico. Aos poucos, o presidente da UNE foi recuperando a mobilidade. Aldo ficou devendo esse favor à camarilha revisionista soviética.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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