A tarefa, para quem ama, é uma obra que jamais termina. Continua sempre. E haverá algo a fazer, a construir e a cultivar. Essa tarefa é iniciativa pessoal e comunitária. O zelo será necessário para ocupar a iniciativa de cada qual. Ninguém poderá se omitir. Caso contrário, sobrará apenas para alguns mais atentos, mais prestativos e mais corajosos.
De acordo com a palavra de Deus, existe uma casa, um templo a ser organizado e cuidado. É o Templo de cada ser humano. Todo ele precisa ser cuidado e zelado, pois é o templo que abriga a pessoa do Deus vivo e verdadeiro.
Seja rico ou pobre, seja grande ou pequeno, seja desenvolvido ou limitado, seja como for, necessita de cuidados especiais e pessoais. Assim sendo, todo ser humano necessita ser cuidadoso com os demais, formando uma comunidade viva e solidária. Uns em harmonia com os demais.
O Mestre dos mestres, em sua peregrinação por esse mundo, já integrado junto ao povo simples e humilde, quer revelar o tanto que o Pai Eterno ama esse seu povo. Em um determinado dia, vai até o templo de Jerusalém, lugar de oração, de estudo do livro sagrado e ambiente de acolhida aos peregrinos e auxílio aos pobres.
Estava próxima a festa dos judeus em comemoração à libertação da escravidão para a liberdade e a posse da terra, promessa e esperança do povo sofrido e explorado.
Em lugar da oração, encontra vendedores, cambistas e comerciantes se aproveitando da religiosidade popular, explorando esse povo. E o que fez? Fez um chicote de cordas e expulsou a todos com seus objetos e suas mercadorias (Jo. 2, 12-25).
Diante desse fato e alertando que estamos em tempo de Quaresma, torna-se merecedora de atenção nossa atitude de purificação interior e conversão de nossos atos. Surge o convite de transformar os nossos medos de condenação em esperança de vida nova.
Chegou o tempo de, apesar da boa vontade, abandonar o desânimo e abraçar novos sonhos. O mundo precisa libertar-se do amargo das guerras e semear a alegria do amor.
A humanidade precisa urgentemente purificar seu semblante de inveja e transparecer um semblante de serenidade e de paz, de alegria e de conforto.
Existem muitos rostos carcomidos pela fome, pelos maus-tratos, pela exploração e necessitados de serem tratados com carinho, respeito e bondade. São ainda muitos os seres humanos marcados para morrer de morte violenta, expressão de vingança.
São ainda muitas as crianças violentadas, exploradas e mortas pela ganância do prazer destruidor de sonhos e de atos desumanos e assassinos. São crianças inocentes pagando por atos diabólicos.
São também muitos os jovens sendo aprisionados em seus vícios e algemados em sua dignidade, amordaçados em suas esperanças.
Essa humanidade inocente aguarda esperançosa o dia em que poderá sentar no colo materno e paterno de Deus e celebrar a ceia da solidariedade e do amor, com a certeza de que a paz existe, o amor é possível e a felicidade será o sol aquecendo os corações e iluminando a certeza da comunhão com Deus eternamente.




