Colunistas

Cláudio Humberto

"Desde quando precisamos pedir desculpas por dizer a verdade?"

Javier Milei, presidente da Argentina, ao negar retratação por chamar Lula de corrupto

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Marina culpava governo pelo fogo, agora é ‘o clima’

Em vez de tentar fazer uso político dos incêndios no Pantanal, o governo Lula (PT) deveria procurar quem entende do assunto. Caso de Evaristo de Miranda, ex-diretor da Embrapa, doutor em ecologia e dono de um dos mais completos currículos no setor. Ele explicou ao programa Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes/BandNews TV, que favorece a propagação do fogo o fato de a região ser muito seca nesta época. Até parece semiárido. Tem vegetação própria da caatinga, como umbuzeiro.

Culpa do governo

Evaristo lembrou que Marina Silva (Meio Ambiente) até 2020 dizia que o fogo no Pantanal era “culpa do governo”, agora culpa “o clima”.

Clima oposicionista

Como cientista, não tolera o aproveitamento político desses fenômenos. lembrando a mudança “inacreditável” de discurso de Marina & cia.

Coisa de índio

Evaristo confirmou que no cerrado há 4 vezes mais focos de fogo, mas provocado em áreas indígenas controladas pelo governo.

Agricultura salvadora

Sobretudo em razão da moderna tecnologia agrícola, o fogo só atinge algumas áreas do cerrado, região que ocupa um quarto do Brasil.

Aluguel de prédio pelo Serpro levanta suspeita

Arrumaram mais uma dor de cabeça para o ministro Fernando Haddad (Fazenda), à margem dos pacotes de maldades na economia. Sobrou para ele explicar uma bola nas próprias costas: o rico aluguel de um prédio, no Rio de Janeiro, para alojar o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados). Tudo seria banal não fosse o detalhe de que o Serpro tem prédio próprio (e suficiente) na cidade do Rio de Janeiro.

Explicações

O deputado Luciano Vieira (Rep-RJ) recebeu a denúncia e pediu explicações a Haddad, superior hierárquico do Serpro.

Coisa obscura

Vieira ainda cobrou os contratos e os respectivos valores, já que o Serpro as esconde, disponibilizando apenas informações gerais.

Cri, cri, cri...

A coluna pediu explicações ao Serpro sobre a denúncia de abandono do próprio prédio e o aluguel. Evitaram esclarecer. O espaço segue aberto.

Que Congresso que nada

A coisa nem aconteceu e o ativo STF, via ministro Luís Roberto Barroso, já disse que eventual anistia a condenados pelo 8 de janeiro pode ser revista pela corte, que é “quem interpreta a Constituição”, afirmou.

O impasse vem aí

Aprovada e promulgada a PEC Antidrogas, como se prevê, fixando que é crime a posse de drogas em qualquer quantidade, o Brasil viverá um impasse institucional sobre o que irá prevalecer: o texto constitucional ou a decisão lacradora dos ministros do STF.

Parlamento acovardado

Eduardo Girão (Novo-CE) cobrou reação e abertura de impeachment contra ministros do STF após liberação das drogas. Questiona se esta legislatura será a mais covarde de 200 anos de História do Senado.

Rotina suspeita

Na oposição, já há quem desconfie da rotina de declarações de Lula (PT) que afetam diretamente o mercado financeiro. Acham que tem gente ganhando dinheiro “prevendo” a queda da bolsa e os aumentos do dólar.

Sem refresco

Lula não deu refresco na cobrança da “taxa das blusinhas” que, apesar de encher os cofres do governo, finge ser contra, apostando na memória curta da mídia, que não lembra seu anúncio da taxação há 1 ano. Cobrar imposto dos pobres em compras até US$50 começa em 1º de agosto.

Nova lorota

Simone Tebet (Planejamento) vai à Comissão de Infraestrutura do Senado, terça (2), explicar o “novo PAC”, criado para permitir que Lula roube o protagonismo de obras bancadas por estados e municípios.

Pizza indigesta

Causa espécie robusta investigação da Polícia Federal mandar para o xilindró o ex-CEO da Americanas Miguel Gutierrez comparada à CPI da Câmara, que não responsabilizou ninguém pela falcatrua.

Vai passar

Chegou na Assembleia Legislativa da Bahia proposta do Tribunal de Justiça do Estado que altera a estrutura da corte e cria cargos para gabinetes dos juízes. Não corre o risco de não ser aprovada.

Pensando bem...

...o clima ruim tem sentido duplo no caso do Ministério do Ambiente.

PODER SEM PUDOR

Alkimin, a raposa

A raposa mineira José Maria Alkimin visitava o interior quando encontrou um velho correligionário, dono do jornal local: “Como vai O Combate?” O homem corrigiu: “Não é O Combate, deputado, é O Debate”... Alkimin nunca perdia o rebolado: “Ora, eu sei! Refiro-me ao seu combate no “O Debate”... O dono do jornal aquiesceu: “Apesar das dificuldades, vai muito bem, deputado.” Alkimin continuou, incorrigível: “Leio seu jornal todos os dias, amigo!” Nova mancada: “Mas, senhor, o jornal é semanal...” e a raposa não se deu por vencido: “É claro que é semanal. Eu sei! Todas as semanas pergunto para minha secretária: ‘Cadê O Debate?’. É que ele é tão bom que eu acabo lendo todos os dias. Está sempre na minha cabeceira.”

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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