Colunistas

GIBA UM

"Diante das revelações de Delgatti, a prisão preventiva de Jair Bolsonaro é uma perspectiva real"

de MURILO ARAGÃO // ex-ministro da Justiça.

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A minirreforma ministerial prometida por Lula agora ficou para setembro e o resultado poderá se equiparado ao número de pastas da primeira gestão de Dilma Rousseff. Lula começou o terceiro mandato com 37 ministros, como Dilma.

Mais:  só que Dilma criou a Secretaria de Aviação Civil passando a ter 38 com três meses de governo. Lula deverá criar o Ministério da Micro e Pequena Empresa e poderá acomodar Márcio França que deixará a Pasta de Portos e Aeroportos para o Centrão.

In - Suflé de escarola

Out - Quiche de escarola

Petróleo em pauta

O petróleo terá papel especial na visita de Lula a Angola, nos próximos dias 25 e 26. Os angolanos pretendem buscar investidores no Brasil para atuar na exploração e produção de óleo e gás.

A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis de Angola virá ao Brasil para promover suas futuras rodadas de licitações.

Em setembro, leiloa as bacias terrestres de Kwanza e Congo. A Petrobras já teve operações no continente africano, mais precisamente em Angola, Benin, Gabão, Tanzânia e Namíbia, junto com o BTG. Em 2019, contudo, a Lava Jato investigou suspeitas na venda dos ativos ao banco.  

DISPUTA

Dois ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, estão participando da batalha de escolha de novos integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Os nomes serão definidos por Lula. Toffoli trabalha pelo desembargador Carlos von Adamek, do Tribunal de Justiça de São Paulo e Moraes defende o nome de seu ex-juiz auxiliar Airton Vieira, hoje também desembargador do TJ-SP.

Amanhã, os 30 ministros da Corte farão uma votação para selecionar quatro candidatos e a lista será encaminhada ao presidente para que escolha dois (precisa passar pelo Senado). 

Quer indenização

Miguel Gutierrez, que comandou a Lojas Americanas durante anos, pediu à Câmara de Arbitragem do Mercado a instauração de um arbitramento em sua disputa contra a rede varejista.

Quer que a empresa volte a pagar os advogados dele (parou de pagar em junho) e quer também que seja publicado um novo fato relevante em que a Americanas afirma que ele não cometeu fraude enquanto dirigia a companhia, mais uma indenização por “prejuízos materiais que publicação lhe causou e vier causar” e por danos morais.

Há quem garanta que Gutierrez tem informações especiais sobre Beto Sicupira. 

PARECE FOLHETIM

O ex-juiz Sergio Moro, hoje senador, já se viu às voltas com fantásticas reviravoltas que dominam a cena nacional.

Como senador, interrogou Cristiano Zanin (hoje, ministro do STF) que foi seu inimigo na defesa de Lula (Moro poderia estar no seu lugar na Alta Corte).

Quando Walter Delgatti Neto estava sendo interrogado no plenário do Senado (entre outros, por Moro), o hacker disse ter visto mensagens do ex-juiz que indicariam que ele era “um criminoso contumaz”. E o senador retrucou dizendo que Delgatti “era tão inocente quanto Lula”. 

PM em 8 de janeiro

Agora, uma operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, com base em investigações da Polícia Federal Rodoviária, acabou prendendo cinco integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal, sob suspeita de facilitarem os atos de 8 de janeiro (outros dois já estavam presos).

Tem de tudo: comandante geral, ex-comandante, ex-chefe de Departamento de Operações, ex-chefe do Policiamento regional, ex-comandante em exercício do batalhão que atua na Esplanada, entre outros.

As mensagens trocadas são recheadas de teor golpista: fala-se em “comunismo novamente”, “Lula vagabundo, marginal, criminoso e bandido”, “é só deixar invadir o Congresso” e por aí vai.

Fotos: Reprodução

 
Inspiração familiar

A atriz Bárbara Reis aos 33 anos alcançou sua primeira protagonista e em horário nobre. Antes de interpretar Aline de Terra e Paixão, Bárbara ganhou destaque ao interpretar Débora uma das vilãs na série Todas as Flores.

Capa da revista Marie Claire Brasil pouca gente sabe que ela tem como inspiração tanto na vida profissional como na pessoal em membros de sua família.

Para ser atriz se inspirou na irmã mais velha, quando aos 12 anos viu ela atuar; e nos pais como um casal que sempre demonstrou apoio um no outro, por isso faz questão de acordar as 5h todas as manhãs e tomar café da manhã com seu noivo, o preparador físico, bailarino e também ator Raphael Najan.

Sobre seu trabalho e o auge do protagonismo negro na TV ela fala: “A televisão é uma porta de construção de imagem, o que se vê ali acaba virando desejo. Essa onda de protagonismo negro é histórica. Finalmente, as pessoas entenderam a imagem positiva do corpo negro”.

Ao ser questionada se vê como sexy symbol ela responde: “Me considero uma mulher sensual, mas recuso esse rótulo. Sempre pondero sobre como gostaria de ser vista. Sou uma mulher preta e esse é um dos estereótipos ligados a nós, que somos sempre objetificadas. Não quero ser encarada só como um corpo sensual”. 

Golpe da “vaquinha”

A Polícia Federal agora vai tirar a limpo a história da “vaquinha” de R$ 17 milhões que seguidores de Jair Bolsonaro teriam despejado em sua conta para pagar multas de mais de R$ 1 milhão por não cumprir regras sanitárias na época da covid-19.

Essa nova investigação será possível depois da quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-presidente e de sua mulher Michelle Bolsonaro.

A PF começa a achar que a “vaquinha” nunca existiu e que pode ter sido uma alternativa encontrada para esquentar ou lavar dinheiro vivo, misturando-se na origem desde rachadinhas até compra de imóveis.

Mais: R$ 12 milhões teriam passado pelas contas de Mauro Cid e outros militares da Ajudância de Ordens. Nessa nova etapa de ações suspeitas, juntando joias, a ordem é dizer que os presente são “personalíssimos”, de acordo com modificação da lei decretada pelo governo de Michel Temer.

De um lado, o ex-presidente Jair Bolsonaro agora insiste na tese de que só movimentou “presentes personalíssimos” e dentro da lei, conforme orientação de seu advogado Paulo da Cunha Bueno.

E acrescenta que Mauro Cid tinha “autonomia” para fazer o que quisesse com as joias recebidas, garantindo que “não mandou ninguém vender nada”.

Valdemar Costa Neto, dono do PL, era contra essa saída porque é fácil de ser derrubada na justiça – e ninguém acreditou.

Por outro lado, liberou Michelle para manter seu roteiro de viagens pelo PL Mulher. Apenas não serão permitidos jornalistas nas reuniões.

Raízes italiana

Depois de fazer muito sucesso em terras italianas, o estilista sergipano Iran Costa resolveu voltar ao Brasil e criou sua própria marca: a ‘La Gea’, que está comemorando dois anos,  com o lançamento da coleção verão 24.

As novas peças segundo o estilista é uma mistura do Brasil com a Itália. Para estrelar a campanha Iran convidou a super modelo Isabeli Fontana, que vibrou: “Esta coleção tem uma identificação forte comigo: sou apaixonada pelo mar, sol e tenho um histórico familiar com a Itália.Então, de alguma forma, ela acaba me representando também! Sou uma canceriana solar que precisa da fluidez das águas para me energizar e de belezas paradisíacas como as dos balneários italianos. Para quem não sabe, eu me tornei cidadã italiana e cada vez mais tenho me conectado ao país. O resultado de todas essas conexões se traduz nessa coleção da La Gea”.

Sumido

No depoimento do hacker Walter Delgatti Neto, apresentado pela deputada Carla Zambelli ao ex-presidente, ele afirma que se reuniu quatro vezes com o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, para acompanhar a formação de material de combate às urnas eletrônicas para encontrar fáceis caminhos para fraudes.

O atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, também já confirmou esses encontros. Ou seja: o ex-ministro Paulo Sérgio precisa dar explicações ao Congresso.

Os analistas lembram que ele gostava de aparecer quando estava no cargo. Agora, anda mais do que sumido.

Dose dupla

O iFood, que havia escalado Romero Jucá,  ex-assessor e ex-líder do Congresso no governo de Michel Temer, como lobista em Brasília, acaba de contratar José Dirceu para participar do mesmo time.

Entre assuntos favoritos da empresa está a regulação dos motoboys, das empresas de delivery e o programa de alimentação ao trabalhador. Traduzindo: Dirceu aumentará suas circuladas em Brasília.

Petróleo em pauta

O petróleo terá papel especial na visita de Lula a Angola, nos próximos dias 25 e 26. Os angolanos pretendem buscar investidores no Brasil para atuar na exploração e produção de óleo e gás.

A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis de Angola virá ao Brasil para promover suas futuras rodadas de licitações.

Em setembro, leiloa as bacias terrestres de Kwanza e Congo. A Petrobras já teve operações no continente africano, mais precisamente em Angola, Benin, Gabão, Tanzânia e Namíbia, junto com o BTG.

Em 2019, contudo, a Lava Jato investigou suspeitas na venda dos ativos ao banco.

Esperando coração

O apresentador Fausto Silva pode ter de esperar de 12 a 18 meses por um transplante de coração, de acordo com a fila do SUS que hoje tem nada menos do que 40 mil pessoas aguardando transplante em geral, destas 386 esperam por um coração.

Crianças têm prioridade e Faustão tem 73 anos. O tipo sanguíneo e a gravidade do caso são também levados em consideração para a definição de quem deve ser priorizado.

Outro fator é a localização. É necessário entender o tempo de duração do órgão fora do corpo. Dependendo, seria preciso um avião para o transporte até o destino. 

CARAVANA

Lula embarcou para a Cúpula dos Brics na África do Sul. Desde o início de seu terceiro mandato, o petista já passou por 16 países em pouco mais de oito meses.

E levou junto os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Anielle Franco (Igualdade Racial).

Nas redes sociais, Lula disse estar “entusiasmado com o potencial do Brasil em seu retorno ao cenário internacional”. Depois da África do Sul, Lula irá a Angola e São Tomé e Príncipe. No fim da viagem, terá completado 19 países visitados desde o início do mandato.

MISTURA FINA

O GOVERNO Lula quer trazer de volta o imposto sindical, cuja extinção foi um dos principais pontos da reforma trabalhista. O ministro Luiz Marinho (Trabalho) prepara proposta que fixará teto de 1% do rendimento atual do trabalhador, a ser descontado em folha.

Será três vezes o que era cobrado quando havia o imposto sindical. O presidente receberá o estudo no final do mês e há quem aposte que ele  decrete o retorno da cobrança já em setembro.

COM oito meses de governo Lula, as transferências especiais, que ficaram conhecidas como “emendas pix” já somam R$ 6,6 bilhões.

Só no começo de 2023, o valor do dispositivo supera a soma dos três anos anteriores (gestão Bolsonaro) e no ano passado, a destinação de emendas ficou em R$ 3,4 bilhões.

O Planalto tem usado o recurso às vésperas de votações de interesse do governo, como a reforma tributária. 

RELATOR da CPI do MST, o deputado Ricardo Salles (PL-SP) deverá pedir em seu relatório final o indiciamento do líder sem-teto, José Rainha, da frente Nacional de Luta Campo e Cidade.

Por enquanto, ainda há dúvidas se haverá indiciamento na mesma linha para João Paulo Stédile, líder do MST.

A acusação é que líderes dos grupos utilizaram a liberações de terras e a autoridade dentro dos assentos para ganhos políticos e econômicos. 

O EMBAIXADOR aposentado Celso Amorim, 81 anos, assessor especial de assuntos internacionais de Lula (seu objetivo principal é passar por cima do ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores), esteve em Havana com o atual chefe da ditadura cubana Miguel Diaz-Canel.

Lula esteve recentemente com ele em Paris e diplomatas afirmam que o presidente brasileiro prometeu dinheiro para Cuba. 

DADOS levantados pela Embratur nos Estados Unidos: o Rio de Janeiro é a cidade brasileira mais conhecida no mundo, 27% mais menções do que São Paulo, a segunda colocada. Só que é a capital paulista a porta de estrangeiros no Brasil.

De janeiro a abril, deste ano, 769,2 mil turistas de fora do país desembarcaram em São Paulo contra 474,3 mil no Rio. 

O LABORARÓRIO Fleury quer entrar no setor de educação. O projeto inclui a criação de uma faculdade de medicina e também de cursos de formação de profissionais do setor de saúde.

Um dos modelos avaliados é montar uma empresa à parte, o que permitiria a entrada de investidores no capital.

O Fleury já teria iniciado conversas junto ao Ministério da Educação, em busca de autorização para a abertura de uma instituição de ensino superior.

Depois de cinco anos (um de governo Temer e quatro de Bolsonaro) a Pasta voltou a permitir a criação de faculdades de medicina no país.

Hoje, existem 389 escolas médicas em atividade no Brasil, em 250 municípios e 40 mil vagas por ano.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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