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Giba Um

"Do ponto de vista do dinheiro, eu estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém..

...muito menos do Master ou do Augusto Lima, então estou à vontade. E minha relação com Daniel Vorcaro é praticamente zero", de Jaques Wagner, senador acusado, apostando ser acreditado.

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Dono da segunda maior fatia do Fundo Eleitoral, o PT deve reservar R$ 105 milhões para a campanha de reeleição do presidente Lula. A quantia, destinada apenas ao primeiro turno, representa o teto estimado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O limite estabelecido em 2022, de R$ 88,9 milhões.

Mais: a maioria dos empresários que atua nesse mercado aponta um fator extra para o superaumento: a popularização das canetas emagrecedoras. Efeitos colaterais do medicamento, como redução de apetite e náusea, tornam shakes proteicos atrativos para ingestão de proteína.

Mais madura

Após um tempo distante das novelas, Isabelle Drummond voltou à telinha com ‘Naiane’, em ’Coração Acelerado’, com uma nova visão. Nesse intervalo, dedicou-se a atuar, dirigir e produzir, além de explorar diferentes formas de contar histórias. “Voltar agora é como reencontrar algo que sempre fez parte de mim.” A atriz reflete sobre seu desenvolvimento pessoal, enfatizando que aprendeu a lidar melhor com suas escolhas, sua saúde emocional e as expectativas dos outros. “Hoje me sinto mais inteira, mais segura e menos preocupada em agradar todo mundo.”

Reservada por natureza e discreta, valoriza a liberdade de aproveitar momentos simples longe do olhar da imprensa. O suporte de seus pais foi crucial para que ela mantivesse o foco. “Eles me ensinaram que o trabalho é importante, mas não define quem somos.” Com relação aos relacionamentos, defende a importância do respeito, da admiração e da individualidade. Quando fala sobre a maternidade, expressa-se com tranquilidade: “É uma possibilidade bonita da vida, mas cada mulher tem seu próprio caminho e seu próprio tempo.” Ela menciona que prioriza a paz em sua vida e aborda o envelhecimento com calma. Quanto à aposentadoria, não faz planos. “Quero continuar trabalhando com propósito, explorando novos projetos e vivendo de forma equilibrada, fiel a quem eu sou”.

Olho nas agências: operação tartaruga

O governo tenta articular com Hugo Motta uma espécie de operação tartaruga para adiar ao máximo a votação, na Câmara, do projeto que blinda o orçamento das agências reguladoras contra bloqueios e contingenciamentos. A proposta já passou pelo Senado, onde foi aprovada por 51 votos contra 17, acirrando a disputa entre o Planalto e o Congresso em torno do controle das despesas públicas.

O projeto tira do Executivo uma ferramenta de administração orçamentária que tem sido usada a torto e a direito. No fim de maio, por exemplo, o governo bloqueou mais de R$ 300 milhões das agências reguladoras dentro do contingenciamento de R$ 2,7 bilhões para cumprir as metas do arcabouço fiscal. O Planalto e a Fazenda temem o efeito dominó. Se as agências forem blindadas, outros órgãos poderão pedir tratamento semelhante. O governo joga suas fichas em Hugo Motta para uma tramitação bem lenta na Câmara, com passagem por comissões e pedidos de audiência, entre outros expedientes procrastinadores. Olho vivo.

Impedindo ataques

Na quinta-feira passada (18), a decisão de Davi Alcolumbre de suspender a sessão do Congresso, alegando que havia baixa expectativa de quórum, foi entendida na Casa como uma demonstração de solidariedade a Jaques Wagner (ele considerou uma "execração pública"), que certamente seria alvo de fortes ataques por parte da oposição. Ele disse "não comemorar operações contra integrantes do PT nem do PL". Por outro lado, ao agir dessa maneira, Alcolumbre avisava os parlamentares de que esperaria solidariedade igual caso fosse vítima de operação semelhante. Alguém ironizou: "Alcolumbre não dorme de touca".

Beleza de família

Depois do impressionante visual de Kate Middleton, que apareceu ao lado do príncipe William vestindo um elegante vestido amarelo-ouro no Royal Ascot, as gêmeas Lady Amelia e Lady Eliza Spencer também se destacaram. As sobrinhas da princesa Diana foram vistas no tradicional evento com sofisticados trajes cor-de-rosa que evidenciavam sua sintonia, mostrando sua relevância no mundo da moda. Lady Eliza escolheu um vestido refinado, adornado com acessórios discretos em tons de rosa, enquanto Lady Amelia optou por uma peça romântica em rosa-bebê, combinada com uma bolsa branca, remetendo ao estilo de Kate.

Filhas de Charles Spencer, 9º Conde Spencer, e de sua primeira esposa, Victoria Lockwood, as irmãs também são reconhecidas por suas participações no universo da moda, ajudando a manter o legado estiloso da família Spencer. Elas atuam como modelos e influenciadoras digitais e, junto com a irmã mais velha, Kitty Spencer, costumam comparecer a eventos de moda e estreias de cinema. Entre outros membros da realeza presentes nas corridas estavam o Rei Charles III, a Rainha Camilla, a Princesa Anne, Zara Tindall e o Príncipe Edward.

Almanaque

Para quem tem a memória curta: Alcolumbre, segundo Vorcaro, levou US$ 30 milhões em propinas (cerca de R$ 155 milhões) e, até agora, não tem sido investigado no Amapá por levar o fundo de pensão do estado a alocar R$ 400 milhões em papéis da instituição. Ele também tem segurado a criação da CPI do Master. Recusou ler requerimentos sobre abertura de CPIs porque fica "a juízo do presidente", ou seja, ele próprio. O denunciado Jaques Wagner é o mesmo que tem se empenhado na recuperação das relações entre Alcolumbre e Lula, rompidas diante da rejeição de Jorge Messias para o Supremo.

Alerta no painel

No Ministério dos Portos e Aeroportos, há grande temor de que a última licitação aeroportuária do Lula 3 vire um mico. As primeiras sondagens indicam falta de candidatos para o leilão do Aeroporto de Brasília. E há novas regras: o vencedor terá de assumir também outros 10 terminais regionais espalhados por Mato Grosso do Sul, Paraná e Bahia, além de investimentos obrigatórios estimados em R$ 1,2 bilhão em Brasília e R$ 858 milhões nos aeroportos regionais.

Pérola

"Do ponto de vista do dinheiro, eu estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima, então estou à vontade. E minha relação com Daniel Vorcaro é praticamente zero", de Jaques Wagner, senador acusado, apostando ser acreditado.

Terrorista no Planalto 1

A resistência de Lula e de petistas em reconhecer como terroristas grupos que boa parte do mundo declara como tal é antiga. Até hoje, por exemplo, Lula e seus seguidores próximos não reconhecem como terrorista o Hamas, com registros de decapitações e violência sexual. Militante do grupo, Sayid Tenório foi recebido no Palácio do Planalto por Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde, à época nas Relações Institucionais de Lula. Sem constrangimento, há até foto da militante com a ex-presidente Dilma.

Terrorista no Planalto 2

Lula é considerado reincidente. Chamou traficantes de "vítimas dos usuários" e, no caso do PCC e do CV, declarou "estar muito triste" pela classificação como terroristas. Para Randolfe Rodrigues (AP), atos terroristas são como a quebradeira registrada em Brasília, em dezembro de 2022. Lindbergh Farias, ex-líder de Lula na Câmara, também viu "terrorismo" quando Carla Zambelli empunhou uma arma contra um homem na rua. E Gleisi Hoffmann também já chamou os manifestantes do 8 de janeiro de terroristas.

"Caixa para luxos" 1

Relatórios da PF apontam que Daniel Vorcaro recebeu planilhas de despesas com aviões particulares, imóveis e galerias de arte que chegaram a R$ 114,6 milhões em apenas cinco meses de 2025. As informações estão numa contabilidade paralela enviada a ele por Fabiano Zettel e Ana Claudia Paiva, "operadores financeiros" do ex-banqueiro. No documento, Luiz Phillipi Machado de Mourão, o "Sicário", recebia repasses de R$ 1 milhão mensalmente para manter uma milícia privada destinada a proteger Daniel e intimidar desafetos.

"Caixa para luxos" 2

Nas planilhas, também há citação de pagamentos a duas galerias de arte de São Paulo, num total de R$ 29,8 milhões, e "despesas de aeronaves" na ordem de R$ 11,8 milhões. A PF diz que Vorcaro usava obras de arte para lavar dinheiro. O clã Vorcaro investia em imóveis de luxo pelo Brasil. Um deles era a mansão de R$ 36 milhões no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Vorcaro e Zettel estão presos, Mourão se suicidou na prisão e Ana Claudia foi alvo de busca e apreensão.

Chuteiras cor-de-rosa

Quem acompanha os jogos da Copa já notou uma estranha coincidência: a grande maioria dos jogadores está calçando chuteiras cor-de-rosa. A tendência, que não surgiu de uma única empresa, resultou em aumento expressivo das vendas do calçado esportivo depois do início da competição. Nike, Adidas, Puma e New Balance lançaram coleções para a Copa apostando em modelos com tons parecidos. O fenômeno é chamado de "commodity criativa", quando um produto perde exclusividade. Fator favorável: nenhuma das seleções tem uniforme rosa. O uso do rosa por jogadores, a propósito, estimula revisões em questões de gênero.

Quem mais fatura

Galvão Bueno é a figura esportiva que mais fechou contratos para comerciais durante o período do Mundial de seleções. Segundo levantamento das agências, foram 11 acordos assinados. O segundo lugar é de Ronaldo Fenômeno, com oito. O ex-lateral Cafu, capitão do penta, vem em seguida, com seis. Até o técnico Carlo Ancelotti também acertou bom contrato de publicidade, envergando um copo de cerveja ao lado de Ronaldo, cruzando os dois dedos da mão.

Mistura Fina

Os ministros do TCU estão decididos a passar por cima da área técnica da própria Corte no caso do BRB. Dois dos principais "insurretos" são Augusto Nardes e Bruno Dantas. Ambos têm defendido que o Tribunal analise o empréstimo de R$ 6,5 bilhões ao BRB. Segundo parecer dos auditores, o TCU não teria competência para avaliar a operação, atribuição que caberia ao Tribunal de Contas do Distrito Federal.

Nardes e Dantas, no entanto, rezam por outra cartilha e pregam que o caso deve mesmo ser apreciado pelo TCU, uma vez que parte dos recursos da capitalização do BRB sairá dos cofres da União. Os ministros valem-se ainda do argumento de que o caso envolve potenciais reflexos sobre o sistema financeiro, o Fundo Garantidor de Créditos e a atuação dos órgãos federais de supervisão. Trata-se, pelo que se vê, de uma disputa de poder entre o TCU e o Tribunal de Contas do DF.

A derrubada da "poison pill" do Grupo Pão de Açúcar provocou diferentes interpretações no mercado. A mais imediata é que a decisão abre caminho para a família Coelho Diniz, maior acionista da companhia, com 24,9%, assumir uma posição de controle. Entre os investidores, há quem enxergue um segundo cenário: a criação de um Frankenstein societário. A leitura é que a retirada da "poison pill" abre caminho para uma negociação com credores, com chance de os bancos passarem a ter mais de 25% do capital.

O GPA atravessa complexa recuperação extrajudicial envolvendo R$ 4,5 bilhões. Entre os principais credores estão Itaú, BTG Pactual e Rabobank. São os principais candidatos a assumir o comando da rede. Logo atrás dos Coelho Diniz aparece o investidor Silvio Tini, com 24,5%. Some-se o Casino, que tem 20,4% e quer deixar o negócio, mas enfrenta contencioso com o clã mineiro que trava a venda das ações. Ao lado deles, bancos, gestores e credores passaram a ter peso crescente quanto ao futuro da companhia.

In – Coxinha de frango tradicionalOut – Coxinha gourmet

Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

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