Colunistas

Cláudio Humberto

"Em vez de continuar ameaçando, marque data para a eleição"

Juan Guaidó em resposta às ameaças do ditador venezuelano Nicolás Maduro

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Planalto esconde gastos de Lula e Janja no Japão

Sem divulgar gastos de Lula e Janja, que em Portugal ganhou o apelido “Esbanja”, o Planalto esconde até o hotel em que o se hospedaram. O ANA Crowne Plaza, um dos melhores de Hiroshima, se destaca pelo alto luxo, com serviço de massagem, restaurante de cozinha francesa e outros mimos que eles adoram. O hotel preza pela discrição, não divulga o preço da melhor suíte, mas o “quartinho” mais barato custa R$1,5 mil a diária, mais que o salário-mínimo mensal da maioria dos brasileiros.

 

Travesseiro de R$2,5 mil

Os travesseiros do hotel, da marca Tempur, são bem diferentes dos oferecidos no tempo da carceragem, custam entre R$1,7 mil e R$2,5 mil.

 

Sem almoço grátis

O restaurante do hotel acompanha o exigente paladar da clientela. Prato japonês sugerido pelo hotel “normalmente”, diz o cardápio, custa R$540.

 

Localização é tudo

Se Lula deixar os seis carros da comitiva na garagem, o hotel é perto de atrações como o Memorial da Paz e sete museus em um raio de 4km.

 

Silêncio como resposta

O Planalto foi procurado para informar o nome do hotel, quem vai bancar e o tamanho da comitiva. O luxo dá uma pista do silêncio como resposta.

 

Inelegibilidade de Michelle entra no radar do PL 

Importantes lideranças do PL já avaliam que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro corre o risco de ser declarada inelegível pela Justiça eleitoral. Caciques do partido admitiram à coluna que o objetivo da investigação sobre os “gastos de Michelle”, pagos pelo ex-ajudante de ordens, que tem mesmo essa tarefa, não passa de pretexto para inviabilizar eventual candidatura da ex-primeira-dama, cotada para uma chapa com o bem avaliado governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos).

 

Bilhete premiado

“Fenômeno” é como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, avalia o potencial de Michelle. Chegou a dizer que Bolsonaro “ganhou na mega”.

 

Cabeça de chapa

O sonho do PL é a filiação de Tarcísio, que tem 10 pontos de vantagem sobre Lula entre os paulistanos. Os números são do Paraná Pesquisas.

 

Tem apelo

Michelle é uma mão na roda para o PL por conseguir uma boa penetração entre mulheres e entre o eleitor evangélico.

 

O troco vem aí

O pedido de CPI do Abuso de Autoridade do STF e TSE está perto de atingir o número mínimo para instalação. Para começar a funcionar, 171 deputados precisam assinar. A semana acabou com 143.

 

Impedimento é salutar

Deixou embaraçados magistrados e juristas a revelação de que o ministro Benedito Gonçalves, que conduziu a cassação de Dallagnol, foi por ele investigado na Lava Jato. O consenso é que o relator deveria ter alegado impedimento e não participar do julgamento, como manda a lei.

 

Próprio veneno

Com a decisão do Ibama de vetar projeto de exploração de petróleo em seu Estado, o estridente senador RandolfeRodrigues (AP) experimenta do veneno administrado pela esquerda quando esteve na oposição. 

 

Haverá limites

A Câmara prepara ofensiva após o TSE cassar o mandato de Deltan Dallagnol (Pode-PR). Está em gestação uma PEC que limita os poderes do Judiciário para cassar mandatos e bloquear redes sociais.

 

Repressão em xeque

Gustavo Gayer (PL-GO) irá interpelar no dia 24 o chefe da Secom, Paulo Pimenta, na Comissão de Fiscalização, sobre a criação de um “Ministério da Verdade” de inspiração fascista para limitar a liberdade de expressão.

 

Tem explicação?

A Comissão de Segurança da Câmara recebe quarta (24) o general Amaro o novo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, para que ele tente explicar a atitude suspeitado general do Lula, G. Dias, flagrado pelas câmeras de segurança sem resistir, mesmo o Planalto sob ataque.

 

Movimento

A proposta que limita os poderes da Justiça Eleitoral para bloquear redes sociais e cassar mandatos de parlamentares registra mais de 80 assinaturas. São necessárias 171 para que a proposta seja apresentada. 

 

Performance

Ranking divulgado pela FSB com os 20 deputados federais mais influentes nas redes sociais mostra o domínio da direita na internet, 13 são filiados ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

Pergunta no avião

Seis viagens internacionais em seis meses é agenda ou costume?

 

PODER SEM PUDOR

Promoção instantânea

Raposa política, José Maria Alckimin sempre se saía de situações de “saia justa”. Certa vez, solícito, recebeu um militar em audiência: “Tenha a bondade, major.” O homem corrigiu, modesto: “Não sou major, dr. Alckimin, sou apenas um capitão.” O político mineiro não se fez de rogado: “Para mim, é major, na promoção de minha amizade…”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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