Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Esse desgoverno é recordista em acusações desse tipo"

Deputada Silvia Waiãpi (PL-AL) sobre nova demissão por importunação sexual

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PSD cobra caro aceitar PT em Belo Horizonte

A desastrada estratégia do PT em Minas Gerais, que decidiu lançar candidato próprio para disputar a prefeitura de Belo Horizonte, custará caro ao partido caso o PSD de Fuad Noman, atual prefeito, avance para o segundo turno. O PT mineiro já aceita que a chance de Rogério Correia avançar para o segundo turno é a mesma que ver chuva no deserto. Para ter algum espaço na prefeitura caso Noman se reeleja, o PSD quer mais do que um aceno de Lula, quer o petista presente na campanha.

Decisão de fora

O PT mineiro não tinha pretensão de ter candidato em BH e costurava aliança com Noman. Gleisi Hoffmann se meteu e lançou Rogério Correia.

O cenário mudou

Rejeitado em capitais e para evitar brigas, Lula ficou fora das campanhas municipais, mas vai aparecer em algumas praças no segundo turno.

Na função

Os “lobistas” que azeitam a possível aliança PT-PSD são o senador Rodrigo Pacheco e o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia).

Começou a feder

O PV, por exemplo, federado com o PT, já pulou do barco. Viu que Correia não decola e prega voto útil. Pede voto para Noman.

Defesa faz busca de ‘palácio voador’ para Lula

Exatamente como no ano passado, quando realizou levantamento em todo o mundo, identificando na Suíça um Airbus A330-200 para entrega imediata, o Ministério da Defesa foi às compras para tentar a mesma aeronave ou outra alternativa disponível. A opção anterior teve o preço fixado em quase meio bilhão de reais, sem contar o projeto de design e decoração do seu interior, que estimado em R$200 milhões. Entraram no radar outros Airbus ainda maiores e mais caros: A330-323 e A340-300.

Sem discussão

A compra da nova aeronave “será discutida” na próxima semana, diz o noticiário leal ao Planalto. É lorota, não haverá “discussão”.

Já está decidido

Lula decidiu comprar um novo avião enquanto reagia com pânico à pane do Airbus 319, após a decolar do México. Ele morre de medo de avião.

Opções sobre a mesa

Na próxima semana “vence” o prazo fixado por Lula para que o Ministério da Defesa aponte a solução mais adequada ou opções para aquisição.

R$120 bilhões no negativo

O rombo nas contas do governo Lula (PT) já pode ser observado até no próprio Portal da Transparência federal. Foram arrecadados R$3,67 trilhões em 2024, mas as despesas já superam os R$3,79 trilhões.

SOS contra censura

Marcel van Hattem (Novo-RS), Gilson Marques (Novo-SC), Ricardo Salles (Novo-SP) e Eduardo Girão (Novo-CE) pediram à Corte Interamericana de Direitos Humanos medidas para o desbloqueio do X. 

Revolução em Aracaju

Há duas décadas governada pela esquerda (e por homens), Aracaju pode ter uma mulher de direita como prefeita, a partir de hoje: Emilia Correa (PL) lidera todas as pesquisas eleitorais na capital sergipana.

Ramo errado

Ex-homem de confiança de Rodrigo Maia na presidência da Câmara dos Deputados e filiado ao PL até 2021, Marcelo Ramos se filiou ao PT para virar prefeito de Manaus, mas não passou do 5º lugar nas pesquisas.

Essa é velha

Não era nada a suspeita de bomba na sede Polícia Federal em Brasília. Deu até antibombas, mas o alarme era falso. São quase rotineiras essas suspeitas, geralmente às sextas ou vésperas de feriados.

Falta avião

O governo Lula vai ter que apertar o passo para trazer de volta os brasileiros que estão no Líbano. O primeiro voo só contempla 220 repatriados, mas há cerca de 3.000 pedidos registrados.

Abstenção de milhões

Nas eleições de 2020, a abstenção foi de 23,1%, quando 34,2 milhões de eleitores deixaram de votar. Se este ano a mesma proporção não votar para prefeito e vereador, serão invalidados mais de 36 milhões votos.

Petista ‘endireita’

O PT de Nova Russas (CE) repudiou o apoio do ministro da Educação, Camilo Santana (PT), a Giordana Mano (PRD), atual prefeita que foi filiada ao PL de Jair Bolsonaro até abril e cassada no TRE, em 2022.

Pensando bem...

...difícil é achar candidato que vale mais que os R$3,51 da multa por não votar.

PODER SEM PUDOR

Temas de interesse

O “Manifesto dos Coronéis” pretendia derrubar João Goulart do Ministério do Trabalho em 1951, no segundo governo de Getúlio Vargas. O jornalista Murilo Melo Filho conseguiu ser recebido por Eurico Gaspar Dutra, que era avesso a entrevistas. Murilo quis saber, antes, sobre um roubo ocorrido na casa do ex-presidente. Dutra desconversou: “Não foi nada demais. Ele pegou algumas coisas e foi embora, só isso.” Murilo então disparou, fazendo a pergunta que de fato interessava: “Presidente o Sr. acha que os coronéis vão derrubar Jango do ministério?” Dutra mudou de idéia: “Olha, Murilo, é melhor falar do ladrão...”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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