Colunistas

Cláudio Humberto

"Esse é o desgoverno Lula, especialista em torrar dinheiro público"

Deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) sobre o Brasil ter a maior delegação da COP-28

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Câmara banca imóvel até para quem não é deputado

Os disputados apartamentos funcionais da Câmara dos Deputados têm 17 inquilinos que não são “da Casa”: seis ministros e 11 senadores que têm guarida garantida em um dos 432 apartamentos divididos em quatro superquadras de Brasília. Deputados alçados ao posto de ministro não abrem mão dos espaçosos imóveis; é o caso de André Fufuca (Esporte), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Celso Sabino (Turismo), Paulo Teixeira (Des. Agrário) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos).

 

Vai ficando

Atuais senadores, Wellington Fagundes (PL-MT), Efraim Filho (UB-PB), Davi Alcolumbre (UB-AP) e Romário (PL-RJ) desde 2015 lotam os apês.

 

Sem aperto

Quem não tem um funcional para chamar de seu ganha R$4,2 mil de auxílio-moradia e pode complementar com mais R$ 4,1 mil do cotão.

 

Boquinha

Dos 513 deputados federais, só 35 renunciaram aos imóveis funcionais e ao auxílio-moradia. Todos os oito parlamentares do DF estão na lista.

 

Por nossa conta

Desde o início da Legislatura, em fevereiro, o auxílio-moradia das excelências já custou R$5,1 milhões ao pagador de impostos brasileiro.

 

Ao contrário de Lula, Tarcísio prioriza indicar mulheres

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep), nomeou mais uma mulher como desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado. A advogada Ana Paula Patiño é a segunda indicada pelo governador paulista que, em maio, nomeou Marina Monassi para outra vaga no TJ-SP. No governo federal, o petista Lula não indicou mulheres ao Supremo Tribunal Federal (STF) e entre as três vagas abertas no Superior Tribunal de Justiça (STJ), apenas uma foi para uma mulher: Daniela Teixeira.

 

Opção

A Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo também é ocupada por uma mulher (negra): Inês Coimbra, nomeada por Tarcísio de Freitas.

 

Contramão

Entre ministros, Lula demitiu primeiro duas mulheres: Daniela Carneiro, ex-Turismo, e Ana Moser, ex-Esporte; ambas substituídas por homens.

 

Proporções

Dos 25 secretários do governo de São Paulo, cinco são mulheres. Na Esplanada de Lula, entre os 38 ministros, seis são mulheres.

 

Ranking triste

A colossal comitiva de Lula na COP-28 liderou o ranking das delegações: 1.337 fanfarrões do governo e 1.744 convidados de ONGs etc. A comitiva dos EUA, por exemplo, teve 159 pessoas do governo e 611 de fora.

 

Não ressonou

Deltan Dallagnol está em campanha para que o Senado rejeite o nome de Flávio Dino para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Fez até vídeo listando 10 motivos. O primeiro: “é comunista”.

 

Taxas e cortes

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou a gastança de Lula e a condução da economia do País, “o petista tá taxando ricos e pobres, sem contar que não termos o 13º do Bolsa Família!”, alertou o senador.

 

Percalços

A tentativa de Flávio Dino de garantir a cadeira no STF pode não ser um passeio, como é de hábito no Senado. No PL, de oposição, a conta estima que faltam apenas nove votos para que a indicação seja barrada.

 

É problema?

Jair Bolsonaro criticou sua inelegibilidade por reunião com embaixadores estrangeiros, e deu uma indireta para Flávio Dino: “Se reunir com traficante pode. Faz lá no Rio de Janeiro, não tem problema nenhum”.

 

Pedra cantada

Será lido nesta quarta-feira (6), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o relatório sobre a indicação de Flávio Dino ao STF. O relator é Weverton (PDT-MA), aliado de primeira hora e conterrâneo de Dino.

 

Ladeira abaixo

O Brasil vai de mal a pior em ranking internacional de alunos divulgado pela OCDE. A avaliação do rendimento em matemática colocou o Brasil na 64ª posição, entre os 81 países analisados.

 

Agenda

A Câmara instala hoje (6) à tarde a Frente Parlamentar em Defesa das Escolas Cívico-Militares. O evento deve contar com a presença de Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

 

Pergunta em Dubai

Precisa de 1.400 funcionários públicos para “conferir o clima”?

 

PODER SEM PUDOR

Reserva capilar

Ministro no primeiro governo Lula, Luiz Furlan (Desenvolvimento) apareceu na antessala do presidente, certa vez, e encontrou o então presidente da Infraero, José Carlos Pereira, coçando a calva avançada. E foi logo pilheriando: “E aí, perdendo os últimos fios de cabelo com a crise nos aeroportos?”. O brigadeiro parece não ter apreciado a piada: “Na verdade, ministro, eu estou perdendo só os penúltimos...”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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