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"Eu disse assim: 'aluna da Dilma'"

Jair Bolsonaro, ex-presidente, sobre a confusa ministra do Esporte de Lula

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Sobrevoo de Lula tentou ‘ofuscar’ Tarcísio em SP

O presidente Lula (PT) não mudou de atitude, ao interromper o bem-bom do litoral da Bahia para sobrevoar as áreas atingidas pelo temporal no litoral norte de São Paulo.

Temendo que o resoluto governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) “brilhasse” sozinho no enfrentamento do desastre, ele próprio decidiu o sobrevoo e mandou ministros “ocuparem” o noticiário com iniciativas de palanque e anúncios acanhados de verbas.

Lula acha que Tarcísio será o nome do bolsonarismo na eleição de 2026.

Inimigo escolhido

Após elogiar a “união de forças”, Lula atacou no Twitter suposta falta de obras de infraestrutura, área da elogiada atuação do ex-ministro Tarcísio.

Como o diabo da cruz

Lula sempre se recusou a “associar” sua imagem a “coisas ruins”, e nos primeiros governos fugiu de desastres como o diabo da cruz.

Isopor na cabeça

No início do 2010, Lula se recusou a deixar a mesma praia baiana para sobrevoar tragédia semelhante no Estado do Rio, que matou 53 pessoas.

Que desastre?

Ele tampouco se abalou em abril de 2010, com número maior de mortes, nem na queda do voo 3054 da TAM que matou 209 em São Paulo.

Projeto fixa regras para BNDES financiar no exterior

O deputado Alfredo Gaspar (União-AL) apresentou projeto de lei que impõe regras mínimas para a farra do financiamento de obras no exterior tomado pelo BDNES dos impostos dos brasileiros.

A ideia é usar o padrão mundial dos indicadores de risco de agências de “rating”, como Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch. Pela proposta, seriam excluídos países com nota abaixo de BB+/Ba1, para evitar calote. O próprio Brasil, que hoje tem nota BB-/Ba2, não estaria apto aos próprios recursos.

Tem conhecimento

Alfredo Gaspar foi secretário de Segurança e se livrou da ligação ao clã Calheiros a tempo de ser um dos deputados mais votados em Alagoas.

Padrão mundial

A nomenclatura muda de acordo com a agência avaliadora, mas no geral as notas vão de “AAA” até “D”, passando por mais de 20 níveis.

Comparação

A Rússia, por exemplo, atualmente pária mundial, tem nota melhor na Moody’s do que a Venezuela de Nicolás Maduro, amigo de Lula.

Estado da devastação

Segundo o Prodes, sistema do INPE que acompanha o desmatamento na região amazônica, somente o Estado do Pará é responsável por quase 40% de toda a destruição da mata no Brasil, nos últimos 5 anos.

Camisa pesada

Para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a vida de políticos em Brasília não é fácil. “Ser ministro não é tão gratificante assim não”, explicou ele, ao falar numa igreja em Orlando, EUA.

Boquinha socialista

Rejeitado nas urnas para deputado federal por São Paulo, Rodrigo Agostinho, do PSB, arranjou uma boquinha no governo Lula. Virou presidente do Ibama, sob guarda-chuva de Marina Silva.

Ano não começou

O ano no Legislativo ainda não começou oficialmente. Ainda faltam ser definidos o comando de várias comissões permanentes do Senado e da Câmara dos Deputados. E definir o futuro das “CPIs”.

Ajuda prática

Uma das determinações do governador Tarcísio de Freitas (Rep), após a tragédia em São Paulo, foi deslocar para a Barra do Sahy um caminhão do “Poupatempo”, que emite documentos como CNH e RG na hora.

Ódio do bem

Fez sucesso nas redes inclusive de políticos o vídeo do novo funcionário do governo do PT Felipe Neto se gabando de custos de boate em Las Vegas (20 mil dólares), enquanto repetia “foda-se” e outros xingamentos.

Assunto é outro

O ex-senador John Kerry, “enviado para assuntos climáticos” dos EUA virá ao Brasil em jato da Força Aérea americana, mas pode usar também o jatinho “da família”, meio de transporte dos mais poluentes do mundo.

Palpiteiro beligerante

Gabriel Boric, presidente do Chile e ex-guerrilheiro, também apita na guerra da Ucrânia. Para o chileno, que tentou recriar a Constituição por lá, “a paz deve se basear no direito internacional e direitos humanos”.

Pensando bem...

...enforcando duas semanas de fevereiro, Câmara e Senado revogaram a “lei” segundo a qual, no Brasil, o ano só começa após o Carnaval.

PODER SEM PUDOR

Qual o problema?

Menezes Pimentel era interventor no Ceará, na era Getúlio Vargas, quando soube que um prefeito do interior usou em sua campanha dinheiro público.

Mandou chamar o homem: “Disseram-me que o senhor, vejam só, estaria usando verba da prefeitura na campanha política! O que o sr. tem a dizer?” O prefeito coçou a orelha e ponderou: “Mas, doutor Pimentel, é que eu já estava gastando até do meu...”


 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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