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Giba Um

"Eu vejo a fábrica de mentiras que tem de fake news, que a gente não pode acreditar porque Deus",

não é mentira. Deus é a verdade. E ninguém pode utilizar o nome de Deus em vão como eles usam",  de LULA // atacando rivais  na inauguração de uma obra hídrica na cidade de Ipojuca, em Pernambuco.

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 Embora o Ministério da Saúde tenha registrado mais de 2,6 milhões de casos prováveis de dengue e 1.020 mortes confirmadas apenas em 2024, o governo Lula gastou 61% a menos do que em 2023 com campanhas de prevenção contra a dengue do que a gestão anterior de Jair Bolsonaro. 


Mais:  o Ministério da Saúde, comandada por Nísia Andrade, investiu R$ 12,2 milhões em campanhas de esclarecimento sobre a doença no ano passado ante R$ 31,6 milhões gastos no ano anterior (2022). Esse foi o menor gasto de campanhas de conscientização sobre a dengue desde 2019.


Teatro musical

Super conhecida por seu trabalho como modelo e atriz, Cara Delevingne, 31 anos, agora está se arriscando mais  em sua estreia no teatro musical. Na peça interpretará Sally Bowles em Cabaret no Kit Kat Club no London Theatre. Cara dividirá o papel com Nic Myers (conhecida atriz do teatro Londrino).  “Não há palavras para explicar a emoção que sinto ao voltar para casa para fazer minha estreia nos palcos em um papel tão icônico. Estou muito inspirado pelos atores brilhantes que interpretaram Sally em produções anteriores ao redor do mundo e nesta no West End”. O musical estará em cartaz até fevereiro de 2025. Em paralelo Delevingne continua trabalhando como modelo: é o rosto da nova coleção de Stella McCartney. Que apresenta peças, a mais sustentável de todos os tempos, elaborada com 95% de materiais conscientes como por exemplo a bolsa Frame, confeccionada com uma alternativa de couro, feita a partir de resíduos de maçã.


PL quer apoiar escolha de Lira

 Valdemar Costa Neto, dono do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, havia decidido lançar um nome da legenda à presidência da Câmara, onde sua bancada de 95 integrantes é a maior da Casa. Agora, mudou: está preferindo declarar apoio ao nome escolhido por Arthur Lira, atual presidente da Câmara. A cúpula do PL tem medo de perder espaços como os que ganhou de Lira neste ano: a radical Caroline de Toni (SC) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Nikolas Ferreira (MG) nas Comissões de Educação e Segurança e Alberto Fraga (DF), que tem seu nome cotado para uma Comissão a ser definida. O lado mais curioso é que, até agora, Lira escolheu Elmar Nascimento (União-BA) para sua sucessão e Valdemar não gosta dele. Marcos Pereira (Republicanos-SP) não deverá ter o apoio de Lira enquanto não aparar as arestas com Bolsonaro. Elmar e Pereira, mesmo assim, já fazem acenos aos bolsonaristas do PL.


Em campanha


Já considerado um dos favoritos à sucessão de Arthur Lira, o deputado Elmar Nascimento, líder do União-Brasil, resolveu começar sua campanha antecipadamente. Mesmo que a eleição da Câmara ainda esteja longe, ele iniciará uma estratégia de viajar para todos os estados e se reunir com governadores ainda este ano. Esse roteiro acontece habitualmente apenas em janeiro, quando a “campanha oficial” já esteja acontecendo. Na semana passada, Elmar foi conversar com o ex-presidente Michel Temer e com o governador do Pará Helder Barbalho, os dois do MDB. Num primeiro momento, a reação foi negativa em seu partido. 
 


Família bilionária

A Forbes acaba de divulgar a lista dos maiores bilionários do mundo. E o destaque foi para a mais jovem bilionária de 19 anos, Livia Voigt. Ela é apenas dois meses mais jovem do que italiano Clemente Del Vecchio, herdeiro da Luxottica, dono da marca Ray-Ban. Brasileira, que nasceu em Santa Catarina, amante de chicletes e de Nutella, atualmente estuda Psicologia, possui uma fortuna de US$ 1,1 bilhão, cerca de R$ 5,5 milhões, muito longe do número um da lista Bernard Arnault do império LVMH que tem US$ 233 bilhões, mas também tem 75 anos. Livia não está sozinha na lista, outros herdeiros  da empresa Weg, produtora de equipamentos elétricos também estão no ranking: sua irmã, de 26 anos, Dora Voigt de Assis com mesmo valor; e os primos Eduardo Voigt Schwartz (34 anos)  e Mariana Voigt Schwartz Gomes (38) que possui cada um R$ 6,6 bilhões.


In –  Caipirinha de uva
Out – Coquetel de uva
 


Passando por cima

Alexandre de Moraes (STF) vem tomando uma série de decisões que contrariam a Procuradoria-Geral da República, mesmo após a nomeação de seu aliado Paulo Gonet. Em três meses, proferiu quatro decisões que foram contra os pareceres da Procuradoria. Analistas acham que seria natural que Moraes ignorasse a PGR na gestão de Augusto Aras, desse mais poder à Polícia Federal ou decidisse por conta própria. Ele não fez nada disso, mesmo tendo se empenhado, ao lado de Gilmar Mendes, na indicação de Gonet – e tudo indica que continuará dessa maneira.

 

 

Quem gastou mais

Não foi o chanceler Mauro Vieira e nem o assessor especial Celso Amorim; o embaixador Guilherme Patriota foi o servidor do Ministério das Relações Exteriores e de todo serviço público quem mais torrou o dinheiro do pagador de impostos em viagens internacionais. Foram quase R$ 175 mil – R$ 43,5 mil só em diárias – segundo o Portal da Transparência. Ele é irmão do ex-chanceler Antônio Patriota que vivia sendo humilhado por Dilma Rousseff. Mais: Guilherme ganhou popularidade ao se tornar a primeira indicação de diplomata rejeitada pelo Senado, em 2015 (havia sido indicado pela OEA). Hoje, representa o Brasil na Organização Mundial do Comércio e vive numa nice em Genebra. 

Pérola

“Eu vejo a fábrica de mentiras que tem de fake news, que a gente não pode acreditar porque Deus não é mentira. Deus é a verdade. E ninguém pode utilizar o nome de Deus em vão como eles usam”,  
de LULA // atacando rivais  na inauguração de uma obra hídrica na cidade de Ipojuca, em Pernambuco.


COM AVAL DE COSTA

O ministro Rui Costa (Casa Civil) aparece na delação premiada da empresária Cristiana Taddeo, dona da Hampcare, que vendeu, mas não entregou respiradores ao governo da Bahia em abril de 2020 (Costa era governador do estado na época). O contrato foi fechado por R$ 48 milhões e a empresária responsável pela venda já devolveu R$ 11 milhões. Ela diz que a venda foi autorizada por Costa e intermediada por um empresário baiano que se dizia amigo do então governador e da primeira-dama da Bahia, Aline Peixoto (o amigo cobrou comissão de R$ 11 milhões). O ex-secretário da Casa Civil Bruno Dauster disse à PF que tudo teve aval de Costa. 

Gleisi embaixadora

Há quem esteja disposto até a apostar que o chanceler Mauro Vieira estaria preparado a transferir o embaixador do Brasil, em Cuba, Christian Vargas, para dar lugar à presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que levaria a tiracolo o namorado Lindbergh (também chamado de lindinho) Farias, no cargo de adido. O casal poderia firmar lá um acordo de “cooperação e intercâmbio” com o Partido Comunista local. A parceria poderia prever “troca de experiências”, ninguém sabe quais. Outra suposição seria um encontro do casal com Kim Jong-un, “líder supremo” da Coreia do Norte, em Pyongyang. 

FAVORITO

Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, nova petista, não será candidata a nada em 2024 e menos ainda será vice de Eduardo Paes na tentativa de reeleição na cidade do Rio. Confirmada por Lula o PT desistiu de Anielle e agora tem dois novos nomes para a vice de Paes: Adilson Pires, secretário de Assistência Social e André Ceciliano, secretário de Assuntos Federativos da Presidência. Os dois são amigos de Lula. Mais: malgrado o prefeito que ainda receberá Lula para novas conversas, Paes já tem seu favorito: é o deputado federal Pedro Paulo (PSD). Se o prefeito se reelege depois tentará o governo do Rio e o vice-prefeito assumirá a prefeitura por dois anos.

“Que canalha é esse?”

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a concessão de medidas protetivas à médica Natália Schincariol, que acusa o ex-marido Luis Claudio Lula da Silva, o filho caçula de Lula, de violência doméstica. Ele deve deixar o apartamento em que vivia com Natália e manter distância da ex-companheira, com quem teve dois anos de relacionamento. Para quem tem memória curta: em agosto de 2022, na campanha do então candidato do PT, Lula, disse sobre violência doméstica: “Quer bater em mulher? Vai bater em outro lugar, mas não dentro de sua casa ou no Brasil. A mão de um homem foi feita para trabalhar ou fazer carinho, não foi feita para bater em mulher. Que canalha é esse?”. 

"MASSACRE"

A demissão de 120 funcionários da Biblioteca Nacional Mariano Moreno, em Buenos Aires, na Argentina, deixou perplexos representantes da cultura dentro e fora do país. Os trabalhadores foram informados por e-mail que não teriam seus contratos renovados, a partir de 1º de abril. É um novo descalabro produzido pelo presidente Javier Milei, que o site Página 12 resume como “um massacre”. No meio dos demitidos, o professor e pesquisador Roberto Casazza, 28 anos de Biblioteca, que levou os argentinos a produzir um manifesto de intelectuais do mundo pedindo sua volta.


MISTURA FINA

ACIONADO para tentar melhorar a avaliação do governo, o marqueteiro Sidônio Pereira, que atuou na campanha de Lula em 2022, cobrou mais “amor” e “tesão” numa reunião com Paulo Pimenta (Secom) e representantes de nove ministérios, Caixa e Banco do Brasil “Comunicação sem amor, vontade, tesão sem brilho não vai a lugar nenhum”, disse Pereira. E completou falando que “um governo sem marca é um governo fraco”.               
                                                                                                                                                   
CELSO Amorim, assessor especial de Lula na política externa quer criar um bloco de países detentores dos maiores biomas do mundo. A ideia já foi soprada no ouvido de Lula. O objetivo é juntar nações que oxigenam o Planeta. Entre os 10 países com maior área florestal, estariam apenas os que possuem florestas com mais de 40% do território total. Além do Brasil (56%), a lista inclui Rússia (49,4%), Canadá (49,2%), Congo (50%) e Indonésia (46,5%).

A CAIXA Econômica Federal quer entrar no mercado das bets. O nome ainda está em discussão, mas as expectativas de arrecadação poderiam ser R$ 5 bilhões em 2025 e R$ 13 bilhões em 2026. Para comparar: em 2020, a Loteria Caixa, que reúne apostas em geral, ficou no 27º lugar no ranking de maior operadora do mundo, com US$ 3,3 bilhões. No mesmo período os Estados Unidos arrecadaram US$ 48,4 bilhões, China US$ 47,4 bilhões e Itália US$ 17,5 bilhões. 

A EMBRAER está conversando com as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM): quer comprar aeronaves modelo E2, que comporta até 144 passageiros. A Moçambique Express (MEX) já opera com três aviões Embraer 145. A LAM está no meio de uma reestruturação conduzida pela sul-africana Fly Modern Ark, que aumenta a disputa entre a Embraer e suas concorrentes Bombardier e Boeing. A Fly Modern é revendedora de aeronaves das duas multinacionais. 

A EQUATORIAL Energia está em linha direta com o governo de Pernambuco e o BNDES. A empresa já manifestou o interesse em disputar a concessão do saneamento no estado. O leilão está programado para o último trimestre do ano. O pacote de investimentos, que deve ser dividido em blocos, é da ordem de R$ 25 bilhões. Mais: a Equatorial Energia é apontada também como uma das principais candidatas à privatização da Sabesp.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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