Colunistas

Cláudio Humberto

"Ex-GSI de Lula, que estava servindo água para vândalos fica aí, livre"

Deputado André Fernandes (PL-CE) compara o caso de Anderson Torres ao de G.Dias

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Terceirizados da Câmara denunciam atrasos salariais

Trabalhadores da Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac), que prestam serviços terceirizados para a Câmara dos Deputados e outros órgãos públicos, reclamam dos frequentes atrasos no pagamento dos salários. Há também outras queixas, como inconsistências no registro do ponto no banco de horas, que, dizem as denúncias, ficam negativados sem explicação. Atestados médicos também estariam virando faltas, sem explicações.

 

Grita geral

A Fundac tem contratos com o Senado, o Tribunal Superior Eleitoral, o município de São Paulo e até com o Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Sem sinal

Na TV Justiça, o último atraso irritou os funcionários, que chegaram a fazer greve. A programação foi prejudicada e um programa não foi ao ar.

 

Tem dinheiro

Na Câmara, o contrato vigente até 2024 e com dois aditivos garante um generoso pagamento à Fundac: R$26,9 milhões.

 

Telefone mudo

A Fundac Brasília foi procurada e disse que a empresa em São Paulo é quem resolve, mas não pode passar o contato. A coluna aguarda retorno.

 

Governo e oposição divergem até sobre a liberdade

Levantamento realizado pelo Instituto Sivis, que será lançado nesta quarta-feira (9), aponta que a liberdade de expressão e imprensa são valores fundamentais para a população brasileira, que atribuiu, em média, nota 7,2 de 10 à importância desse direito fundamental. Entre parlamentares brasileiros, a liberdade tem nota ainda maior: 8,8 numa escala de 10. A diferença está apenas na percepção de lulistas e oposição em relação à evolução da liberdade nos últimos 12 meses.

 

Lulistas adoram

Para 33,3% dos parlamentares do governo Lula (PT), a liberdade de a imprensa se expressar piorou. O restante diz que melhorou.

 

Oposição, não

Deputados e senadores de oposição têm a visão contrária: quase 82% deles acreditam que a liberdade de expressão piorou no Brasil sob Lula.

 

Detalhes

A pesquisa “Percepções sobre a liberdade de expressão; população e Congresso” será lançada às 17h, com transmissão no YouTube do Sivis.

 

Conta não fecha

Na CPMI do 8 de Janeiro, o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) não entendeu como Flávio Dino (Justiça) escalou 445 homens da Força Nacional para a festa da posse e menos de 200 no dia da manifestação.

 

Pedágio Hermano

Após a Argentina desobedecer a tratados internacionais e determinar a cobrança de taxas de navios cargueiros estrangeiros que passam nos seus rios, até retendo embarcações que se recusam a pagar (incluindo as brasileiras), Alberto Fraga (PL-DF) pediu providências do Itamaraty.

 

Papo de maluco

O ex-ministro da Justiça Anderson Torres não embarcou em teoria de Eliziane Gama (PSD-MA), relatora da CPMI, sobre plano para matar ministros do STF: “É uma maluquice. Nunca ouvi nada a respeito!”.

 

Risco Lula

A amizade de Lula com ditadores e aproximação com autocracias rendeu análise de Sérgio Moro (União-PR). “O governo Lula está fazendo o país andar para o abismo”, cravou o senador.

 

Outro adiamento

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), reconhece que ainda falta consenso para votar o marco fiscal. Dono da pauta, Lira não crava um dia, mas diz que o texto deve ser votado até o fim do mês.

 

Chama o VAR

Rendeu confusão nesta terça (8) na CPMI do 8 de Janeiro. Marco Feliciano (PL-SP) diz que foi alvo de cuspe e xingamento do senador Rogério Carvalho (PT-SE). O deputado vai pedir perícia nas imagens.

 

Paraná em alta

O Paraná aumentou as exportações em 13% nos sete primeiros meses deste ano e movimentou US$ 14,4 bilhões no comércio exterior. O resultado foi celebrado pelo governador Ratinho Júnior (PSD).

 

Críticas cruzadas

Quase passou despercebida, mas saiu nesta terça (8) a nomeação do petista Marcio Pochmann para comandar o IBGE. Pochmann é criticado até dentro do governo. Mas também, o próprio até já criticou o Pix.

 

Pensando bem...

...arcabouço ‘marquinho’ fiscal.

 

PODER SEM PUDOR

Um Jobim desafinado

Chico Alencar (PSOL-RJ) estava no Conselho de Ética da Câmara certa vez, espiando uma tevê que transmitia o julgamento do Supremo Tribunal Federal, no qual José Dirceu foi derrotado. Mas não resistiu ao ver o presidente do STF, ministro Nelson Jobim, aquele que só pensa nas eleições de 2006, votar a favor do ex-chefe da Casa Civil: “É o único Jobim que sai do tom...”.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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