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"Haddad está fazendo o máximo que pode, sendo um herói"

de RODRIGO MAIA // ex-presidente da Câmara dos Deputados

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Wesley Safadão vendeu uma égua num leilão de cavalos no final de semana passado (é o mais caro exemplar da raça Quarto Milha já negociado no Brasil), por R$ 8,4 milhão após um criador de Manaus pagar R$ 4,2 milhões pelos direitos de 50% do animal. 

Mais: quem estava também no leilão, em Garanhuns, foi criador de cavalos Arthur Lira, presidente da Câmara. Ele arrematou por R$ 200 mil o WSPrincipe Gunner, outro cavalo de Safadão colocado à venda. Em dezembro, haverá outro leilão na cidade Pilar, em Alagoas, na propriedade de Lira.

“Haddad está fazendo o máximo que pode, sendo um herói. Pelo governo que ele representa, conseguiu muito ao colocar o déficit zero”, 
de RODRIGO MAIA // ex-presidente da Câmara dos Deputados. 

In – Caipirinha de vinho
Out – Caipirinha de saquê

Luz na passarela

 A eterna loira do É o Tchan, Sheila Mello mostrou que está em plena forma aos 45 anos, ao postar algumas fotos de lingerie da marca de moda íntima, fitness e casual Romance, no qual é a nova garota-propaganda. Ela confessou que já passou por algumas cirurgias plásticas e que não se arrepende.

Recentemente ela aproveitou que teria que ser operada para retirar duas hérnias e reverter uma diástase (afastamento dos músculos abdominais) para dar uma nova repaginada. Fez uma lipoaspiração e procedimentos para diminuir a flacidez e a gordura localizada, combater a celulite e suavizar estrias.

“Pensei já que terei uma anestesia geral no corpo, por que não aproveitar para resolver coisas que estavam me incomodando? Uma flacidez na barriga e também nas costas”. Ainda se recuperando ela rebateu as críticas que recebeu.

“Quem tem silicone também tem neurônio. Dá a sensação das pessoas que querem desvalorizar as outras pelas suas conquistas e ficam procurando assunto. As pessoas têm mania de achar que mulher bonita não tem capacidade de construir alguma coisa”.

Ela ficou afastada 30 dias de sua rotina agitada e garantiu que este período de molho serviu para refletir e recarregar as energias.

“Em meio às reflexões, tive a certeza que Deus, família, dança e trabalho são os pilares da minha felicidade. Nesses lugares, encontro sentido. Além disso, pude fazer um detox de pessoas e situações que estavam tirando minha energia. Estou pronta para retomar minha rotina mais leve e grata por enxergar a importância de cada um desses preciosos pilares”.

Quem colocou fogo no circo

Dois dias antes de Lula avisar que não seria possível alcançar déficit zero no ano que vem, os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Ester Dweck (Gestão), Simone Tebet (Planejamento), Rui Costa (Casa Civil) e outros representantes de pastas reunidos, chegaram à conclusão de que seria difícil conseguir receitas suficientes para alcançar a meta prometida sem um grande contingenciamento de despesas.

O resultado foi levado a Lula que, 48 horas depois, partiu para a “tragédia anunciada”. No intervalo, foi municiado de soluções, especialmente mudar, oficialmente, a meta de Haddad, por Rui Costa que adora combater os projetos do titular da Fazenda, que ainda não desistiu de seu alvo. Agora, depois de Campos Neto (Banco Central), também Arthur Lira, presidente da Câmara e Rodrigo Pacheco, do Senado, acham que o governo deve perseguir o déficit zero de Haddad.  

Não chega a ser novidade o esforço feito pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, para tentar derrubar os projetos de Fernando Haddad (Fazenda), incluindo agora a discussão sobre o déficit zero. Por conta do cargo, Costa tem um convívio diário com Lula, o que cria ocasiões para fazer comentários pouco elegantes sobre o trabalho de Haddad. Contudo, os aliados do titular da Fazenda já se encarregam da contra artilharia em Costa: é ele quem cuida do PAC e depois de dez meses, não entregou nada. 

Rara aparição

A cantora Celine Dion, que no final do ano passado anunciou que havia sido diagnosticada com um distúrbio neurológico muito raro conhecido síndrome da pessoa rígida (SPR), doença caracterizada por tensionar e causar rigidez nos músculos, ficando recolhida para tratamento.

Inclusive sua irmã mais velha Claudette de 74 anos, disse em agosto que a cantora estava muito ruim e não respondia mais ao tratamento. Provando ser uma mulher forte, Celine pode ser vista em duas ocasiões por estes dias.

A primeira, quando foi assistir a um jogo de hóquei entre o Montreal Canadiens e o Vegas Golden Knights com seus filhos René-Charles e  os gêmeos Eddy e Nelson. E a outra foi no último show de Katy Perry no Resorts World, no qual Dion foi vista dançando durante a apresentação, despertando otimismo sobre seu potencial retorno aos palcos em 2024, de acordo com o Las Vegas Review-Journal.

Punições previstas

O descumprimento da meta do déficit fiscal em 2024, do qual Lula chegou até a fazer pouco caso, tem punições prevista na lei, segundo Arthur Lira, presidente da Câmara, que acha que o governo sofrerá “consequências do arcabouço”, conjunto de obras que o próprio presidente criou. A legislação congela qualquer aumento de despesa ou crédito do governo. E mais: expandir programas sociais e “investir em obras”, nem pensar.

Em alta

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Geraldo Alckmin acaba de ganhar novas atribuições de Lula, entre elas a coordenação de ações para suavizar danos causados pelos desastres climáticos.

Também se projetou como liderança política no debate de transição energética em meio à ausência da ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e num cenário onde comandar o braço econômico do programa era tarefa de Fernando Haddad. E Alckmin continuará percorrendo o país visitando projetos de energia verde.

Outros tempos

A discutida “meta zero” do déficit fiscal, assinalam os analistas, é o governo gastar exatamente o que arrecadar, sem gerar novas dívidas. Em outros tempos, FHC derrotou Lula no primeiro turno porque adotara essa solução.

Os mesmos analistas, contudo, acham que derrubar o déficit zero e fazer contingenciamento de despesas é um tropeção e tanto em seu governo, com sequelas políticas (outras tantas) já em 2024 e horizontes negros para 2026.

Contudo, se o déficit ficar perto do zero, o que significaria quebrar a promessa inicial, transforma-se – visão dos analistas – automaticamente numa “boa surpresa”. 

MINISTROS NO AR

A Esplanada dos Ministérios montada pelo presidente Lula reflete o custo para manter a estrutura com diárias, passagens, seguro-viagem e outros gastos. O contribuinte pagou R$ 5,56 milhões para bancar as mordomias entre janeiro e setembro.

A conta não considera o custo com jatinhos da FAB. Quem mais gastou no período foi o chanceler Mauro Vieira: sozinho torrou pelo mundo R$ 834,4 mil. O segundo da lista é Carlos Fávero (Agricultura): R$ 431 mil. 

Demorado

A ministra Marina Silva assinou portaria do Ministério do Meio Ambiente necessária para a volta do Reiq. Trata-se do regime tributário especial que prevê isenção do PIS e Cofins para insumos usados pelas empresas de primeira e segunda gerações.

A demora da publicação da portaria vinha causando mal-estar dentro do governo, notadamente junto ao Ministério da Indústria e Comércio. O retorno do Reiq aconteceu por gestões diretas de Geraldo Alckmin, que conduziu negociações com o pessoal do setor químico. E assinou o decreto, então no exercício da Presidência, em agosto. 

BATALHA INTERNA

Já existe quase uma batalha interna em relação à postura que o Brasil adotará na 10ª Conferência das Partes (COP10) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, de 20 a 25 de novembro, no Panamá. Carlos Fávero (Agricultura) defende posição de neutralidade: o Brasil é o maior exportador mundial do produto, sem falar das mais de 70 mil famílias dependentes da fumicultura. Do lado oposto Marina Silva (Meio Ambiente) que apoia restrições à cadeia produtiva. 

Reviravolta

Bancos, fornecedores e demais credores estão apostando que, depois da virada do ano, a fraude da Americanas ganhará uma ação efetiva contra os principais personagens do escândalo que, até agora, têm conseguido resistir atrás de manobras.

A CVM estaria preparando um termo de acusação aos ex-diretores da rede varejista enrolados no caso, incluindo Miguel Gutierrez e supostamente, o bilionário Beto Sicupira. Ou seja: integrantes do conselho de administração entram na roda, com graus variados de possíveis punições porque caberia ao conselho “o dever de vigilância”.

Mais trans

 Dados da Associação Nacional de Travestis e Transsexuais revelam que, em 2020, houve um aumento de 275% no número de vereadores trans no país, passando de 8 em 2016 para 30. Em 2022, levantamento do Programa Voto com Orgulho, da Aliança Nacional LGBTQI+ indicou que quatro mulheres trans foram eleitas deputadas estaduais e outras duas, federais.

Agora, algumas já se preparam para concorrer a prefeituras em 2024. Entre elas, a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), em Belo Horizonte, e as deputadas estaduais Dani Balbi (PCdoB) e Linda Brasil (PSOL), em Aracaju (SE). 

EM CAMPANHA

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, está numa verdadeira campanha para ganhar um gabinete oficial próximo do presidente. Michelle Bolsonaro tinha uma sala ligada diretamente ao gabinete do marido, que não era considerado gabinete, conforme a legislação que impede de ter escritório governamental quem não tem posto oficial (como no caso de Janja).

Um gabinete tem antessala com secretária, sala para assessores diretos e até área privativa. Ela diz que Jill Biden, mulher do presidente norte-americano tem um gabinete, mas nos Estados Unidos a legislação é outra.

MISTURA FINA

  • ATÉ o final do ano, é grande a chance dos ministros do STF alcançarem a marca de 100 mil decisões em processos na Corte. Até outubro foram 88.040 e quem mais decidiu até agora foi o ministro Edson Fachin (6.039).
  • A ALA bolsonarista do PL articula nos corredores do Congresso para que Sérgio Moro (União Brasil) seja o relator da PEC que fixa em oito anos o mandato dos ministros do STF. Moro é alvo de um processo no TRE do Paraná, que pode custar a perda do mandato do ex-juiz e sua inelegibilidade. Em caso de condenação, Moro dependerá de um recurso ao TSE, onde estão três ministros do Supremo. 
  • A EMBRAPA virou um campo minado. Além do apetite do PP por cargos, existe uma intentona interna com o objetivo de desmontar um grupo fechado de bolsonaristas na estatal. Funcionários da Embrapa cobram do Planalto o afastamento de ocupantes de cargos comissionados indicados pelo governo Bolsonaro. A maioria são servidores de confiança do ex-presidente da Embrapa, Celso Moretto, homem de confiança de Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura da gestão do Capitão. 
  • A SUCESSÃO na chefia da Defensoria Pública da União está dando mais trabalho do que se poderia supor. Agora, o Planalto encomendou à Advocacia Geral da União  um parecer atestando a legalidade da elaboração de nova lista tríplice pela própria Defensoria. O governo não quer dar margem para a oposição embargar mais uma indicação para o posto. A  legislação é dúbia quanto ao procedimento adotado caso o Senado rejeite a indicação da Presidência para o comando da Defensoria, como ocorreu com o nome de Igor Roque. 
  • O GOVERNO de Tarcísio de Freitas vai enviar à Assembleia Legislativa de São Paulo projeto de lei que cria o Prontos pro Mundo, programa anual de intercâmbio gratuito para alunos do ensino médio da rede estadual, com investimento de R$ 120 milhões. De largada, 70 mil jovens participarão de curso intensivo de língua inglesa. Depois, 1.000 receberão bolsas para cursar um semestre letivo no exterior. 
  • A EX-namoradinha do Brasil, Regina Duarte, 76 anos, foi fotografada pegando papelão numa calçada (eventualmente, perto da porta de sua casa) e foi o suficiente para que as colunas de gossips alardeassem que a atriz estaria com problemas financeiro. No Google, tem uma foto dela, mais moça na capa de uma revista chamada “People with Money”, onde a chamada dizia que ela era “ a mais bem paga do mundo” (!?).
  • NA matéria da suposta revista, afirma-se que Regina é dona de uma fortuna estimada em R$ 215 milhões, e que teria faturado entre 2018 e 2019 cerca de R$ 75 milhões. A ‘publicação’ diz ainda que ela é proprietária de vários restaurantes, um time de futebol em Franca, tem marca própria de vodca e está lançando um perfume e uma marca de roupas (além de ter imóveis e investimentos). E teria ainda uma fazenda onde cria 300 touros. 

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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