Colunistas

CLAUDIO HUMBERTO

"Hamas, grupo terrorista que cumprimentou Lula pela sua eleição"

Ex-presidente Jair Bolsonaro define o grupo responsável pelo ataque a Israel no dia 7

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Terceira via não tem chances em 2026, diz pesquisa

O levantamento nacional divulgado pelo Paraná Pesquisas comprova o que já se considerava nos meios políticos: a chamada “terceira via” na disputa pela Presidência é uma fantasia.

Se a eleição fosse hoje, o presidente Lula se manteria no cargo com folga em todos os cenários, a não ser contra Jair Bolsonaro (22,1% a 14,3% na espontânea), que está inelegível desde junho. Nos cenários avaliados, apenas os ‘herdeiros’ do ex-presidente registram dois dígitos, em eventual disputa em 2026.

Herdeiros no páreo

Lula tem 37,6% contra o governador paulista Tarcísio de Freitas (18,9%), e o mesmo resultado contra Romeu Zema (Novo), que registrou 15,3%.

Tebet estacionada

Terceira colocada em 2022, a ex-senadora e ministra Simone Tebet (Planejamento) aparece entre 8% e 9% em todos os cenários.

Presidente de quem?

Presidente do Paraná Pesquisa, Murilo Hidalgo reconhece a fragilidade da terceira via: “Quem esses candidatos representam?”, pergunta.

Representam mesmo

“Enquanto ninguém tiver posições firmes e representar a população como Jair Bolsonaro e Lula, ninguém terá chances”, avaliou Hidalgo.

Alcolumbre e Planalto estão perto do ‘divórcio’

A eleição para a Presidência do Senado será somente em 2025, mas já mobiliza parlamentares e causa ruídos entre o governo Lula e um dos principais nomes na disputa, Davi Alcolumbre (União-AP).

O senador esperava apoio do Planalto para suceder a Rodrigo Pacheco (PSD-MG) no comando da Casa, mas, ao menos neste momento, o governo Lula tem outros planos, apoiar um candidato do MDB. Mesmo o prometido apoio de Pacheco a Alcolumbre corre o risco de não se concretizar.

Hora da poda

Com três ministérios sob influência do senador, o Planalto não quer ampliar o poder de Alcolumbre com eventual presidência do Senado.

Trocas

Alcolumbre não descarta troca de partido para facilitar e eleição. O União Brasil desidratou ao longo da legislatura, ao passo que o MDB cresceu.

Nomes

O PSD estuda lançar candidatura de Otto Alencar (BA). No MDB, os mais cotados são Eduardo Braga (AM) e o notório Renan Calheiros (AL).

Chove no molhado

Em nada deve mudar no PSDB a decisão judicial que anulou mandato de Eduardo Leite no comando do partido. Como ainda há recurso, a nova eleição, prevista para novembro, sai antes da decisão final da Justiça.

Cortar na carne

“Se não houver um esforço extra para enxugar a máquina e cortar gastos, o resultado fiscal será desastroso”, avalia Vivien Suruagy, da Feninfra, que representa o setor de call center e infraestrutura de telecomunicações, com 2,5 milhões de empregados.

Visão distinta

“Tenho certeza de que a melhor coisa que poderia acontecer ao povo palestino é o desaparecimento total do Hamas”, escreveu no ‘X’ o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, de ascendência... palestina.

Muito a explicar

O ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) deve aparecer nesta semana no Senado para explicar a atitude condescendente do Brasil aos terroristas do Hamas e por que o Itamaraty não cita os criminosos.

Falta formalizar

Continua sem formalização nos boletins administrativos da Câmara e no Diário Oficial da União a demissão de Sayid Marcos Tenório, exonerado após ridicularizar uma israelense capturada por terroristas do Hamas.

Gilson no páreo

Gilson Machado, ex-ministro do Turismo de Jair Bolsonaro, deve mesmo disputar a Prefeitura do Recife pelo PL. Nas últimas eleições, quando disputou o Senado, teve quase 324 mil votos na cidade.

Escanteadas

O recurso gasto com políticas para mulheres, entre janeiro e setembro, somou R$224 bilhões. O montante responde por 8,3% do total do orçamento. É o menor índice dos últimos três anos.

Calorão

A agência norte-americana NOAA diz que 2023 deve ser o ano mais quente já registrado. Setembro já tem a marca como mês mais quente em 174 anos de registros globais, diz a agência.

Pergunta no dicionário

A ministra do Meio Ambiente tentar culpar o ex-presidente pelos incêndios este mês é, no mínimo, ginástica verbal.

PODER SEM PUDOR

Malícia política

Implacável na liderança da UDN, Carlos Lacerda interpelou Antonio Carlos Magalhães, o ACM, da corrente “Chapa Branca” do partido, sobre uma visita ao “inimigo”, o presidente JK.

Ele confirmou o papo às dez da manhã e observou, cheio de malícia: “...antes de mim, esteve por lá, às sete horas, o Magalhães Pinto.” Referia-se ao presidente da UDN. “A raiva de Lacerda passou para o outro Magalhães”, divertia-se o babalaô baiano, ao lembrar o caso no livro “ACM fala de JK”.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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