Colunistas

Giba Um

"Imagine alguém que, pelo mundo, possa trazer investimentos para o Brasil, falando em nome...

...do presidente da República, de mesmo sobrenome. Não conheço ninguém que reúna essas qualidades", de Flávio Bolsonaro, falando sobre o irmão Eduardo 10 e quanto ele ajudará seu governo caso seja eleito.

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As canetas emagrecedoras, mesmo com problemas enfrentados quem tem utilizado sem o acompanhamento médico, representarão 20% da receita das grandes redes de farmácias até 2030, em um sinal do ritmo acelerado da adoção dos agonistas de GLP-1.

MAIS: a classe GLP-1 inclui o Ozempic e o Mounjaro pelos consumidores brasileiros. A projeção foi feita por analistas do Itaú BBA para grupos como Raia-Drogasil, Pague Menos e Panvel. Hoje, nessas redes, as canetas já se aproximam de representar dois dígitos das receitas totais.

Sobrevoando o Galeão

O Grupo Aeroportuário del Sureste (ASUR) surge no radar como candidato à licitação do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. A companhia mexicana sinalizou ao Ministério dos Portos e Aeroportos seu interesse em participar do leilão, marcado para 30 de março. A ASUR aterrissou em solo brasileiro no fim do ano passado ao investir R$ 11,5 bilhões na compra de um pacotão de 20 concessões aeroportuárias da Motiva (ex-CCR), sendo 17 no país e outras sete em diversos países da região. A relicitação do Galeão deve ser a única grande concessão do segmento realizada no terceiro mandato de Lula. A Changi, de Cingapura e a Vinci Compass, atuais controladoras do aeroporto, são tidas como as candidatas mais fortes para o leilão. A espanhola Aena e a Zurich também estão no páreo.

Salário engordou 37,3% 1

Há dez anos, o teto salarial do funcionalismo público, estabelecido pelos salários dos ministros do Supremo, era de R$ 33,7 mil. Entre 2016 e 2026, o salário passou para R$ 46.366,19, aumento de 37,3%. Contudo, o maior impacto do aumento no teto não é no salário dos 11 ministros do STF e sim "efeito cascata", já que vencimentos da Corte estabelecem o limite para o serviço público no país.

Salário engordou 37,3% 2

Mais: nos últimos dois anos o efeito foi aumento de mais R$ 11,8 bilhões no orçamento. Estimativa da Instituição Fiscal Independente aponta que o aumento de teto teve impacto de R$ 6,3 bilhões no orçamento público em 2025. A IFI espera que em 2026 o aumento do teto tenha impacto orçamentário pelo menos igual ao do ano passado (mas em 2024 foi de R$ 5,5 bilhões). O valor do salário do STF é 29 vezes maior do que o salário-mínimo, que quase dobrou nos últimos dez anos no Brasil (+84%).

Novo no ataque 1

Com a candidatura de Romeu Zema à Presidência ainda patinando nas pesquisas, o Partido Novo vê a chance de tomar dos bolsonaristas a pauta das críticas ao STF. Assessores do governador de Minas Gerais acham que os partidários de Flávio Bolsonaro têm adotado cautela na pauta dos ataques ao Judiciário, querendo demonstrar moderação junto ao eleitor de centro. Aí, segundo eles, surge a oportunidade de se diferenciar e chamar a atenção, especialmente com a crise do Master.

Novo no ataque 2

Nos últimos dias, o Novo protocolou pedido de impeachment contra Dias Toffoli no Senado (Davi Alcolumbre já avisou que não pauta esse tipo de ação contra ministros do STF). Na Câmara, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) apresentou proposta de emenda constitucional para criar um código de ética no STF. Tudo indica que não vai andar: ficará nas mãos do presidente da Corte, Edson Fachin, com seu sonhado Código de Conduta.

 Tapete britânico

 A 79ª edição do British Academy Film Awards (BAFTA), aconteceu domingo (22), no Royal Festival Hall, que faz parte do Southbank Centre, em Londres. Organizada pela British Academy of Film and Television Arts, a cerimônia premiou uma ampla gama de filmes e documentários, tanto britânicos quanto internacionais, que foram exibidos nas salas de cinema do Reino Unido durante o ano de 2025. A apresentação ficou por conta do ator, diretor, produtor e escritor  Alan Cumming.  O filme  "Uma Batalha Após a Outra",  foi o destaque da noite das 14 indicações, conquistou seis prêmios,  entre elas a de “melhor filme  e Melhor Direção, com Paul Thomas Anderson. 

O filme Sinners, que teve treze indicações também chamou a atenção como o filme mais indicado sob a direção de um cineasta negro na história do prêmio; e Hamnet  quebrou recordes ao tornar-se o filme com mais indicações (11) ao BAFTA dirigido por uma mulher. Nesta edição, o Brasil teve quatro indicação: "O Agente Secreto" foi indicado a Melhor Roteiro Original e Melhor Filme em Língua Estrangeira; Adolpho Veloso recebeu reconhecimento por sua fotografia em "Sonhos de Trem" concorrendo ao prêmio na categoria ; além disso, "Apocalipse nos Trópicos" foi indicado a Melhor Documentário.

Contudo, nenhuma das produções brasileiras conseguiu vencer em suas respectivas categorias. Entre as tantas celebridades que circularam pelo tapete vermelho britânico, entre concorrentes, apresentadores e convidados estavam o Principe William e a Princesa de Gales (Kate Middleton), Emma Stone, Gillian Anderson, Kate Hudson, Monica Bellucci, Gleen Close, Kerry Washington, Tilda Swinton, Kristian Dunst, Maggie Gyllenhaal, Kylie Jenner entre muitas outras.

Em Trancoso, versão nacional de Epstein

Depois das primeiras informações sobre as festas do banqueiro Daniel Vorcaro na casa que alugava em Trancoso (BA), voltou a bombar a proposta de CPMI do Banco Master. No recheio das festas (há muitas testemunhas anônimas), "altas autoridades federais" e animadas garotas de programa. A casa ganhou o apelido de "Cine Trancoso" e suas festas deverão ser investigadas pelo Tribunal de Contas da União, a pedido do Ministério Público. Mais de 180 parlamentares apoiaram a CPMI, até agora ignorada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. Havia na casa uma espécie de "conversa" especial: garotas ucranianas e croatas seriam trazidas do exterior por não entenderem tratativas em português com as "altas autoridades". Alguns parlamentares querem escarafunchar a suspeita que pode parecer um exagero: é a hipótese de que o banqueiro seria uma espécie de versão brasileira do famoso Jeffrey Epstein, sem as preocupações financeiras. Estarias somadas às demais generosidades do anfitrião num agradável sistema de "relações públicas". Se bem que veteranas e mais conservadoras turistas das vizinhança reclamavam da suposta orgias e isso já está nas redes.

Caixa Gordo

Está nas redes sociais: o governo de Tarcísio de Freitas fechou 2025 com uma arrecadação de R$ 1,3 bilhão em leilões e vendas de imóveis, veículos e cotas de um fundo que negocia prédios em desuso pelo estado. O montante, segundo o governo, é cinco vezes mais que a soma de suas gestões anteriores, sendo R$ 242 milhões entre 2019 e 2022 - João Doria e Rodrigo Garcia -  e R$ 18 milhões entre 2015 e 2018 - Geraldo Alckmin.

 Último grito

No último final de semana aconteceu os últimos “eventos” relacionados ao Carnaval. Agora é esperar só pelos “carnavais fora de época”, que estão se tornando cada vez mais comuns ou aguardar os festejos do ano que vem. Os mais empolgados já sabem que o carnaval acontecerá entre os dias 05 e 09 de fevereiro de 2027. Entre desfiles das escolas de samba das campeãs (Rio e São Paulo) e os últimos blocos uma legião de celebridades aproveitou para curtir e encheram os camarotes e os trios elétricos. Entre tantos que ainda estavam com fôlego para aproveitar a festança estavam a atriz Juliette Freire, Mariana Ximenes, Luiza Brunet, Renata Sorrah, entre outros. O desfecho do Carnaval de 2026 trouxe um impacto muito positivo para o Turismo no Brasil, solidificando essa celebração como um dos principais impulsionadores da economia do segmento. Ao todo, mais de 65 milhões de pessoas participaram das festividades nas ruas do país, representando um crescimento de 22% em relação ao que foi registrado no mesmo período de 2025.

 Estremecidos

Gilberto Kassab acalentava a ideia de ser o candidato a vice-governador na chapa de reeleição de Tarcísio de Freitas. Ficou na vontade e não gostou do lançamento de Flávio Bolsonaro ao Planalto. Kassab não resistiu e comentou que Tarcísio precisava se libertar do bolsonarismo e de submissão ao ex-presidente. Dois dias depois, Tarcísio devolveu: "As pessoas, às vezes, querem rotular lealdade como submissão, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Na política, infelizmente,  amizade e lealdade viraram atributos políticos, , raros. As pessoas agem por interesse próprio". Resumo da ópera : Kassab sairá do governo de Tarcísio onde tinha grande prestígio e vai cuidar de seus três governadores candidatos ao Planalto.

Unificando negócios 1

A recente unificação das unidades Arezzo, Schultz e Hering debaixo do mesmo guarda-chuva vai além de uma mera mudança no organograma da Azzas 2154. Há outros ajustes organizacionais em estudo. A lógica é condensar verticais de negócio e concentrar poder decisório, o que não acontecia desde a fundação da empresa, a partir da fusão entre Arezzo e Grupo Soma. É uma dose e tanto de mea culpa. Na companhia, há o reconhecimento que a estrutura anterior não entregou o que prometia.

Unificando negócios 2

Ao juntar as unidades de Shoes & Bags (Arezzo, B Schutz, Vans) e Basic (Hering), a Azzas 2154 pretende conduzir camadas intermediárias e redesenhar o fluxo de decisões. O modelo mantido até então expôs fragilidades que a arquitetura descentralizada não conseguiu absorver. A captura de energias ficou aquém das expectativas do mercado. O redesenho é também uma resposta aos resultados decepcionantes da companhia. No terceiro trimestre do ano passado, as verticais Shoes & Bags e Basic registraram queda de receita, respectivamente, de 5,6% e 4,2% em comparação ao período em 2024.

Mistura Fina

Por conta do vazamento da reunião sobre o relatório da PF no caso Master, o STF descobriu que somente ministros tiveram condições de registrar e divulgar o encontro. Realizada numa pequena sala de videoconferência, ao lado do gabinete de Edson Fachin (exatamente para garantir sigilo), a conversa tinha três computadores ligados. Um estava na sala, sem operador, e os outros dois eram Luiz Fux e André Mendonça.

Tanto Fux quanto Mendonça rechaçam qualquer suspeita no episódio e apontam uma segunda possibilidade de vazamento, vinda de ministros que mexeram no celular durante todo o encontro sigiloso. Resumo da ópera: o episódio sepultou a chance de que novas conversas sigilosas ocorram no tribunal. Não há mais confiança entre os ministros para confidências.

A primeira-dama do governo de Tarcísio de Freitas, Cristiane Freitas, que vem ganhando destaque como grande conselheira do marido, também sabe vetar novas admissões na gestão. É o caso do veto ao retorno de Diego Dourado, cunhado do ex-presidente Jair Bolsonaro, à equipe da Casa Civil (estaria envolvido em negociações de emendas de deputados estaduais). Cristiane se opôs e sua opinião levou ao veto.

Cristiane Freitas também sabe vetar a permanência de quatro assessores especiais da mesma Casa Civil, agora com o comando de Roberto Carneiro, novo secretário. Foram desligadas porque despachavam diretamente com o governador. A decisão teria relação com o desconforto da primeira-dama em relação à proximidade das relatoras com o marido. Carneiro conseguiu, contudo, resistir à demissão de uma quinta servidora.

A Maestrini Produções foi autorizada pelo governo federal a captar R$ 1,4 milhão  via Lei Rouanet, para levar aos palcos brasileiros (34 apresentações em 13 cidades) um espetáculo com a atriz Alessandra Masstrini. A idéia é percorrer capitais e polos regionais com o projeto Yentl, que foi filme estrelado por Barbra Streisand em 1983. Alessandra também é cantora, já participou de musicais e fez muito sucesso na Globo, como a empregada Bozena da série "Toma lá, dá cá".

In – Bracelete liso (minimalista)

Out – Bracelete largo (algema)

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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