Colunistas

Cláudio Humberto

"Isso não é democracia"

Dep. Gilvan da Federal (PL-ES), sobre a 'usurpação' de funções na Praça dos Três Poderes

Continue lendo...

Lula vira refém do erro de exigir ‘atas’ ao ditador

Lula (PT) cometeu erro primário, em política externa, ao exigir as atas eleitorais para reconhecer a “eleição” na Venezuela. Errou ao impor uma condição que não controlava, avaliam experientes diplomatas brasileiros. Agora a ditadura decidiu que não divulgará atas eleitorais e deixou Lula com cara de tacho e preso na armadilha que ele mesmo criou. Deveria honrar a palavra e denunciar a fraude, mas no Itamaraty a aposta é que ele irá roer a corda porque ama (ou inveja) ditadores de esquerda.

Lula não lidera

A fraude foi tão escrachada que o desfecho já era esperado, mas a maior sequela é a comprovação de que Lula não lidera nada no continente.

Venezuela é aqui

Maduro não deu a menor para Lula: lançou dúvidas sobre a lisura de sua eleição e colocou no mesmo patamar o TSE o órgão eleitoral da ditadura.

Liderança já era

Maduro também ridicularizou as propostas levadas pelo aspone Amorim, incluindo “a maluquice de novas eleições” na Venezuela.

Sem respeito

O desdém de Maduro por Lula chamou atenção como quando o petista se disse “assustado” e o ditador o mandou tomar “chá de camomila”.

Couro’ de Marçal irá esquentar, com nova pesquisa

O crescimento de Pablo Marçal (PRTB) em São Paulo, confirmado nesta sexta (23) pelo novo levantamento do Paraná Pesquisas, sinaliza uma campanha mais agressiva contra o candidato conservador. Como se diz no Nordeste, a pancadaria fará o “couro” Marçal esquentar. Ele tem presença forte nas redes sociais e polariza com o Guilherme Boulos (Psol), de quem tira eleitores jovens, ora “exorcizando” sua aversão ao trabalho, ora insinuando que o político de extrema-esquerda usa drogas.

Vai virar ringue

A previsão de uma campanha mais agressiva contra Marçal é do experiente presidente do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo.

Estão embolados

De acordo com os números do Paraná Pesquisas, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) lidera seguido de Boulos, em empate técnico com Marçal.

Só ele subiu

O influenciador foi o único dos candidatos a subir, e significativamente, no levantamento do Paraná Pesquisas. Nunes e Boulos caíram.

Gentis munícipes

Os paulistanos são gentis com os governantes. De acordo com o Paraná Pesquisas, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) é provado por 57,5% da população, o governador Tarcísio Freitas (Rep) 55,6% e Lula (PT) 51,5%.

Clima de hipocrisia

A ministra Marina Silva (Meio Ambiente), que vive tentando demonstrar sua preocupação com o “clima”, não abre mão da poluente mordomia das viagens em jatinho da FAB: foram 17 desde janeiro até o dia 15.

Para-choques em ação

Batizada por Pablo Marçal de “para-choques de comuna”, Tábata (PDT) segue poupando Guilherme Boulos (Psol), sua única chance de crescer, para atacar o influencer, acusando-o de supostas “ligações ao PCC”.

Risos literais

Diplomatas estrangeiros em Brasília reportaram a seus países o circo armado por sindicalistas do Itamaraty em greve. “Embaixadas rindo dos brasileiros. Motivo de chacota.”, lamentou um diplomata brasileiro.

Entranhas do poder

Reapareceu no Senado, esta semana, Gabriel Sampaio, de uma ONG que frequenta o Congresso para falar de direitos humanos, violência e... impeachment. Ele ganhou notoriedade nacional como advogado de defesa da petista Dilma Roussef, no processo de cassação.

Resumo da ópera

Segundo o senador Eduardo Girão (Novo-CE), “existe um acordão que interessa aos poderosos de plantão, um jogo de cena, onde através das transparecias das emendas se barganha poder político”.

Resultado: zero

Completa um ano neste sábado (24) a adesão de Argentina, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia e Irã ao grupo dos países em desenvolvimento Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Menos a mais

O candidato Robert F. Kennedy Jr aparecia com 4,7% na média das pesquisas FiveThirtyEight para presidente dos EUA até sexta (23), antes de declarar apoio a Donald Trump (43,6%) contra Kamala Harris (47,2%).

Pensando bem...

...boa notícia para Lula: tiro no pé não dá cadeia.

PODER SEM PUDOR

Brizola e o PT fashion

Na campanha presidencial de 1989, Chico Buarque abriu sua casa para candidatos “progressistas”. Era um palco armado para o PT, mas Chico convidou também o pedetista Leonel Brizola. A certa altura, diante de plateia petista, ouviu-se a voz de uma mocinha fantasiada de Lula-lá: “Nós, jovens, preferimos o PT ao PDT. Como o sr. explica isso?” Brizola coçou a cabeça e devolveu a provocação, fechando o tempo: “Pelo menos no seu caso, parece ser uma questão de estética. Para algumas pessoas, a estrela do PT fica melhor na indumentária.” Por pouco a reunião não acabou em baixaria.

Assine o Correio do Estado

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

Continue Lendo...

Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

Continue Lendo...

Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).