Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Já imaginaram se a Lava Jato tivesse intimado o Lula pelo twitter?"

Deltan Dallagnol, ex-procurador, após o STF intimar Elon Musk através da rede social X

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STF e ministros têm 7,4 milhões de seguidores no X

Ao determinar bloqueio da rede social ‘X’ no Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF), seus ministros e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que é chefiado pelo presidente do STF, deixarão de manter comunicação direta com 7,4 milhões de seguidores. A conta do próprio tribunal tem o maior número de pessoas que a seguem, mais de 2,6 milhões, seguido pelos ministros Flávio Dino (1,2 milhão) e Alexandre de Moraes (1,1 milhão). Eles abriram guerra ao X, mas não abrem mão de suas contas.

Atenção a menos

Postagens de Luís Barroso repletas de estocadas e sentido duplo contra o governo Bolsonaro fizeram sucesso junto aos 412,7 mil seguidores.

Decano mais distante

Decano do STF, o ministro Gilmar Mendes vai deixar da manifestar suas posições aos 517,6 mil seguidores bloqueados com o X.

Sem palavra oficial

Assim como o STF, o CNJ divulga notícias, notas oficiais e campanhas de utilidade pública a 890,5 mil seguidores, agora tudo sob censura.

Mantendo a coerência

Se têm ojeriza ao X, os ministros Cármen Lúcia, Toffoli, Fachin, Nunes Marques e Luiz Fux ao menos são coerentes: não têm contas ativas.

Anúncio de Galípolo pela imprensa irritou o Senado

O atabalhoado anúncio de Gabriel Galípolo para suceder a Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central irritou senadores, pegos de surpresa. O Senado tem a prerrogativa de sabatinar o indicado e votar a indicação, mas Lula ignorou a liturgia e não informou o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, tampouco o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, que fará a sabatina. Todos ficaram sabendo pela imprensa e não gostaram disso.

Dormiu no ponto

O escalado por Lula para antecipar a nomeação a Pacheco foi o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que não cumpriu o pedido.

Governo tem pressa

Governistas tentam resolver a sabatina e votação no mais tardar na segunda semana de setembro, dia 10. Sem muita chance de sucesso.

Casca de banana

A pressa governista é para ter tudo resolvido antes da próxima reunião do Copom que vai decidir sobre a taxa de juros, em 17 de setembro.

Tamanho do holofote

A audiência de seguidores dos ministros do STF e dos órgãos da Corte é maior que a audiência da TV Justiça, presente – por Lei – em todos os pacotes de TV do Brasil. Em 2020, o Ibope da TV Justiça era zero.

Mundo afora

A queda de braço de Elon Musk e Alexandre de Moraes repercute no Congresso dos EUA. A deputada María Elvira Salazar lembra que alertou que a liberdade de expressão no Brasil estava em perigo de extinção.

Chuva de propaganda

Após ameaça de bloqueio do X no Brasil, choveram na internet anúncios de serviços de VPN, que protegem a conexão e mascaram a localização do usuário, como ExpressVPN, Nord, Proton, Surfshark, CyberGhost etc.

Faça as contas

Os mais de 250 mil clientes brasileiros da provedora de internet por satélite Starlink, de Elon Musk, pagam ao menos R$175 por mês pelo serviço. A empresa preferiu o prejuízo de R$44 milhões por mês.

Convocação

Jair Bolsonaro convocou apoiadores para ato na Avenida Paulista (SP) no 7 de setembro, “De nada vale falarmos ou comemorarmos a independência se nós não temos liberdade”, refletiu o ex-presidente.

Impeachment avança

Bomba na plataforma “change.org” pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes “pelo bem da democracia”. O número de assinaturas disparou e já se aproxima de 1,2 milhão.

Esquerda no Nirvana

O bloqueio do X no Basil realiza o velho sonho da esquerda de liquidar redes sociais que não controla e nas quais a direita reina. Não é uma questão jurídica e sim política, estratégia para neutralizar críticos e rivais.

Elon encara

Chama atenção a atitude de Elon Musk de não se deixar intimidar, bem diferente de Mark Zuckerberger, criador do Facebook e CEO da Meta, que confessou esta semana haver cedido, entre outras, às pressões do governo Joe Biden para censurar temas incômodos para a Casa Branca.

Pensando bem...

...faz sentido o antigo ensinamento dos brasileiros do Nordeste profundo: “remédio para doido é outro na porta”.

PODER SEM PUDOR

Atrasar é doença

No final dos anos 1990, o presidente e o secretário-geral do PSDB, Teotônio Vilela (AL) e deputado Márcio Fortes (RJ), chegaram com grande atraso a uma importante reunião tucana. Fortes justificou: “O presidente Teotônio teve uma crise de um mal muito raro, o distúrbio cronotopocinético, mas já está tudo bem.”

Ninguém entendeu nada, muito menos Vilela, que se sentia muito bem: “Que diabo de doença você me arrumou?”, perguntou o senador alagoano. “Ah, Téo, eu também sofro dela: distúrbio cronotopocinético”, respondeu Fortes, para explicar:

"’Crono’ de tempo, ‘topo’ de terreno ou distância e ‘cinético’ de movimento. É o sujeito não consegue calcular quanto tempo precisa se movimentar para vencer determinada distância, chegando sempre atrasado.”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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