Colunistas

Cláudio Humberto

"Justiça não pode substituir a vontade do povo"

Karina Kufa, advogada de Jair Bolsonaro, avalia ação que pode torná-lo inelegível

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STF discute favorecer parente de juiz e OAB se cala

A OAB nacional mantém constrangedor silêncio sobre uma inacreditável ação da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) no Supremo Tribunal Federal (STF), que, na prática, permitirá que suas excelências julguem processos de interesse de escritórios de advocacia de seus filhos, cônjuges e parentes consanguíneos. A proibição está definida no artigo 144 do Código de Processo Civil, que a AMB alega ser “inconstitucional”. A medida pode até provocar concorrência desleal.

 

Nova corrida

Advogados temem que a alteração da regra provoque uma “corrida” a escritórios ligados a magistrados tão logo a ação seja protocolada.

 

Limites tênues

Alguns ministros tentam impor limites, como impedir que magistrado com parente assuma a relatoria o caso. Mas ficaria liberado para julgar.

 

PGR foi contra

Não se conhece a posição de Augusto Aras, mas a antecessora Raquel Dodge se posicionou contra a ação e pediu a “improcedência do pedido”.

 

Olha a alegação

A AMB alega que “o juiz não tem como saber que uma das partes é cliente de advogado que se enquadre na regra de impedimento”.

 

CPI do holofote torrou R$132 mil em passagens

Com muito holofote e pouco efeito prático, a CPI da Pandemia deixou como legado uma amarga fatura para o pagador de impostos: R$240.721,31. O valor foi utilizado para bancar diárias, refeições e passagens, fartamente liberadas durante o funcionamento da comissão que provocou apenas muita baixaria e acusações sem provas. Foram R$132.653,58 só em passagens. A gastança com diárias também foi elevada, e quem paga impostos recebeu a fatura de R$62.934,93.

 

Peso de ouro

O agente da Polícia Federal André Lovatti custou mais de R$18 mil somente em diárias, segundo informou o próprio Senado.

 

Lanchinho básico

A CPI da Pandemia comprou 1.720 “refeições simplificadas”. O custo total da comilança saiu por R$45.132,80.

 

Pedaladas

Só essa fatia de gastos estourou o orçamento de R$90 mil pedido pelos parlamentares para o funcionamento da CPI.

 

Turbinando Bolsonaro

O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), acha que Bolsonaro se transformará no maior eleitor da História do País, caso o TSE o vitime, declarando o inelegível. O senador aposta que vencerá as presidenciais de 2026 aquele que tiver apoio do ex-presidente, no campo conservador.

 

Fracasso previsto

Considerando o governo Lula “um desastre”, o senador Ciro Nogueira faz outra previsão eleitoral: para ele, o PT não elegerá um só prefeito de capital, nas eleições municipais: “Escreva aí e me cobre em 2024”.

 

O pai da matéria

Foi de um senador do Tocantins, Eduardo Gomes (PL), a emenda (nº 1) ao projeto que excluiu da proposta do novo marco fiscal, no Senado, a tentativa de prejudicar o Fundo Constitucional do DF.

 

Na pressão

Além da bancada do DF, a vice-governadora Celina Leão acompanhou até o último momento o senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da regra fiscal, para excluir o Fundo Constitucional do DF do projeto.

 

Visita ao Senado

Jair Bolsonaro passou no Senado a véspera do julgamento que pode torná-lo inelegível. Recebeu aliados, como a deputada Bia Kicis (PL-DF, no gabinete do filho Flávio (PL-RJ).

 

CPI do MST

O placar de 17x6 votos, que aprovou a convocação do ex-chefão do MST José Rainha para depor, mostra o tamanho da bancada governista na CPI que investiga invasões de propriedade e outros crimes.

 

Aniversário

A ministra Cármen Lúcia completou nesta quarta-feira (21) 17 anos no Supremo Tribunal Federal. Parece muito, mas é quase nada perto dos 28 anos que Cristiano Zanin, amigo de Lula, vai desfrutar na corte.

 

A ordem é aparecer

Com o emprego ameaçado pelos políticos, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, se moveu para mostrar serviço. Furou a fila no “Bom dia, ministra” e foi a entrevistada da edição que marca o retorno do programa.

 

Pergunta na sacristia

Lula no Vaticano foi pagar a promessa ou pedir perdão?

 

PODER SEM PUDOR

Pela ordem

A atuação na presidência da CPI dos Correios transformou o senador Delcídio Amaral (PT-MS) em celebridade. Nas ruas, ele ouvia até pedidos para que a CPI não acabasse em marmelada. Certa vez, ao embarcar para São Paulo, um gaiato gritou lá do fundo do avião, repetindo o bordão popularizado na transmissão das sessões da CPI, pela tevê: “Pela ordem, presidente!”, gritou o home, “bote todo mundo na cadeia!”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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