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Giba Um

"Lula deveria aproveitar a oportunidade e fazer sua parte para asfixiar...

...financeiramente os grupos narcoterroristas PCC e CV. Tão importante quanto identificar e bloquear a origem do dinheiro sujo é saber quem são os destinatários. Vão aparecer grandes tubarões", de Flávio Dino (STF)

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A chinesa Shandong Gold está avaliando ativos auríferos no Brasil, especialmente em Goiás e Minas Gerais. Não é a primeira investida da companhia no país. Em 2011, a empresa chegou a apresentar uma oferta de US$ 1 bilhão para adquirir ativos da Jaguar Mining em Minas Gerais e no Maranhão, mas as negociações não avançaram.

Mais: a busca por alvarás de pesquisa e lavra integra a estratégia de internacionalização da empresa. Além da China, a Shandong mantém operações em Gana, Namíbia e Argentina, onde está localizado um de seus maiores projetos, a mina de Veladero. O portfólio da companhia é estimado em cerca de US$ 25 bilhões.

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Dia importante

Com a aproximação do Dia dos Namorados, a cantora Giulia Be (filha do político e empresário Paulo Marinho), e o advogado Conor Kennedy (filho de Robert F. Kennedy Jr. ,atual secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos e sobrinho-neto do ex-presidente John F. Kennedy) compartilharam detalhes da celebração de casamento marcada para outubro, no Rio de Janeiro. Casados no civil desde março, nos Estados Unidos, eles escolheram o Brasil para reunir familiares e amigos em três dias de comemorações."Meu amor, eu te amo, mas não vou me casar em Massachusetts. O Brasil é um dos melhores lugares para se casar. A gente se entrega de corpo e alma", afirmou Giulia.A programação inclui uma recepção, uma bênção familiar no Cristo Redentor e uma cerimônia religiosa seguida de grande festa.A cantora afirmou que a ocasião será uma oportunidade especial para apresentar o Rio de Janeiro à família de Conor.A história do casal também é marcada por gestos simbólicos. Logo após o início do relacionamento, ambos decidiram fazer a mesma tatuagem: o Imaculado Coração de Maria."Somos católicos", comentou Giulia, acrescentando que a tatuagem também homenageia Mary, mãe de Conor, falecida quando ele tinha 17 anos.Atualmente, vivendo entre Los Angeles, São Paulo e Rio de Janeiro, os dois seguem organizando o que definem como "o dia mais importante" de suas vidas.

Abrindo a caixa-preta

Surge mais uma possibilidade de delação no ecossistema criminoso do Banco Master. O hacker Victor Lima Sedlmaier, preso pela Polícia Federal em Dubai, em maio, já teria manifestado a intenção de fechar um acordo de colaboração no âmbito da Operação Compliance Zero. Entre os investigadores, há a percepção de que Sedlmaier tem muito a revelar sobre a estrutura paralela de inteligência e monitoramento montada pelo Master. O principal objetivo da PF é apurar a eventual participação de agentes públicos — policiais, servidores de órgãos de controle e integrantes de estruturas de fiscalização — no vazamento de informações e na blindagem informal do banco e de Daniel Vorcaro. Os investigadores ainda tentam montar o quebra-cabeça e mapear quem demandava ações específicas, quais operadores intermediavam os contatos e como funcionava o fluxo de pagamentos e contratações de atividades clandestinas. Sedlmaier integrava o grupo "Os Meninos", braço responsável por ataques cibernéticos, derrubada de perfis e monitoramento de alvos considerados adversários do grupo ligado ao ex-banqueiro.

Poliglotas

Nas festas que Daniel Vorcaro organizava para políticos, modelos internacionais e autoridades da República, o ex-banqueiro adicionava "presentinhos" aos convidados, como um famoso chocolate em formato de coração recheado - e supresa- com cogumelos alucinógenos triturados. Mais: as modelos eram selecionadas por "especialistas", sempre munidos de um catálogo com fotos, previamente apresentado a Vorcaro. Detalhe: muitas eram poliglotas, característica considerada um diferencial para o trabalho.

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Apelidos reforçam a relação

Por falar em Dia dos Namorados, a Riachuelo aposta no amor tipicamente brasileiro em sua campanha de 2026.Com Alane Dias e Francisco Gil, que estão juntos há mais de um ano, como protagonistas, a campanha destaca os apelidos carinhosos presentes no cotidiano dos casais e apresenta os resultados da pesquisa "Data Date". Realizado em parceria com a MindMiners, o levantamento apontou que 70% dos casais utilizam apelidos afetivos, enquanto 57% afirmam que esse hábito fortalece a relação.Entre os termos mais utilizados estão "Amor", "Vida" e "Mozão".Além de lançar uma coleção inspirada nas tendências do inverno de 2026, a campanha ganhou espaço nas redes sociais, com ações no Instagram e no TikTok.A marca também fechou parceria com o Globoplay na promoção "Você paga o jantar e a gente paga o Globoplay", oferecendo um mês gratuito para novos assinantes.Segundo a Riachuelo, a iniciativa busca celebrar diferentes formas de demonstrar afeto e fortalecer a conexão entre a marca e seus consumidores.

"Insignificante é ele!"

Em uma nova tentativa de aproximação com os evangélicos, o PT promoveu uma edição regional de encontro em Brasília voltada ao segmento, divulgando uma carta direcionada aos religiosos. A primeira-dama Janja da Silva participou do evento ao lado da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e de diversos políticos. Em seu discurso, rebateu uma declaração do pastor Silas Malafaia, feita em agosto do ano passado. Na ocasião, ele afirmou que, nos encontros promovidos por Janja, não havia "nenhuma mulher de expressão". Agora, ela rebateu: "Ele teve a cara de pau de dizer que eu estava conversando com mulheres insignificantes. Insignificante é ele! O importante é que conversei. Ouvi as mulheres!"

Bandeira branca

Romeu Zema reduziu o tom das críticas em relação a Flávio Bolsonaro. Sua declaração à CBN, afirmando que apoiará qualquer candidato que enfrentar Lula em um eventual segundo turno, foi interpretada como um gesto de aproximação. Interlocutores de Zema, entre eles o deputado federal Ricardo Salles, também vêm mantendo conversas com Flávio para reduzir atritos entre os grupos. Zema já chegou a ser considerado um "traidor" por setores da direita. Em determinado momento, classificou como "imperdoável" uma conversa atribuída a Flávio Bolsonaro envolvendo pedidos de dinheiro a um banqueiro. Posteriormente, testou movimentos de afastamento do bolsonarismo, mas a estratégia não prosperou.

Pérola

"Lula deveria aproveitar a oportunidade e fazer sua parte para asfixiar financeiramente os grupos narcoterroristas PCC e CV. Tão importante quanto identificar e bloquear a origem do dinheiro sujo é saber quem são os destinatários. Vão aparecer grandes tubarões",

de Flávio Dino (STF).

Moraes: advogado caro 1

O tribunal federal da Flórida pode não reconhecer a legitimidade da AGU (Advocacia-Geral da União) na defesa de Alexandre de Moraes na ação movida pelas empresas Rumble e Trump Media. A AGU é um órgão do Poder Executivo, subordinado ao presidente da República, e não ao Supremo Tribunal Federal. Na prática, o órgão deverá se limitar à contratação de advogados americanos, remunerados em dólares. Profissionais experientes atuando na Flórida costumam cobrar entre US$ 300 e US$ 600 (R$ 3.120) por hora. Já grandes escritórios ("big law") geralmente trabalham com honorários a partir de US$ 1.000 (R$ 5.200) por hora, enquanto as “top partners” podem ultrapassar US$ 1.300 (R$ 6.760) por hora. Dependendo da duração do processo, os custos podem alcançar milhões de dólares.

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A AGU recebeu a determinação de defender Moraes, mas o órgão está vinculado à Presidência da República e não presta obediência ao Chefe do Judiciário. A separação entre os Poderes, princípio previsto na Constituição de 1988, estabelece limites institucionais para a utilização de recursos públicos. Moraes é acusado, na ação, de ter expedido ordens de censura, inclusive sigilosas, que, segundo os autores do processo, violariam garantias constitucionais dos Estados Unidos relacionadas à liberdade de expressão.

"Cara de pau"

No momento, o caso Master está paralisado no Supremo após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Segundo informações de bastidores, Gilmar avalia que Henrique, pai de Vorcaro, estaria preso como forma de pressionar o filho a colaborar com as investigações. Vorcaro, por sua vez, teria apresentado uma proposta considerada controversa: devolver os recursos desviados, estimados em R$ 60 bilhões, desde que o Banco Master pudesse continuar operando no mercado e tivesse prazo de dez anos para cumprir o acordo. O colunista e membro da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira, comentou: "Ou não entendeu nada ou é mesmo um cara de pau!"

Pagaremos quase 1

Circula na Faria Lima um cálculo para estimar o subsídio do programa "Move Brasil", que pretende financiar, via BNDES, a compra de quase 300 mil veículos por taxistas e motoristas de aplicativo. Um carro de R$ 150 mil financiado por seis anos com juros de mercado, próximos de 26% ao ano, teria parcelas mensais de aproximadamente R$ 4.133. Já o mesmo veículo, financiado com taxa do BNDES de 12% ao ano, teria prestação em torno de R$ 2.933.

Pagaremos quase 2

A diferença mensal seria superior ao valor de duas parcelas do Bolsa Família. Ao longo dos 72 meses de financiamento, o subsídio nominal alcançaria R$ 86,4 mil. Considerando o valor presente líquido, o montante seria de aproximadamente R$ 43,6 mil. Ou seja, os cofres públicos — e, consequentemente, os contribuintes — arcariam com quase um terço do valor do veículo.

Mistura Fina

Entre as inúmeras regalias e benesses que o contribuinte precisa bancar para os servidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), muitas vezes inacessíveis ao brasileiro comum, está a "assistência pré-escola". O benefício ajuda a aumentar os já elevados vencimentos da categoria e garante mais R$ 1.288,47 aos contemplados.Neste ano, o TSE publicou apenas os gastos referentes ao mês de abril, que turbinou os vencimentos de 144 servidores.

A turma do TSE não tem do que reclamar: apenas com auxílio-alimentação, cada servidor recebeu R$ 1.860,51 em um único mês, valor próximo de R$ 90 por dia útil. Além disso, a categoria recebe R$ 791,21 relativos à assistência pré-escolar. A despesa com assistência médica e odontológica é ainda maior, abrangendo 1.232 titulares e outros 2.060 dependentes.

Em 2019, uma ideia legislativa para extinguir o auxílio-moradia de deputados, senadores e juízes tornou-se uma das sugestões populares de maior repercussão da história recente do país. Com mais de 253 mil assinaturas, a proposta alcançou o número necessário para se transformar em projeto e passar a tramitar no Senado. Há quase sete anos, porém, está parada na Comissão de Constituição e Justiça.

A ideia legislativa foi transformada em PEC em 2019, sem incluir magistrados. Desde então, aguarda a designação de um relator. A proposta proíbe o pagamento de auxílio-moradia a senadores, deputados federais, estaduais, distritais e vereadores. Ideias legislativas precisam reunir pelo menos 20 mil assinaturas para serem convertidas em projetos de lei.

Salvatore Cacciola acionou o STF para tentar anular sua condenação pelo TCU no caso da quebra do Banco Marka, no fim da década de 1990. O argumento é que os fatos já estariam prescritos quando o julgamento foi concluído, em 2018. Cacciola também busca suspender duas ações de cobrança. O pedido será analisado pelo ministro Kássio Nunes Marques.

In — Analista de Estoque
Out — Conferente de Estoque

Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

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