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GIBA UM

"Lula é como jogadores de futebol, que já foram muito bons. É o fim da carreira",

de CIRO NOGUEIRA // senador e presidente do PP.

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“Lula é como jogadores de futebol, que já foram muito bons. Antes de se aposentar, são contratados por um time de lugar bem distante. É o fim da carreira”, de CIRO NOGUEIRA // senador e presidente do PP.

O Brasil está se tornando o país 3 do filho único. Segundo a IBGE, nos anos 70 (o mundo era bem diferente), o país apresentava uma taxa de 5,7 filhos por mulher. Hoje, a taxa de fecundidade está em 1,7 com tendência de queda.

Mais: entre nós, o filho único tem sido adotado por uma questão econômica. Exemplo: no site ‘Melhor Escola”, na cidade de São Paulo, uma escola custa por mês, em média R$ 1.912. E todo mundo quer escapar da escola pública.

IN: Salada de frango e legumes

OUT: Salada de figo com presunto

Andador e bengala

Dia 29, Lula irá se submeter a uma cirurgia no quadril, onde será colocada uma prótese e terá um pós- -operatório complicado, começando com medicamentos para eliminar a dor e início de aprendizado ao uso de andador. Suas pernas ganharão super meias para evitar a possibilidade de trombose. Depois de um mês, tentará voltar a andar sem auxílio do andador, só com bengala – e o tratamento fisioterápico durará alguns meses. Nas primeiras semanas, receberá poucos auxiliares e ministros; depois, a dose aumentará e ele transformará o Alvorada, residência oficial da Presidência, quase num gabinete.

NO COMANDO

Durante todo esse período, na ala residencial e sem poder movimentar a perna do quadril operado, o cotidiano de Lula no Alvorada será coordenado pela primeira-dama Janja, que deverá reduzir ainda mais a agenda do presidente. Alguns assessores e igualmente alguns ministros tentarão se manter distantes do Alvorada, a menos que sejam convocados. Não é pequeno o número de colaboradores do petista que não são bem tolerados por Janja. Ela coordenará até o tempo em que cada integrante do governo despachará com Lula. A ideia de um carrinho de golfe para deslocações mais longas está afastada: ele não poderá dobrar uma perna.

De braço dado

O governo Lula reserva papel importante para a Petrobras nas relações bilaterais entre Brasil e Arábia Saudita. Há conversas sobre uma parceria entre a estatal e a Saudi Aramco na área de transição energética. A ideia é que as duas companhias façam investimentos conjuntos em geração eólica e na produção de hidrogênio verde no Brasil. O Public Investiment Fund, fundo soberano saudita, quer desembolsar US$ 1 trilhão em dez anos em energia limpa e cadeia de alimentos. Detalhe: Lula foi um dos articuladores para entrada da Arábia Saudita ao bloco dos Brics.

GOVERNISTAS NA ONU

Seis integrantes da base governista na CPMI de 8 de janeiro estão em Nova York para acompanhar a Assembleia Geral da ONU, onde Lula falará. São os senadores Augusta Brito (PT-CE), Ana Paula Lobato (PSB-MA), Cid Gomes (PDT-CE), Fabiano Cantarato (PT-ES), além dos deputados Duarte Jr. (PSB-MA) e Duda Salabert (PDT-MG). O senador Randolfe Rodrigues (sem partido) decidiu não ir: quer acompanhar o depoimento do general Braga Netto, ex-candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro em 2022.

De fora

O “trem da alegria” que Lula organizou para a viagem aos Estados Unidos, sob justificativa de participar da 78ª sessão da Assembleia da ONU, deixou de fora parlamentares do Centrão (PP e Republicanos). A exclusão, para observadores, evidencia que a suposta adesão dos partidos ao governo não é bem assim. Do PP, apenas Arthur Lira foi convidado, mas não por integrar o governo e sim pelo fato de presidir a Câmara Federal. 11 siglas foram chamadas: Solidariedade, Podemos, União Brasil, Patriota, PSD, PT, PSB, PDT, PSOL, Avante e até PSDB.

Nada a reclamar

A atriz, cantora e ilustradora Carolina Dieckmann, que acaba de completar 45 anos (16) começou aos 15 anos na série Sex Apeal, mas sendo realmente aplaudida quando interpretou Camila na novela Laços de Família, onde deu um show ao viver uma portadora de leucemia, depois disso foi só aplausos, o último como Lumiar em Vai na fé.

De volta a Miami, onde se divide com o Rio de Janeiro, está aproveitando para descansar. “Cheguei aqui em Miami e fiquei muito emocionada, porque quando você mora muito tempo em um lugar, você acaba reconhecendo aquele lugar como se fosse uma parte sua, um lugar gostoso, confortável de voltar. Alguém já está falando que eu voltei a morar em Miami. Não, gente. Vim passar uns dias aqui, vim visitar meu filho que mora aqui”. E completou para festejar sua nova primavera: “Está tudo mara. Nada pra reclamar. Só pra agradecer”.

Mais: Dieckmann, não costuma responder a críticas que recebem em suas redes sociais, mas foi obrigada a rebater as línguas maldosas ao tatuar o nome de seu filho caçula, José. “Eu já tinha a tatuagem com o nome do Davi, feita quando fui para Miami e ele ficou aqui algo natural, óbvio e fundamental para mim levar essa marca em minha pele. É como se desejasse não estar separada deles por sequer um instante, como se eu buscasse uma marca eterna que já existia em meu coração. A letra é da autoria de cada filho. O tamanho é fiel à maneira como estava escrita na folha, não se trata de uma tatuagem estética, mas sim de uma tatuagem carregada de significado sentimental”

Lula reclama e Cuba não mudará

Cuba deve US$ 538 milhões em parcelas vencidas de sua dívida com o Brasil e mais US$ 520 milhões é o que ainda deve pagar até 2028. Lula foi até lá participar do G77, disse que o sufoco econômico-financeiro da ilha de Fidel acontece por causa do embargo dos Estados Unidos (existe há 60 anos) e o governo ficou na dele: “Não temos dinheiro para pagar”.

O governo brasileiro deixou lá um documento onde apresenta alternativas para Cuba pagar o que deve e ficou em alguma gaveta: ninguém acredita que Cuba enfiará a mão no bolso. Do seu lado, os Estados Unidos também não mudarão sua posição depois de recolocar Cuba, em 1921, na lista de países patrocinadores do terrorismo.

Lula quer se aproximar de Cuba depois de Jair Bolsonaro determinar que o governo votasse na ONU a favor das sanções americanas e virou símbolo das relações entre os dois países. O G77, onde Lula discursou, é a abreviação do Grupo dos 77 criados em 1964, no final da primeira conferência das Nações Unidas sobre Comercio e Desenvolvimento, em Genebra, quando tinha 77 membros fundadores.

Hoje, são 134 países da Ásia, África do Sul e América Latina, incluindo o Brasil. A China participa como convidada. O objetivo é promover uma nova ordem internacional menos “injusta”. Da reunião de Cuba, além do palavrório, de prático, não saiu nada de novo.

As aparências enganam

A modelo e empresária Kylie Jenner, 26 anos, e a caçula das irmãs Kardashian- -Jenner, está feliz da vida, além de seus produtos de beleza e cosméticos continuarem entre os mais vendidos e queridos da área (tem uma fortuna estimada em US$ 900 milhões), está num novo relacionamento.

O felizardo é o ator franco-americano Timothée Chalamet conhecido por interpretar Finn Walde na série Homeland. Kylie já faz planos para o futuro com o ator. Vale lembrar que ela já tem dois filhos, Stormi de 5 anos e Aire de 1 ano e meio, fruto de seu relacionamento com o rapper Tyga.

Mais: ela acaba de ser acionada como garota-propaganda da grife sueca de calçados, acessórios e jeans Acne Studios. Onde apresenta nova coleção que está fazendo sucesso na Europa e EUA de jeans sujo, que custa US$ 680 (R$ 3.400).

Pouca chance

Entre parcelas vencidas e o que deverá pagar até 2028, Cuba totaliza mais de US$ 1 bilhão na cifra que o Brasil pode perder na negociação com a ilha. Observadores internacionais e embaixadores apostam que esse dinheiro jamais será pago. A maior parte dos recursos emprestados via BNDES foi para o financiamento do Porto de Mariel, que fica a 40 km de Havana.

Michelle de fora

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, em sua delação premiada, deverá deixar de fora a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, com o qual teve pouco contado, além de providenciar (diversas origens) dinheiro para abastecer sua conta bancária. Cid se restringirá ao ex-presidente e alguns generais que participaram do governo. Michelle é investigada em apenas um inquérito: o de uso do Estado para obtenção de vantagens ilícitas (está incluída na novela das joias). Fica de fora da história das fake news, ataque às urnas eletrônicas, tentativa de golpe e vacinas na pandemia.

Nas nuvens

Até meados de setembro, os ministros do governo Lula e os presidentes da Câmara e do Senado e do STF realizaram um total de 1.480 voos nas asas da FAB. A frota da mordomia é composta de 30 aeronaves operadas na FAB pelo Grupo de Transporte Especial, que administra o privilegio desse pessoal. Também desfrutam da mordomia os comandantes das Forças Armadas e o vice-presidente da República, ministros do Supremo costumam pegar carona. O ministro que mais usou o privilegio foi Flávio Dino (Justiça): em oito meses e meio, fez 74 viagens pelos aviões da FAB.

MÁGOA

Publicamente, a ex-ministra do Esporte Ana Moser não critica o presidente Lula, diz que sua demissão “faz parte da política” e até culpou “a direita” por seu afastamento, só que é melhor não convidar os dois para a mesma mesa. Demissão humilhante ninguém esquece, garantem seus amigos. Agora, depois de cair a ficha de sua atitude pouco elogiada, Lula quer chamar Ana Moser de volta ao governo: está procurando um lugar onde caminhem juntos esporte e educação para entregar a ex-atleta. Tem, contudo, medo que ela recuse.

MISTURA FINA

O MINISTRO Flávio Dino brigou no começo do governo Lula e consegui se manter no Ministério da Justiça também a Segurança Pública. Só que os petistas querem sua cadeira por não ter conseguido se livrar da violência urbana e policial, notadamente na Bahia, governada pelo PT há 16 anos. Contudo: Dino pode “cair para cima” e está bem cotado para substituir Rosa Weber no Supremo. Seu principal adversário é Jorge Messias, o advogado-geral da União, que teria mais chances do que o presidente do TCU, Bruno Dantas.

A DIÁRIA do super luxuoso Lotte New York Palace, que está acomodando Lula, Janja e numerosa comitiva presidencial, chega a custar R$ 83,9 mil. A suíte tem três andares, academia, elevador, biblioteca, mordomos especiais e muito luxo para seus hóspedes. O pessoal da comitiva fica num outro tipo de suíte, mais modesta e nem por isso, dotada de menos luxo: todas tem escritórios e pequenos salões (força de expressão) para reuniões e mesmo coquetéis.

A RETOMADA do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ ainda não saiu do papel. Dois meses depois de Lula oficializar sua recriação, o Ministério das Cidades não aprovou nenhum novo empreendimento no âmbito do programa habitacional. A Caixa também não iniciou a análise de pedidos de financiamentos para futuros imóveis. Ninguém sabe quando acontecerá o anúncio de novas obras. Por enquanto, nenhuma previsão. Quem procura informações na Caixa é direcionado para o Ministério das Cidades, gestor do programa.

COM o passeio em Nova York, esta semana, Lula já dedicou mais tempo de agenda aos Estados Unidos do que ao Rio Grande do Sul, onde não pôs os pés, nem sobrevoou apesar da devastação que matou meia centena de brasileiros. Na primeira viagem aos EUA, o casal presidencial foi pedir a benção de Joe Biden, em fevereiro e ele se encantou com a primeira-dama brasileira. Era a primeira vez que Janja exibia sua famosa bolsa Celine.

NO primeiro semestre, os caixas eletrônicos do Banco 24 horas receberam 1,9 bilhão de depósitos de dinheiro em espécie, um recorde e maior que o volume de todo o ano passado, de R$ 1,4 bilhão. O salto aconteceu mesmo com o maior uso de pagamentos digitais no Brasil, com o PIX crescente 72% em volume de transações entre julho de 2022 e o mesmo mês deste ano.

A FUNDAÇÃO Casa (Antiga Febem) atende hoje 4.976 jovens em 111 centros e nada menos do que 9.500 funcionários ativos. Agora, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) quer que a fundação passe a ser administrada por gestão privado como já acontece em áreas de saúde e cultura ou qualquer outro modelo de parceria com o setor privado. Ele quer reduzir o volume de funcionários e enxugar gastos, o que aconteceria caso a administração seja passada para uma organização social. O problema é para onde enviar os 9.500 funcionários.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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