Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Mistura de negligência e irresponsabilidade"

Ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga sobre o recorde de mortes por dengue em 2023

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Petrobras torra R$31,4 milhões em 1 ano de viagens

Orlando (EUA), Miami (EUA), Amsterdã (Holanda), Paris (França), Londres (Inglaterra), Dubai (Emirados Árabes Unidos) e outras dezenas de badalados pontos de roteiros internacionais estão na lista de destinos que a Petrobras bancou para funcionários ao longo de 2023.

A companhia ainda não disponibilizou os meses de novembro e dezembro, mas o acumulado já chega aos R$ 31.437.904,77 com diárias e passagens. Só em abril, a fatura fechou em R$5,7 milhões.

Eurotour

Em fevereiro, viagem de 11 dias para um funcionário que passou por Bristol (Inglaterra) e Paris (França), saiu pela bagatela de R$26,2 mil.

Multinacional

Em janeiro, consta viagem de um funcionário para sete destinos, entre eles Munique (Alemanha) e Xangai (China), preço: R$75,6 mil.

Check-in

Em outubro, outro funcionário passou nove dias entre Catar e China. O tour, relativamente curto, deixou longa fatura: R$63,6 mil.

Espaço aberto

A coluna procurou a Petrobras e quis saber sobre os meses faltantes e abriu espaço, que segue disponível, para manifestação.

Maranhão desmatou 600 campos de futebol em 2023

O Maranhão de Flávio Dino desmatou em 2023 quase 3,2 mil quilômetros quadrados de matas na Amazônia Legal e no Cerrado, segundo dados de monitoramento do Prodes/INPE, que no ano passado passou a divulgar os dados da região do Cerrado.

O desmatamento maranhense equivale a quase 600 campos de futebol. No Estado, o desmatamento em 2023 só rivaliza com o Pará que, nas duas regiões, destruiu nas florestas quase isso: mais de 3,4 mil quilômetros quadrados.

Inverso

O Maranhão foi responsável pela destruição de 2.927 km2 de matas no Cerrado, aponta o INPE. Na Amazônia Legal, foram 243 km2.

Número 1

No Pará, foram destruídos 3,2 mil km2 de matas na Amazônia Legal. No Cerrado paraense, mais 246 quilômetros quadrados de desmatamento.

Que ambiente

Sem cuidar dos ianomamis, morrendo cada vez mais, e sem reduzir o desmatamento, o atual governo escolheu Belém para sediar a Cop 30.

Feminista

O ex-presidente Jair Bolsonaro reagiu com bom humor sobre seu “casamento firme” com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto: “Eu sou o marido. E todos sabem que quem manda na relação é a mulher”.

Assassinato de reputações

O ex-juiz Sergio Moro, um homem de bem, experimenta agora todo ódio da estratégia petista de assassinato de reputações, que inspirou livro-denúncia de uma testemunha insuspeita: o advogado e policial civil Romeu Tuma Jr, ex-secretário de Justiça do primeiro governo Lula.

Nível anedótico

Ainda rende o besteirol de Anielle Franco, exemplo do nível anedótico do ministério. Talento do humor no X, Joaquin Teixeira é vítima de “racismo telefônico”: “uma muié ligou aqui perguntando se eu era cliente Claro”.

Devolve, Pacheco

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reafirmou que é favorável à devolução integral da medida provisória de Lula que ressuscita impostos para 17 setores da economia. Sugere um projeto de lei, com urgência.

Lá, a lei impera

Com dívida de R$3 bilhões vencendo em 2024, a Gol cogita recuperação judicial nos EUA. Não precisa se preocupar com autoridades brasileiras, que usam jatinhos da FAB e liberam as aéreas para explorar a clientela.

Números da disputa

Antes mesmo da vitória na prévia republicana no Iwoa, o ex-presidente Donald Trump liderava, por um ponto, em média as últimas pesquisas nacionais no provável cenário contra o atual presidente, Joe Biden.

Biden rejeitado

A vitória de Donald Trump em 98 de 99 municípios do estado de Iowa, no partido republicano dos EUA, contrasta com a média das pesquisas de aprovação do presidente dos EUA, Joe Biden: 57% o rejeitam.

Cenários EUA-Brasil

Ex-ministro de Dilma, que no cargo parecia perguntar-se todos os dias “o que estou fazendo aqui?”, Joaquim Levy participa nesta quinta (18) de evento no Brazil-Florida Business Council, com sede em Tampa.

Pensando bem...

...o microministério finalmente saiu do papel.

PODER SEM PUDOR

Marvada conselheira

Na época líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) pediu vista e retirou da pauta de da Comissão de Assuntos Econômicos um projeto de lei dispondo sobre isenção de IPI para aguardente de cana-de-açúcar. “O PSDB votará contra”, adiantou.

E não resistiu a uma provocação a Lula (PT), presidente de primeiro mandato: “Temo que decisões de certos presidentes vizinhos possam ter sido tomadas sob o efeito desse produto brasileiro de exportação...”

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Com Rodrigo Vilela e Tiago Vasconcelos

www.diariodopoder.com.br

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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